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EX-FAZENDA

Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Deolane Bezerra tira foto no espelho

Deolane Bezerra em foto publicada no Instagram: advogada foi presa na manhã desta quinta (21)

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 21/5/2026 - 6h54
Atualizado em 21/5/2026 - 7h20

A influenciadora Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta (21) em uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital). Ela é investigada por suposta relação com a facção criminosa. Os agentes cumpriram os mandados de busca e apreensão na casa da ex-Fazenda, em Barueri (SP), e em outros endereços ligados à advogada.

O nome de Deolane chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), já que ela estava em Roma, na Itália, nas últimas semanas. Mas a empresária voltou ao Brasil na quarta (20).

Considerado filho de criação por Deolane, o influenciador digital Giliard Vidal dos Santos e um contador também são alvos de busca e apreensão.

A investigação tem como foco o esquema de lavagem que envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula da facção criminosa.

As provas apreendidas pela Operação Vérnix foram cruzadas com relatórios de movimentação em contas físicas e jurídicas no nome de Deolane Bezerra, com o objetivo de identificá-la como recebedora de dinheiro proveniente do PCC.

Depósitos em espécie ordenados pela cúpula da facção fazem parte das movimentações, saindo do caixa do PCC por meio da transportadora de cargas.

Segundo a investigação, Deolane recebeu entre 2018 e 2021 em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica chamada de smurfing. Everton de Souza seria o intermediador e indicava a conta da ex-Fazenda para "fechamentos mensais".

Além disso, na investigação consta que quase 50 depósitos foram feitos a duas empresas de Deolane Bezerra, no valor total de R$ 716 mil, por uma empresa que se apresenta como banco de crédito e que tem como responsável um morador da Bahia que recebe em torno de um salário mínimo por mês.

O indício de ocultação e/ou dissimulação de recursos do PCC foi apontado a partir da análise das contas a débito, tanto de Deolane quanto da empresa dela, que mostram que não foi identificado nenhum pagamento relacionado a esses créditos.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra. O valor diz respeito ao que ela não comprovou a origem, com indicativos de lavagem de dinheiro.

A Operação Vérnix também inclui mandados de prisão contra parentes de Marco Herbas Camacho, o Marcola, considerado o o chefe da facção e que já está preso na Penitenciária Federal de Brasília. A polícia cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.

Segundo o G1, a polícia também prendeu Everton de Souza, mais conhecido como Player, indicado como operador financeiro da organização. Ele aparece nas mensagens interceptadas pela investigação dando orientações sobre distribuição de dinheiro da transportadora de cargas controlada pela família de Marcola e indicando contas de destino.

Também estão no alvo da operação Alejandro Camacho, irmão de Marcola que também está preso, e dois sobrinhos dele, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Segundo a suspeita da polícia, Paloma Sanches Herbas Camacho, apontada como intermediária nos negócios da família, estaria na Espanha. Já Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que seria o destinatário do dinheiro lavado da família, estaria na Bolívia.

Também foi determinado o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados.

A investigação da Operação Vérnix começou em 2019, com a apreensão pela Polícia Penal de bilhetes e manuscritos com dois presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Três inquéritos policiais sucessivos foram abertos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura da facção investigada.

Prisão anterior de Deolane

Em setembro de 2024, Deolane Bezerra foi presa na operação Integration, contra uma organização criminosa que pratica lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Solange Bezerra, mãe da empresária, também foi detida na ocasião.

A ex-Fazenda conseguiu o direito de cumprir prisão domiciliar, com uso de uma tornozeleira eletrônica, mas voltou ao presídio após descumprir a regra da medida cautelar de não fazer um pronunciamento em público. Ela deixou a penitenciária após 20 dias.


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