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ANÁLISE

Casa do Patrão pode corrigir erros técnicos, mas já cometeu pior pecado de um reality

REPRODUÇÃO/RECORD

Leandro Hassum tem expressão de conformismo no estúdio de vidro da Casa do Patrão

Leandro Hassum no comando da Casa do Patrão; reality quebrou a confiança do público já na estreia

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 4/5/2026 - 21h00

A Casa do Patrão entra em sua segunda semana no ar em um cenário pouco favorável. Há uma série de problemas técnicos, muitos tropeços de Leandro Hassum e broncas exageradas de J. B. Oliveira, o Boninho. Tudo isso ainda pode ser corrigido, é claro, mas o novo formato já cometeu o pior pecado de um reality show: quebrou a confiança do público.

Logo na estreia, na segunda passada (27), a Record enrolou para colocar o programa no ar apenas após o fim do capítulo de Três Graças. Mas a Globo também adotou uma estratégia de guerrilha e estendeu o Jornal Nacional e a novela das nove o máximo possível. Resultado: o reality começou apenas às 22h46 --com a trama de Aguinaldo Silva ainda no ar, diga-se de passagem.

Até aí, tudo bem, mudar a programação para tentar levantar a audiência faz parte do jogo. O problema é que o atraso gerou uma bola de neve que culminou em um dos piores tropeços da história dos realities na TV brasileira.

Na reta final da primeira Prova do Patrão, depois de Leandro Hassum apressar muito os participantes, ele simplesmente se dirigiu ao público da Record, avisou que a transmissão acabaria ali mesmo e que quem quisesse descobrir o líder da semana teria de conferir o resto da dinâmica no Disney+.

O público, com razão, reclamou. Mais do que isso, sentiu-se traído pelo programa. Ora, se os principais momentos do reality show podem não passar na TV aberta, por que se importar com ele? É preciso mesmo assinar o streaming para entender o mínimo da dinâmica do formato? O pay-per-view deve ser algo complementar, para que os apaixonados pelo gênero tenham mais conteúdo, não uma coisa fundamental para todos os espectadores.

Há três agravantes na quebra de confiança. O primeiro? Ela aconteceu logo no primeiro dia da Casa do Patrão. Não houve sequer tempo hábil para ganhar um público fiel antes de desferir a facada nas costas. Qualquer pessoa que ainda estava decidindo se assistiria ou não à temporada desistiu ali mesmo.

A segunda ofensa? A transmissão ao vivo foi interrompida para a Record colocar no ar um episódio de Chicago Fire, enlatado norte-americano que poderia ter sido derrubado excepcionalmente --como a própria A Fazenda faz em alguns dias mais importantes do reality rural.

O terceiro, e mais sério dos agravantes, é que a Prova do Patrão chegou ao fim poucos minutos depois de a exibição na Record acabar. O espectador que tem menos afinidade com a tecnologia pode até ter perdido os momentos finais da dinâmica enquanto fazia a mudança da TV aberta para o streaming --a usabilidade da plataforma, diga-se de passagem, deixa a desejar.

Para ficar ainda pior, no dia seguinte (28) houve uma nova quebra de confiança entre o programa e o público. O calendário semanal do reality previa que a votação para formar o Tá na Reta (o paredão da Casa do Patrão) seria às terças, e até o site oficial anunciava isso, mas a dinâmica simplesmente não aconteceu. Foi jogada para quarta (29), um dia antes da eliminação.

Pegar os participantes de surpresa e forçá-los a agir no susto é sempre uma boa maneira de criar conflitos no confinamento. Mas o choque não deve se aplicar também ao espectador. É preciso deixar tudo às claras para o público; caso contrário, ele se sente enganado pelo programa.

Não é por acaso, afinal, que o melhor desempenho da Casa do Patrão no Ibope foi registrado justamente na estreia: 4,7 pontos na Grande São Paulo. De lá para cá, o reality tem registrado uma fuga do público, e já dá menos audiência do que a novela turcaChamas do Destino anotava até a semana anterior --com um custo bem menor para os cofres da Record.

Boninho e sua equipe precisam correr para consertar os erros técnicos do formato o quanto antes, mas também vão ter de dar a cara à tapa para tentar recuperar a confiança do espectador. E isso talvez seja muito mais difícil do que uma simples melhora na qualidade das câmeras e dos microfones...


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