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DIGIMAIS
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Edir Macedo em culto da Igreja Universal: dono da Record é alvo de investigação da PF
O bispo Edir Macedo, dono da Record e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), virou alvo de uma operação da Polícia Federal. A ação mira um esquema fraudulento de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional focado na gestão do Banco Digimais, instituição financeira que passou a ser controlada integralmente pelo religioso em 2020.
A Operação Miragem investiga fraudes no sistema financeiro e aponta suposta ocultação da situação financeira da instituição, manipulação de balanços e operações supostamente ilegais.
Na manhã desta terça (23), 50 policiais cumpriram nove mandados de busca e apreensão contra dez empresas e oito pessoas físicas, incluindo o bispo Edir Macedo.
Como o dono da Record mora no exterior, ainda não foi solicitado mandado de busca e apreensão contra ele. Edir Macedo é alvo da investigação por ser proprietário do banco.
Mais de R$ 670 milhões em bens ligados ao Digimais foram bloqueados por decisão da Justiça Federal de São Paulo, que também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, incluindo de Macedo.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Digimais teria adotado práticas financeiras vistas como temerárias, e semelhantes às do extinto Banco Master.
A situação do Digimais impacta no balanço financeiro da Record. Se o banco quebrar, a emissora poderá ser usada para pagar credores.
Como havia mostrado o Notícias da TV, o patrimônio líquido consolidado da Record, que era de R$ 1,826 bilhão em 31 de dezembro de 2019, saltou para R$ 5,050 bilhões em 2020 após a compra do banco. De acordo com balanço publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, em um ano o patrimônio da emissora deu um salto de R$ 3,2 bilhões, um crescimento de 176,6%.
Antigamente chamada de Banco Renner, a instituição foi fundada em 1981 em Porto Alegre (RS). Virou um banco digital em 2020, quando foi comprado por Edir Macedo. O foco hoje é em operações de crédito, principalmente financiamento de veículos.
Edir Macedo tornou-se acionista minoritário da instituição em 2009. Até que, em 2020, o líder religioso assumiu o controle integral da instituição ao adquirir a totalidade das ações --na mesma época, o banco foi reestruturado para atuar no âmbito digital, adotando o nome Digimais.
As investigações da Operação Miragem apontam para a geração artificial de receitas para ocultar a verdadeira situação da instituição e aparentar solvência perante os órgãos de controle. O esquema envolvia a manipulação de balanços do banco e a supervalorização de ativos.
Segundo o G1, relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil foram analisados e mostraram irregularidades graves na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira.
Os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional estão previstos na Lei nº 7.492/1986. Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas.
Confira a nota da Polícia Federal sobre a operação:
"A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (23/6), a Operação Miragem, com o objetivo de apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional supostamente praticados no âmbito da gestão de uma instituição financeira.
Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. A decisão judicial também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores.
As investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central do Brasil, apontam que os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, para aparentar solvência perante os órgãos de controle e para viabilizar operações supostamente irregulares.
Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, de inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e de realização de operações de crédito vedadas."
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