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SAÚDE MENTAL
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Cleo Pires em foto do Instagram; atriz falou sobre saúde mental e desafios que vive desde os 17 anos
Cleo Pires revelou que, desde cedo, vivia desafios com relação a sua saúde mental. A atriz, que ficou afastada das novelas por quase oito anos e voltou em Coração Acelerado, relembrou que o processo terapêutico entrou em sua vida ainda na adolescência e o autoconhecimento adquirido ao longo dos anos foi fundamental para conseguir dar conta do que passava por sua cabeça.
A artista contou que começou a buscar ajuda profissional aos 17 anos, motivada por sentimentos que a acompanhavam desde a infância. Segundo ela, havia questões internas que não conseguia compreender nem expressar para outras pessoas.
"Comecei a fazer terapia porque, desde criança, tinha coisas que me acompanhavam --nos meus sentimentos, na minha forma de ver o mundo. E eu sentia que não conseguia acessar essas coisas, não conseguia elaborá-las", relatou em entrevista à Quem.
Cleo admitiu que, na época, acreditava que ninguém seria capaz de compreender o que ela estava vivendo no momento. "Depois eu descobri que não era nada demais, mas na época eu achava que ninguém ia entender o que eu estava pensando e sentindo", declarou.
A atriz explicou que a decisão de procurar terapia surgiu após uma conversa com um amigo da escola. Segundo ela, foi esse colega quem sugeriu que conhecesse uma profissional voltada para saúde mental. A experiência foi suficiente para convencê-la de que aquele era o caminho que queria seguir.
"Ele perguntou: 'Por que você não faz terapia?'. Eu disse que achava que meus pais não iam deixar, que não ia dar certo. Ele falou: 'Vamos lá para você conhecer minha terapeuta'. Fui, conheci ela, fiz uma sessão. Amei. Pensei: 'Me encontrei'", relembrou.
A artista contou ainda que passou a procurar trabalhos para conseguir pagar as próprias sessões. "Comecei a querer fazer uns trabalhos para ganhar uma grana e pagar a terapia. E por aí foi. Tive momentos de alta, anos sem fazer. Voltei, saí. Mas agora estou em acompanhamento contínuo", afirmou.
Filha de Gloria Pires e Fábio Jr., Cleo também revelou que seus pais demonstraram certa resistência quando ela manifestou o desejo de iniciar o tratamento psicológico. Segundo a atriz, a reação tinha relação com a geração deles e com o fato de serem pessoas públicas.
"Meus pais sempre foram muito a favor do diálogo. Mas, não sei se por serem pessoas públicas, não gostaram muito da ideia no começo, achavam que eu não precisava, que eu tinha tudo. São também de outra geração", explicou.
Apesar da resistência inicial, a situação mudou rapidamente dentro da família. "Falei com meu pai, o Fábio, e ele me deu o dinheiro para fazer a terapia. Depois, todo mundo em casa foi vendo que era ótimo, e hoje em dia todo mundo faz", concluiu a atriz.
Cleo já nasceu famosa, muito por conta da fama dos próprios pais. Por isso, ela também refletiu sobre os desafios de crescer cercada por figuras conhecidas do entretenimento. A atriz admitiu que carregar sobrenomes de peso trouxe uma carga de responsabilidade.
"Desde muito cedo você entende que tudo que você faz resvala nas pessoas que mais ama, pessoas que trabalharam muito para construir o que construíram. E é um pouco aprisionador, porque você é só uma criança tendo que suprir expectativas", declarou.
A atriz afirmou que sempre procurou evitar comparações com os familiares e disse que aprendeu cedo que esse tipo de disputa não traz benefícios. Para ela, cada pessoa percorre um caminho único, com vivências e experiências próprias.
"Eu nunca gostei de me comparar com ninguém. Primeiro porque acho que é uma luta inglória, e se você vence, nem vale a pena, porque a outra pessoa tem outro tudo: outro aprendizado de vida, outra experiência", avaliou.
Cleo também reconheceu que lidar com expectativas externas pode ser doloroso, mas afirmou que prefere enfrentar as consequências de ser fiel à própria identidade.
"Não tem como não haver dor. Ou você tem a dor de ser você mesma --porque as pessoas vão querer que você seja outra coisa--, ou você tem a dor de ser outra coisa. Eu escolho a dor de ser eu. O resto é problema das outras pessoas", concluiu.
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