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PUBLI DE GRAÇA

Atitude de Virginia explica por que a Globo baniu marcas e até livros do BBB

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM e TV GLOBO

Na montagem: Virginia Fonseca (à esquerda) e Chaiany Andrade (à direita)

Idealizadora da WePink, Virginia Fonseca faturou com "publi de graça" feita por Chaiany no BBB 26

IVES FERRO

ives@noticiasdatv.com

Publicado em 28/2/2026 - 10h00

A promessa de Virginia Fonseca de dar produtos vitalícios da WePink para Chaiany Andrade, participante do BBB 26, é um dos motivos pelos quais a Globo tomou uma medida drástica sobre os pertences que os brothers levam para o confinamento. Nos últimos anos, a emissora endureceu regras no reality para banir marcas que não são patrocinadoras e até proibiu livros dentro da casa.

O BBB 19 foi o último a permitir que participantes levassem literatura para o confinamento. Ana Clara Lima, por exemplo, chegou a ler sete exemplares no BBB 18. A ex-sister passou por obras como Morte Súbita, Na Natureza Selvagem, Sob Julgamento, O Tapete Voador, Antes da Carolina e Depois da Carolina, Tamanho 44 Também Não É Gorda, e Sonata em Auschwitz.

A partir do BBB 20, a produção vetou a entrada de obras impressas com o argumento oficial de estimular a convivência e evitar que os brothers se isolassem. Na prática, havia também uma preocupação comercial: capas, editoras e autores acabavam ganhando vitrine involuntária em rede nacional.

O BBB 20 também foi o último que permitiu a entrada de produtos de marcas que não fossem patrocinadoras. Até então, era comum que participantes levassem cosméticos, roupas e itens visivelmente identificáveis. Com o crescimento da força publicitária do programa, hoje uma das principais plataformas de merchandising da TV brasileira, a Globo fechou o cerco. 

Bianca Andrade, a Boca Rosa, uma das participantes do BBB 20, faturou alto apenas por levar produtos de sua marca de maquiagens para o reality show. A própria empresária admitiu que aceitou o convite para o grupo Camarote com o intuito de intensificar seu trabalho fora do programa.

Depois de cinco anos das novas regras, o BBB 26 iniciou uma flexibilização. Produtos pessoais voltaram a circular, mas com a regra de não nomear marcas para evitar propaganda gratuita.

O caso de Chaiany exemplifica o temor da emissora. Mesmo sem mencionar nominalmente a WePink, a sister usou body splash e óleo capilar da marca de Virginia em diferentes momentos.

Quando Virginia, já fora da casa, prometeu abastecimento vitalício de produtos à participante, o gesto deixou evidente o alcance comercial da exposição. A influenciadora transformou minutos de reality em publicidade orgânica de alto impacto, sem que a WePink precisasse comprar uma cota caríssima no programa. Os produtos usados por Chaiany, inclusive, são apontados no site da empresa da influenciadora como os mais vendidos.

O BBB movimenta centenas de milhões de reais em publicidade por temporada. Permitir que marcas surfem na audiência sem pagar contraria a lógica do negócio. Por isso, livros saíram de cena, rótulos sumiram das câmeras e menções diretas passaram a ser vetadas.

A emissora entende que o confinamento precisa ser vitrine, mas apenas para quem investe oficialmente nas cotas publicitárias. Não a toa, o BBB 26 bateu recorde com 19 cotas fechadas, totalizando uma receita publicitária superior a R$ 1 bilhão para a Globo.

A atitude de Virginia não viola regras internas, já que partiu de fora da casa --ela mesma identificou os produtos que Chaiany mostrou e se aproveitou para vender. Ainda assim, escancara como o reality se tornou um campo fértil para o marketing indireto.


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