SORTE?
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Debora Bloch em Vale Tudo: atriz foi um dos destaques da teledramaturgia de 2025 como Odete
Debora Bloch, um dos grandes destaques da teledramaturgia no ano por viver Odete Roitman no remake de Vale Tudo (2025), não acha que a oportunidade foi exatamente uma "sorte". Para a atriz, a chance é o resultado de um "trabalho de anos". Inicialmente, a personagem estava cotada para ir para as mãos de Fernanda Torres, que recusou devido à campanha bem-sucedida ao Oscar de Ainda Estou Aqui (2024).
Filha do também ator Jonas Bloch, Debora tem em seu currículo novelas como Cambalacho (1986), o longa Bete Balanço (1984) e o humorístico TV Pirata (1988-1992). Ao todo, são 45 anos de carreira. "Não acho que foi exatamente um presente. Até poderia dizer isso, mas penso que foi o resultado de anos. E também uma 'sorte' que pintou justamente porque eu estava mais preparada, então pude saborear", disse a atriz, em entrevista à revista GQ.
Todavia, se depender de Debora, Odete não ficará "grudada" em sua atuação, algo como o que aconteceu com Beatriz Segall (1926-2018), a Odete Roitman original, que ficou marcada até o fim de sua carreira como a personagem icônica escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères.
"A personagem não grudou em mim. Na verdade, é mais difícil entrar nela do que me desvencilhar", explicou. "Era muito cruel e não passo pano, não. Achava desagradável precisar falar tudo aquilo. Porém, é importante entender a função da Odete na trama e na sociedade. Ela representa uma elite excludente, conservadora e preconceituosa que continua aí", disse Debora.
Para a atriz, a repercussão gerada pela trama é inegável, mesmo que nem sempre os comentários sejam elogiosos. Debora contou que, durante uma ponte aérea, foi abordada por um fã que perguntou se ela havia aprovado o final polêmico do remake --desta vez, com Odete viva. "Respondi que sim, mas ele seguiu insistindo. Percebi que ele não tinha gostado, mas não queria falar", revelou.
Assim como na versão original, o mistério de "quem matou Odete Roitman" foi sustentado até o fim. Um dos fatores que explicam a escolha por deixar a vilã sobreviver ao tiro de Marco Aurélio (Alexandre Nero) pode ser a popularidade incomum que a personagem alcançou entre os espectadores. À época, uma pesquisa do Datafolha sobre o remake revelou que apenas 4% do público gostaria de ver Odete morta.
Para a atriz de 62 anos, um motivo para a vilã "ganhar pontos" com os espectadores foi a ressignificação da imagem da mulher sexagenária. "Antigamente, uma mulher da minha idade acabava descartada. Hoje, uma mulher de 60 anos não é mais uma avó que fica tricotando em casa. Se quisermos, podemos ser, mas não nos vemos mais restritas a isso", apontou.
"Ainda não nos acostumamos a ver uma mulher que escolhe os seus parceiros sexuais e domina as relações. Por isso, cabe à arte dizer: 'O mundo é assim, mas pode ser diferente'", defendeu a atriz.
© 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.