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LUCAS TORS

Atacado em Garota do Momento, ator vira traumas de cabeça para baixo em filme

RAFAEL OLIVEIRA

Lucas Tors posando em fundo marrom, com camisa vinho de manga comprida

Lucas Tors: ator fala sobre ataques sofridos em Garota do Momento (2024) e traumas ressignificados

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 6/12/2025 - 16h00

Lucas Tors atravessa um dos momentos mais transformadores de sua carreira --e, ao mesmo tempo, o mais íntimo também. Depois de ganhar projeção em Garota do Momento (2024), da Globo, e Paulo, O Apóstolo (2025), da Record, o ator encara agora uma virada autoral ao transformar memórias dolorosas em cinema. O artista mostra que consegue lidar com traumas por meio da arte, mesmo que isso signifique expor as partes mais vulneráveis de si mesmo ao público.

Na novela das seis que antecedeu Êta Mundo Melhor!, ele interpretou o garçom Alberto, que despertava a curiosidade amorosa de Guto, personagem de Pedro Goifman, e funcionava como o ponto de virada para o rapaz perceber que poderia ser gay. A trama rendeu grande repercussão --e também ataques pessoais que o acompanharam fora da ficção.

"Fui muito atacado no Twitter [atualmente chamado de X] por não me encaixar em padrões de beleza esperados pelo público para um casal gay", relembrou Tors em entrevista exclusiva ao Notícias da TV. "Foi um pequeno susto quando meu personagem viralizou nas redes e tinha foto minha por tudo que é site de fofoca, com milhares de interações", lamentou.

Ele contou que a enxurrada de comentários trouxe impacto, mas também uma leitura mais madura sobre o sucesso. "Fui muito reconhecido nas ruas, e aquele pequeno momento de exposição me trouxe muitos ensinamentos, principalmente o de não me iludir com elogios, nem com críticas", afirmou.

"Sempre queremos nos colocar como invencíveis, mas é claro que nos afetamos quando falam da nossa aparência. Tenho uma autoestima ótima, amo quem sou, mas isso é uma construção de anos."

O ator também disse ter sido alvo de xenofobia. "Sou um homem de etnia árabe, o que no Brasil me torna suscetível a comentários xenofóbicos e desagradáveis sobre minha origem, meu fenótipo. Quando aprendi a ter orgulho de onde vim, também aprendi a ignorar o bullying", ponderou ele.

Embora tenha vivido dois momentos importantes na TV recentemente, Lucas destacou que foi o cinema independente que moldou sua visão artística. "Desde os 18 anos me envolvo com projetos independentes… É como se eu tivesse uma vontade inerente de fazer as coisas do meu jeito, de pôr um pouco do meu olhar sobre aquele roteiro, aquele cenário", apontou.

Ainda assim, ele reconhece a relevância das novelas em sua trajetória. "Em novela, somos um pouco mais podados, mas é satisfatório demais atender à visão de um diretor e de toda a equipe. A exposição é muito maior quando se trata de novelas, principalmente na dona Globo", observou.

Toda a construção de sua carreira o levou a Metástase, projeto que ele define como o mais pessoal de toda sua vida. O longa-metragem nasce diretamente de vivências dolorosas de sua juventude e explora os efeitos devastadores de relações abusivas.

"Viver um relacionamento abusivo é enigmático demais. Primeiro que você nem sabe que está vivendo um abuso", contou. "Eu vivi situações horríveis entre os 17 e 18 anos... O que eu mais queria era esquecer", disparou ele.

O ator revelou que só anos depois do que havia passado percebeu o impacto emocional. "Com o tempo, fui percebendo um bloqueio sexual e emocional... Havia criado uma casca enorme como mecanismo de defesa", destacou.

A virada aconteceu quando ele percebeu que o trauma também afetava seu trabalho. "Decidi que era hora de mudar o script da minha vida. Pensei: se o que mais me afetou consegue me tirar o sono, também vai me levantar profissionalmente", afirmou.

Ao revisitar padrões familiares e relacionamentos passados, nasceu o impulso para escrever Metástase. Ele começou o roteiro sozinho e, depois, dividiu o trabalho com o roteirista e diretor de fotografia Fábio Melofi.

"Ele me entendeu como ninguém… Juntos, conseguimos desenvolver o esqueleto do roteiro na primeira reunião. Mesmo sendo um assunto denso e triste, era parte da minha história, então acabei aprendendo a gostar, pra curar", relembrou o artista.

Tors entrou no projeto não somente como protagonista e roteirista, mas também como produtor. A falta de oportunidades o empurrou a criar o próprio caminho. "Ninguém estava vendo. A virada aconteceu quando coloquei uma meta: ou tudo acontece em 2025 ou eu vou embora do Rio e vou dar a louca de mochilão pelo mundo. Adivinha? Tudo aconteceu", contou.

Ao retratar abuso, ele rejeita qualquer traço de glamour. "A romantização é muito perigosa… Por isso o título do filme é Metástase", explicou. "É uma analogia à doença que faz todo sentido quando pensamos em relacionamentos abusivos. Não vitimizamos nem a vítima, nem o abusador: humanizamos e denunciamos comportamentos", reforçou.

A partir de Metástase, que ainda não tem data oficial de lançamento, o ator entrou numa fase mais madura. "Desde 2024 venho numa ascensão incrível, principalmente como ser humano, o que reflete no meu profissional", disse.

Essa fase, segundo ele, tem nome: propósito. "Eu encontrei meu propósito dentro da arte e estou usando todos meus utensílios pra passar minha mensagem pro mundo. Sei que as pessoas certas vão se conectar comigo."


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