A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
TRETAR CANSA!
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A sister Ana Paula Renault dorme no chão do banheiro durante o Barrado no Baile do BBB 26
Há seis edições, o Big Brother Brasil tem chegado à marca dos 100 dias de confinamento. A estratégia é vantajosa para a Globo, que dilui custos ao longo de mais episódios e amplia as oportunidades de inserções publicitárias dentro do jogo. O BBB 26, entretanto, mostra que também há riscos: até os próprios participantes já sentem que estão fazendo hora extra dentro da casa.
A atual edição, inclusive, deve chegar aos 103 dias de duração --considerando o pré-confinamento nas casas de vidro. São mais de três meses acompanhando a vida alheia 24 horas por dia, em uma maratona que não desgasta apenas o apresentador Tadeu Schmidt e a equipe nos bastidores, mas também testa a paciência do próprio telespectador.
Uma das favoritas ao prêmio até aqui, Ana Paula Renault tem trabalhado praticamente numa escala 7x0 para movimentar o reality show. Até ela demonstrou sinais de cansaço, ainda que tenha ganhado um gás extra após a resposta que esperava do público com a eliminação de Babu Santana.
Os próprios brothers já têm sintomas claros de esgotamento e mal se suportam dentro da casa --o que, em tese, favorece o aumento dos conflitos. O problema é que esse desgaste cobra seu preço: as discussões perdem força, ficam mais rasas e menos interessantes. No fim das contas, uma briga entre Gabriela Saporito e Marciele Albuquerque empolga tanto quanto um jogo arrastado da Série D.
A atual edição já está no dia 71 --ou 74, se entrar na conta o pré-confinamento da casa de vidro. Ou seja: já superou toda a duração do BBB 1. A primeira temporada terminou com 64 dias de confinamento, com Kleber Bambam à beira de um colapso, chorando por causa de uma boneca feita de sucata (um beijo, Maria Eugênia).
A duração do BBB 26 é 61% maior do que a da primeira edição: um salto que, por um lado, reflete o sucesso do formato, mas, por outro, sugere que a Globo tem espremido ao máximo um de seus produtos mais valiosos.
No fundo, a temporada aponta para uma questão que já vinha se desenhando há anos: alongar demais o jogo não necessariamente o torna melhor. Pelo contrário, dilui conflitos, esgota participantes e transforma o que antes era intenso em algo repetitivo.
Se no passado 64 dias eram suficientes para levar um campeão ao limite emocional, hoje 100 parecem servir mais para preencher a grade do que para sustentar uma narrativa interessante. No fim das contas, o reality continua no ar --mas o jogo, muitas vezes, já terminou bem antes disso.
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