ANA JECKEL

Atriz de 25 anos vira fenômeno e fica atrás só de Clarice Lispector em feira de livros

MÁRCIA MOLINA/DIVULGAÇÃO

A escritora e atriz Ana Jeckel, de cabelos cacheados com franja, segura o livro Kiwi e os Garotos Perdidos enquanto olha para o lado diante de um fundo neutro.

Ana Jeckel com o seu livro Kiwi e os Garotos Perdidos: atriz sonha com adaptação audiovisual

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 20/9/2026 - 16h00

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Com seis livros publicados e o nome cravado entre os mais vendidos de uma importante plataforma online, a atriz Ana Jeckel conquistou um feito impressionante aos 25 anos. Durante a Feira do Livro de São Paulo, ela se tornou a segunda autora mais vendida de todo o evento, atrás apenas de Clarice Lispector (1920-1977). 

"É sempre uma surpresa maravilhosa acompanhar os números de uma pré-venda ou a primeira vez de um livro em um evento literário, porque eu nunca sei o que esperar. Sinto uma ansiedade de ficar pensando o que o público vai achar dos meus novos personagens e da história, então é incrível, uma verdadeira realização pessoal", diz ela, em entrevista ao Notícias da TV.

Ela também participou recentemente da Bienal do Livro de São Paulo, em que mais uma vez pôde entrar em contato direto com os leitores:

Foi a primeira vez que fui como uma autora publicada por uma grande editora. Realmente, não sabia o que esperar, mas sabia que seria uma loucura! Tive livros em dois estandes diferentes, mesas e painéis por todos os lados e centenas de leitores à minha procura pelo evento.

Em um mercado dominado pela disputa de atenção com vídeos curtos e notificações nas redes sociais, o segredo da gaúcha para prender o público jovem está na sua dinâmica de criação:

Eu primeiramente organizo os meus capítulos como se fossem cenas de um episódio de série, então os diálogos são muito fluidos e atuais, e acho que isso deixa as minhas obras com um aspecto mais leve, portanto mais chamativo para o público jovem. É um livro com cara de audiovisual.

A fórmula de sucesso de obras como Kiwi e os Garotos Perdidos também passa pela coragem de abordar sentimentos complexos na pré-adolescência, como o luto e a transição para a vida adulta.

"Os adultos tendem a minimizar as dores da pré-adolescência e da adolescência como se fossem 'coisas bobinhas', mas os sentimentos e as emoções que temos com os nossos 13 ou 14 anos são fortíssimos! Tudo é muito intenso nessa época da vida", defende a escritora, ressaltando que tratar de temas sérios aproxima o leitor ao validar suas próprias emoções.

A paixão pelo universo marítimo, navios e caças ao tesouro --presente em Kiwi e na saga Nadia Keane-- vem de uma fascinação antiga pelo oceano. "Quando eu era adolescente, o meu sonho era cursar Oceanografia. Fazia parte de uma realização pessoal minha, uma fascinação infantil que eu sempre tive com o oceano e com os grandes mistérios dos mares. Encontrei a minha própria maneira de viver o sonho", revela.

De atriz para escritora

Sua bagagem como atriz, com participações em séries como Tudo Igual… SQN (2022-2024) e Juacas (2017-2019), na Disney, influencia diretamente a construção da narrativa no papel. "Como eu escrevo as cenas dos capítulos em formato de roteiro audiovisual, faço a mesma coisa com a dinâmica e as ações dos personagens. Eu imagino todos eles como se fossem atores em um palco ou em um set de filmagem, batendo texto antes de gravar, improvisando falas, deixando a cena cada vez mais real", conta.

De olho no futuro, Ana enxerga as adaptações para as telas e o mercado internacional como caminhos naturais para suas obras. "Acho que, pelo jeito que eu crio as minhas histórias, sempre pensando em audiovisual, é uma questão de tempo para que o sonho se torne realidade. São histórias feitas para ganharem vida e são escritas para isso", projeta a autora, que também sonha em ver seus livros traduzidos em diversos idiomas pelo mundo.

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