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ANÁLISE
REPRODUÇÃO/RECORD

Leandro Hassum na Casa do Patrão; reality já foi esquecido pelo público antes mesmo de terminar
A primeira temporada da Casa do Patrão chega ao fim nesta quinta-feira (16) com a sensação de que nunca conseguiu alcançar as expectativas criadas. Cercado pela promessa de marcar uma nova fase da emissora e com o nome de J. B. Oliveira, o Boninho, por trás das câmeras, o programa encerra sua trajetória já esquecido, sem deixar grandes personagens, momentos históricos nem uma forte conexão com o público.
A atração estreou com a proposta de renovar o gênero ao misturar convivência, disputa e diferentes ambientes dentro da mesma casa. Com 18 participantes anônimos divididos entre a Casa do Patrão e a Casa do Trampo, o reality apostava em uma dinâmica em que privilégios e responsabilidades mudariam constantemente o jogo.
Na prática, porém, a promessa não se transformou em repercussão. Ao longo das semanas, Casa do Patrão teve dificuldade para criar protagonistas, gerar discussões fora da tela ou momentos capazes de movimentar as redes.
Diferentemente de outros realities que conseguem transformar participantes desconhecidos em assunto nacional, a atração chega ao seu último dia sem nomes que tenham ultrapassado os limites do confinamento.
Disputam a final Bianca Becker, Matheus Pantaneiro e Sheila Barbosa. O participante que levar o prêmio milionário, no entanto, sai praticamente do jeito que entrou no reality show: anônimo.
Nem mesmo a estrutura grandiosa construída para o programa conseguiu evitar a falta de impacto. A casa, montada em Itapecerica da Serra, foi apresentada como um dos grandes diferenciais da produção, mas o cenário não foi suficiente para sustentar o interesse do público durante 12 semanas.
A própria atração passou por mudanças ao longo da temporada, em uma tentativa desesperada de encontrar o tom ideal depois do início morno. Regras, dinâmicas e caminhos do jogo foram ajustados com o reality já no ar, indicando uma busca por uma fórmula que não estava totalmente definida.
A condução de Leandro Hassum também virou alvo de críticas nas redes sociais. Acostumado ao humor escrachado, o apresentador enfrentou o desafio de comandar um formato que exigia outro tipo de ritmo, com momentos de tensão, cobrança e interação com os confinados.
As provas e atividades propostas pelo programa também não conseguiram virar grandes acontecimentos. Em vez de disputas lembradas pelo público, muitas dinâmicas acabaram passando sem grande repercussão, contribuindo para a sensação de que o reality nunca encontrou sua identidade.
O contraste ficou evidente quando comparado a outros programas do gênero: enquanto realities costumam sobreviver justamente por memes, brigas, alianças e personagens que nascem dentro da casa, a Casa do Patrão teve poucos momentos capazes de furar a bolha.
O principal episódio de repercussão recente veio nesta reta final, quando Mari Bernardino deixou o confinamento e descobriu quantos seguidores havia conquistado nas redes sociais --saltou de 1,4 mil para 14 mil, e demonstrou decepção de uma maneira que deixou uma marca até cômica entre o público.
O desempenho discreto levanta dúvidas sobre o futuro da atração. Até agora, o destino de Casa do Patrão na programação da Record segue indefinido. A emissora ainda avalia a grade de 2027 e não bateu o martelo sobre uma possível nova temporada.
Criada com a expectativa de ser uma grande novidade no universo dos realities, a Casa do Patrão encerra sua primeira edição com mais perguntas do que respostas. O programa deixa uma marca, mas não exatamente a que seus criadores esperavam: a de uma aposta ambiciosa que terminou sem conseguir conquistar o público.
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