A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
ENTREVISTA EXCLUSIVA
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM e CLEIDE DUARTE FOTOGRAFIA
A lutadora Natália Silva entra no octógono neste sábado (3) para encarar a chinesa Wang Cong pelo cinturão da categoria peso-mosca, com exibição exclusiva do Paramount+. Invicta no UFC, a brasileira busca o seu primeiro título na organização com a honra (e a pressão) de fazer o principal embate da noite. Fora do ringue, ela também luta contra estereótipos que acompanham as mulheres do MMA e ainda enfrenta a hipersexualização dos corpos femininos. "É uma situação muito delicada", lamenta.
Em conversa exclusiva com o Notícias da TV, Natália abre o jogo sobre o seu lado vaidoso, um de seus diferenciais no esporte e que voltou a chamar a atenção no momento da encarada com a adversária na última quinta (1º) --ela usou um vestido preto com brilho, salto alto e maquiagem, enquanto a chinesa foi bem mais "básica", com calça e casaco jeans e uma camiseta branca.
"Eu sempre gostei de me cuidar, de usar o meu brinquinho, passar meu esmalte, cuidar do meu cabelo", diz a brasileira, admitindo que o estereótipo das mulheres no UFC pinta uma imagem bem diferente. "Um dia, o pai de uma criança na academia me perguntou: 'Nossa, mas o esporte não deixa a mulher muito masculina?'. Eu virei para ele e falei: 'Você acha que eu sou masculina?'. E ele: 'Não' (risos)", conta Natália, bem-humorada, à reportagem.
"Eu sou uma lutadora, eu sou forte, eu trabalho muito, tenho musculatura. E o esporte também é agressivo, a luta e tudo... Mas eu procuro, mesmo diante disso, continuar sendo eu mesma fora do octógono, a Natália menina, que gosta de se cuidar, vaidosa, que gosta das coisinhas dela. Então, acho que é uma característica minha que eu procuro trazer para o esporte", valoriza.
"Realmente, tem esse estereótipo. Mas é uma coisa que tem muitas mulheres que vão contra isso, né? Minha amiga mesmo, a Mackenzie [Dern], campeã [peso-palha], linda, você olha para ela toda pomposinha, toda arrumadinha... Então, essa característica vai de pessoa para pessoa. Tem pessoa que não gosta e tem pessoa que gosta. Eu gosto e quero que me vejam assim, como uma pessoa que pratica um esporte, mas que gosta de se cuidar, que é menina, que é mulher, que é vaidosa."
Natália admite, porém, que ser uma mulher no esporte não tem sido simples, pois há uma parcela masculina que sexualiza os corpos das atletas. "A mulher, em si, já é muito sexualizada, mesmo se ela não fizer nada [para incentivar esse comportamento tóxico]. Eu falo porque, no meu esporte, é um público principalmente de homens, né? E, realmente, às vezes posto uma foto de um chute, que não tem nada a ver, e aquilo já gera alguma coisa. É complicado."
"Infelizmente, o nosso corpo é muito sexualizado, e é uma coisa difícil até de falar: 'Ai, como é que vai [mudar]?'. Não tem como. É uma coisa que parece que já é meio cultural de eles fazerem, né?", lamenta. "É uma situação delicada, né? Muito delicada mesmo."
Tanto que, por uma opção minha, eu evito de postar fotos muito sensuais. Por quê? Se sem eu postar já acontece, se eu postar fica pior ainda. E eu não quero que as pessoas associem o meu trabalho a esse tipo de coisa. Eu quero ser lembrada como a Natália dentro do octógono, a Natália que faz boas lutas...
E a brasileira tem tudo para fazer uma ótima luta neste sábado. Ela e Wang Cong se enfrentarão pelo título dos pesos-moscas, sem dona desde que Valentina Shevchenko abriu mão do cinturão por uma questão de saúde --a atleta nascida na União Soviética era a adversária original da brasileira para o evento deste sábado, mas o main event precisou mudar por causa da lesão.
Em sua primeira disputa de título no UFC, Natália Silva conta que sua preparação precisa ser personalizada para cada adversária que surge no caminho. "Cada luta é uma estratégia diferente. O foco é o mesmo, a vitória, mas a preparação acaba estrategicamente e taticamente sendo um pouco diferente, sim. E o mental também tem um treinamento todos os dias, né?", explica ela, que segue invicta na organização.
"Estou invicta no UFC e pretendo continuar invicta --se Deus quiser, por muito, muito tempo (risos). O meu foco é sempre entregar um resultado bom, e eu acho que tudo que eu já fiz na organização é muito bom, só que para mim é como se cada luta fosse a primeira, como se fosse um novo começo. Então, eu não fico muito preocupada pensando muito nessa questão de eu ainda estar invicta, tá? Eu acho que o meu foco é sempre o mesmo: trabalhar, entregar o meu melhor e buscar o resultado positivo, que é a vitória."
Por enquanto, o foco da brasileira está 100% em Wang Cong. Questionada pela reportagem sobre quem gostaria de enfrentar em uma futura defesa de título, ela se esquiva. "Eu não quero pensar nisso, não! Um passo de cada vez! Depois que eu vencer, em nome de Jesus, eu vou descansar uns dias, vou conhecer o meu sobrinho pessoalmente, que nasceu quando eu estava no México e não pude estar presente. Estou vendo ele só por chamada de vídeo e estou doida para pegar nele. Sentir o cheirinho de neném, ai, que delícia! Aquele bafinho de leite. Nossa, estou doida para isso", entrega.
"Não estou pensando depois dessa luta, em qual é a próxima luta, não. Eu não costumo fazer isso! 'Ai, eu vou lutar agora, e daqui a pouco...'. Não, eu quero viver esse momento, ter essa vitória, aí aproveitar, curtir a minha vitória. Aí depois, bem depois eu vou pensar no que a gente vai fazer. Calma (risos)."
O UFC 332: Silva vs. Wang, acontece neste sábado (4), com transmissão ao vivo do Paramount+. O card preliminar começa às 17h, e o card principal às 21h. A luta de Natália será a última da noite, mas o horário vai depender da duração dos embates anteriores.
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