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GERSON ROCHA
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Gerson Rocha: ator brasileiro tenta firmar carreira em Hollywood e já trabalhou com grandes astros
Ator e dublê brasileiro em Hollywood, Gerson Rocha tem construído uma trajetória internacional com cautela e muito foco no aprendizado. Mesmo já tendo passado por sets de grandes produções ao lado de nomes como Mark Wahlberg, Chris Hemsworth e Rodrigo Santoro, e de fazer parte de Godzilla x Kong: Supernova, que estreia em 2027, ele evita discursos triunfalistas e prefere manter os pés no chão ao falar sobre a própria carreira.
"Para mim, nada está definido ainda. Acho que ainda não conquistei meu espaço e que ainda não conquistei nada --mas acredito muito que estou no caminho certo, focando no trabalho e no aprendizado", afirmou Rocha em entrevista ao Notícias da TV.
Para o artista, estar em produções desse porte é significativo, mas não representa um ponto de chegada, por ter apenas vivido papéis muito pequenos ou apenas de apoio. "Só de estar num set com esses atores de peso já significa muito", destacou.
Morando na Austrália desde 2008, Gerson explica que não viveu exatamente um choque cultural ao ingressar em produções de Hollywood, já que grande parte desses filmes é gravada no país. Ainda assim, a experiência de dividir espaço com astros internacionais foi marcante. "Fiquei bem impressionado quando vi aqueles atores de Hollywood pessoalmente, transitando na minha frente… Isso é um choque muito legal", relatou.
Segundo ele, a organização e o nível técnico das produções australianas e hollywoodianas chamam a atenção. "Na Austrália, tudo é extremamente técnico, pontual e profissional. Cada segundo custa caro", observou. Em projetos de Hollywood, a pressão é ainda maior. "Você sente a máquina funcionando em alta velocidade, com centenas de pessoas trabalhando para entregar uma única cena", comparou.
O ator também aponta as barreiras enfrentadas por brasileiros que tentam se firmar fora do país. O sotaque é a principal delas. "Por isso investi pesado em um voice coach, e sei que ainda preciso melhorar", contou. Além disso, ele reconhece que o idioma e a percepção de ser um imigrante também pesam. "Às vezes, você sente que outros atores acham que você está ali 'pegando o espaço deles'", afirma.
Entre os aprendizados técnicos adquiridos em grandes sets, Gerson destaca a precisão exigida e a hierarquia bem definida. "Num filme de Hollywood, por exemplo, o diretor principal não dirige os outros atores como support background ou background", explicou. "São os codiretores e os assistentes de direção que te direcionam e decidem ali na hora qual cena você fará --e você precisa estar preparado."
Mesmo com a carreira em construção no exterior, o artista não esconde o desejo de se aproximar novamente do cinema nacional. "O Brasil é onde está minha essência", declarou. Ele reforçou que retornar para o país não seria um passo para trás. "Voltar agora não é retroceder. É honrar minha origem com a bagagem internacional que conquistei", resumiu.
Ao comparar o momento atual do audiovisual brasileiro com o mercado internacional, ele enxerga um cenário positivo. "O Brasil vive um momento de grande criatividade e originalidade", avaliou. Para Rocha, apesar das diferenças de verba e tecnologia, o país se destaca pela força narrativa: "O Brasil tem alma, tem coragem narrativa".
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