ENTREVISTA
BETO MACEDO

Stéfani Mota: atriz luta por uma representação feminina sem ideações e mais realista no audiovisual
Stéfani Mota faz da própria carreira um manifesto pela representação feminina com mais verdade e menos idealização. Atriz e roteirista, ela constrói e escreve personagens longe dos clichês, com autonomia, objetivos próprios e falhas que as tornam mais reais. Para ela, inclusive, a maternidade precisa ser mostrada com profundidade e sem as romantizações que mascaram os desafios.
Acostumada a ser a única mulher em núcleos dominados por homens, sua personagem mais recente foi Vanessa, na série DNA do Crime, sucesso da Netflix. A criminosa, além de enfrentar um submundo marcado pela violência, também encara uma difícil gravidez.
"Acho que seria interessante uma quadrilha com mais mulheres. Como só escrevo protagonismo feminino, sinto que tenho buscado, sim, outros núcleos, mais equilibrados nesse sentido", declara em entrevista ao Notícias da TV.
"Tentei construir a força da Vanessa mais no olhar, na escuta, no jeito como ela se posiciona. Ela não está ali para competir com os homens do grupo, mas para existir com estratégia e inteligência", pondera ela.
A preocupação em dar autonomia às personagens femininas também permeia os bastidores. "Não precisei impor meu espaço, porque desde as primeiras versões do roteiro, a Vanessa já tinha muitas camadas e uma identidade própria. Ela não estava ali apenas para girar em torno do Gabriel [personagem de Daniel Blanco]", resume Stéfani.
Mãe de primeira viagem na vida real, ela afirma que a maternidade mudou sua maneira de enxergar e interpretar personagens que tenham filhos na ficção. "Tem coisas que a gente só entende depois de viver, como o cansaço que não passa, a culpa de estar longe, a responsa. Mesmo sabendo que cada maternidade é única", analisa.
Essa experiência trouxe mais cuidado para suas escolhas como atriz e roteirista. "A maternidade influencia, com certeza, no que faço, principalmente no que quero deixar no mundo. Sempre penso que as personagens precisam ter objetivos, desejos, sem idealizações irreais", acrescenta ela, que destaca a importância de trazer mães reais a seus roteiros.
"Toda mãe que escrevo está em um lugar não romantizado, com desejos, medos e falhas. Atualmente, estou escrevendo sobre uma mulher que passa por um puerpério difícil e toma uma atitude totalmente inesperada", pontua.
Mais do que criar protagonistas femininas, Stéfani quer mulheres complexas, intensas e que sirvam de referência para uma geração que merece ver mães e personagens femininas longe do pedestal e mais perto da realidade.
Em breve, ela vai estrear Noites Brancas, filme de Luis Dantas inspirado na obra de Dostoiévski (1821-1881). Intérprete da protagonista, Nádia, a atriz acredita que a personagem já traz um peso por si só, e acomoda todos seus desejos com relação à autonomia feminina no audiovisual.
"Sempre foi o meu livro favorito do Dostoiévski, então já fui com muita paixão para o teste. Quando começaram os ensaios, trabalhamos com o preparador pra confiar no subtexto e criar a atmosfera toda do filme", explica.
"Nádia tem uma vontade imensa de viver, mas navega entre ser muito solar e muito melancólica, então isso foi algo que exploramos com atenção. Aos poucos, a voz da Nádia, a Nástienka do livro, foi se ajustando em mim, e eu fui ganhando mais autonomia sobre ela", complementa.
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