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LISTA GRANDE

Antes da Casa do Patrão, Boninho já colecionava programas rejeitados

REPRODUÇÃO/RECORD

Boninho na divulgação da Casa do Patrão, apontando para as casas do confinamento

Boninho na divulgação da Casa do Patrão; reality da Record não é o primeiro fracasso do diretor

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 17/5/2026 - 20h00

No ar há menos de um mês, Casa do Patrão caminha para se tornar mais um fracasso no currículo de J. B. Oliveira, o Boninho. Apesar da expectativa de o diretor trazer consigo o DNA de realities que construiu em décadas atuando nos bastidores do Big Brother Brasil, da Globo, a nova atração provou que nem mesmo um dos maiores nomes da TV brasileira está imune a projetos que não conseguem se conectar com o público.

O reality apresentado por Leandro Hassum, inclusive, não é nem de longe a primeira falha de Boninho como criador de formatos e diretor. Embora seja responsável por sucessos históricos, o executivo também foi responsável por atrações que enfrentaram baixa audiência, repercussão negativa ou vida curta na programação da Globo.

Desde humorísticos considerados sem graça até realities musicais sem impacto nenhum, ele nem sempre acertou quando o quesito era levar ao ar novos programas.

Um dos projetos que mais caiu no esquecimento é o Tomara que Caia (2015). A aposta da Globo em um humorístico ao vivo, baseado em improviso e interação digital, sofreu rejeição quase imediata nas redes sociais.

O programa virou meme já na estreia e rapidamente passou a ser tratado como um erro da emissora, principalmente pela sensação de desorganização e pelas piadas consideradas fracas pelo público.

Outro que não encontrou espaço foi o Zig Zag Arena (2021), comandado por Fernanda Gentil. A atração tentava transformar brincadeiras infantis em um game show familiar para os domingos da Globo, mas enfrentou dificuldades para criar identificação com os telespectadores. A baixa audiência fez com que a emissora encerrasse o formato antes do previsto.

Casa Kalimann (2021) também entrou para a lista de apostas de Boninho que não somente não engrenaram, como se tornaram uma mancha no currículo do diretor. O programa estrelado por Rafa Kalimann no Globoplay tentava misturar talk show, convivência e entrevistas intimistas, mas acabou dominado pelas críticas nas redes sociais. A repercussão negativa foi tão intensa que a atração não ganhou continuidade.

Já o SuperStar (2014-2016), reality musical interativo criado em um momento em que a TV buscava ampliar a participação do público por aplicativos, começou cercado de expectativa, mas perdeu força rapidamente. As mudanças na dinâmica, nos jurados e no formato demonstravam uma tentativa de encontrar um caminho que mantivesse o interesse da audiência.

Boninho também enfrentou dificuldades bem antes da explosão das redes sociais. Hipertensão (2002), reality de resistência e provas radicais exibido pela Globo, surgiu como uma tentativa de repetir o fenômeno dos programas de confinamento, mas acabou não alcançando o impacto esperado. O mesmo aconteceu com Jogo Duro (2010-2011), que misturava humor e competição sem conseguir criar identidade forte diante do público.

O histórico evidencia que o principal desafio dos formatos comandados por Boninho nunca esteve apenas na estrutura grandiosa ou na repercussão inicial. Em muitos desses casos, faltou justamente o elemento que sempre sustentou seus maiores sucessos: conexão genuína com o telespectador.

Programas como o BBB conseguiram transformar participantes em assunto nacional porque entendiam o comportamento do público e acompanhavam mudanças de consumo quase em tempo real.

Já atrações como a Casa do Patrão parecem enfrentar justamente o problema oposto. Em vez de gerar conversas espontâneas nas redes sociais, o reality frequentemente dá a impressão de tentar reproduzir fórmulas antigas em um cenário televisivo que mudou radicalmente nos últimos anos. O resultado é uma dificuldade crescente de criar identificação e repercussão orgânica.

Mesmo com os tropeços, Boninho segue como um dos profissionais mais importantes da TV brasileira. Mas a repercussão de Casa do Patrão mostra que o histórico de sucessos não impede que até os nomes mais consolidados enfrentem dificuldades para compreender um público cada vez mais fragmentado e menos disposto a consumir formatos que parecem desconectados do momento atual da TV e da internet.


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