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SEM CATUPIRY
REPRODUÇÃO/RECORD

Leandro Hassum à frente de Casa do Patrão: reality mostra pontos fortes e pontos fracos
A estreia de Casa do Patrão na segunda-feira (27) já escancarou quais são os pontos mais fortes, mas também os mais fracos do reality show. De um lado, o programa traz um frescor que foi perdido pelo Big Brother Brasil ao longo de 26 temporadas. Do outro, parece ter um orçamento limitadíssimo --como se Record e Disney+ tivessem ressalvas de investir alto no novo e arriscado programa de J. B. Oliveira, o Boninho.
As comparações com o BBB são inevitáveis, do cenário aos participantes. Estão lá o galã com capacidades cognitivas questionáveis, o menino bom do interior, a mulher experiente --ou loba, como dizem os mais jovens-- com um acervo de perucas digno de tirar o Emmy de Drag Race e até uma morena misteriosa que, curiosamente, se chama Morena.
A primeira impressão é que Boninho realmente quis levar o seu know-how de décadas à frente do reality da Globo para a nova casa. Esbarrou, porém, na falta de recursos. Microfones com problema, câmeras com baixa resolução, streaming com questões de estabilidade --fica até difícil enumerar as dificuldades que apareceram já no primeiro dia de transmissão.
Apesar do orçamento digno de uma coxinha com guaraná --o refresco, não o refrigerante--, a Casa do Patrão também mostrou que pode surpreender o público. O jogo até lembra o BBB, mas tem novas dinâmicas que são desconhecidas não só pelo público, mas pelos próprios participantes.
Ou seja, os competidores vão ter de aprender a se movimentar nesse novo tabuleiro, o que deve assegurar mais fluidez e mais organicidade. Diferentemente de um Big Brother, em que as pessoas já entram pensando em assumir determinados papéis, a nova atração não possui (ainda) um lugar seguro --seja para chegar à final ou mesmo para ganhar o prêmio.
Talvez esse seja exatamente o ponto que Boninho e sua equipe devam explorar, muito menos do que as dinâmicas mirabolantes. É um reality raiz, que o público sente falta. Provas sem patrocinador, que podem ser mais livres e leves, menor pressão comercial, participantes mais dispostos a se queimar.
A Casa do Patrão pode ter uma faca cega e um queijo meio mofado nas mãos, mas isso não significa que o formato está fadado ao fracasso. Com o estímulo correto, pode se tornar um sucesso improvável --o que seria ótimo para renovar um gênero explorado à exaustão pela TV brasileira.
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