ANÁLISE
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Tadeu Schmidt durante o Big Day do BBB 26, exibido ao longo da sexta-feira (9) na Globo
Depois do fracasso completo do BBB 25 --que deveria ter sido uma temporada de comemoração não apenas à efeméride do programa, mas também aos 60 anos da Globo--, a Globo decidiu revolucionar o BBB 26, que estreia na segunda-feira (12). Pela primeira vez, os telespectadores terão o poder de escolher todos os dez participantes do grupo Pipoca. É uma aposta muito arriscada, já que o histórico do público de realities na hora de votar não é dos melhores.
Para a equipe dos diretores Rodrigo Dourado e Angélica Campos, entregar a chave da porta da casa mais vigiada do país para quem assiste ao BBB é uma maneira de lavar as mãos e se eximir caso os escolhidos não rendam --uma reclamação constante do público em edições anteriores era de que grandes plantas haviam sido aprovadas mesmo após um longo processo de seleção.
Caso brothers com perfis mais apagados --como os de Victor Hugo Teixeira, Joselma Silva, Thaís Braz ou João Luiz Pedrosa-- sobrevivam às cinco casas de vidro e entrem de fato no BBB 26, a responsabilidade pelas "plantas" será jogada para o público. Algo na linha: "Vocês que votaram, vocês que lutem".
O problema é que, se a produção do BBB consegue errar na escolha mesmo depois de acompanhar os candidatos durante o processo seletivo intenso, que dirá quem acompanha o reality e precisará tomar sua decisão apenas pelo que viu nas chamadas do Big Day, exibidas ao longo da sexta-feira (9), e pelo que acompanhará nas casas de vidro até o fim da tarde de domingo (11) --se tiver interesse em acessar o Globoplay apenas para isso.
Assim, a chance de um deslize popular é muito maior --afinal, é possível avaliar alguém de verdade em meio à euforia e à gritaria incessante de cada quarteto confinado nas casas de vidro? Não dá para dizer se Chaiany Andrade tem mais potencial para barraco do que Jordana Morais, muito menos definir quem será o melhor jogador entre Breno Corã ou Marcel Lucena.
A Globo está colocando poder demais na mão do público, que precisa tomar uma decisão "julgando o livro pela capa". Os votos serão dados para os brothers mais bonitos (ex-bombeiro da Eliana, Ricardo Negro já prometeu usar sunga branca para exibir o corpo escultural), os mais simpáticos ou os que pareçam ser mais divertidos --ou, no caso de Livia Christina e Marciele Albuquerque, se você torce para o Boi Garantido ou para o Boi Caprichoso.
Vale lembrar que, especialmente nos últimos anos, o público de reality shows tem tomado decisões muito questionáveis na hora de votar: vide a vitória de Amanda Meirelles no BBB 23 ou o fato de Fiuk e Camilla de Lucas terem chegado à final do BBB 21. Em 2025, parece inconcebível que a decisão tenha ficado entre Renata Saldanha, Guilherme Vilar e João Pedro Siqueira, quando personagens bem mais interessantes haviam saído ao longo da temporada.
E o problema não se restringe ao programa da Globo: há menos de um mês, Fabiano Moraes conseguiu ficar no Top 4 de A Fazenda 17 sem a menor vontade de jogar --ou sequer o desejo de se levantar do sofá do reality rural da Record. Esse público merece mesmo o poder de definir 10 peças do jogo que começa na segunda-feira e que é tão importante para o calendário televisivo no início do ano?
A receita para o desastre é tão certeira que a própria produção do Big Brother já criou uma alternativa para driblar a eventual falha: o Laboratório, com participantes que podem entrar no decorrer do jogo para substituir eventuais plantas. Ou seja, nem a Globo confia na dinâmica que decidiu promover.
Colocar a decisão nas mãos do público antes mesmo de o programa começar pode até dar certo, mas, dado o histórico dos últimos anos, a probabilidade é de que o BBB 26 seja um vexame ainda maior do que o de 2025. Uma pena.
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