A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
CALÇADÃO DE CURICICA
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Samira Sagr no BBB 26: até votação foi antecipada em prol de prova patrocinada no domingo (15)
Para um público que já aprendeu a driblar anúncios, seja ao dar play em um vídeo no YouTube, seja ao abrir uma reportagem, o BBB 26 parece ter pesado a mão. A edição diária dedica mais tempo às dinâmicas patrocinadas do que ao próprio jogo, a ponto de a votação de domingo (15) ter sido tirada do ao vivo para acomodar um resumo da festa do dia anterior e a Prova Bate e Volta --bancadas, é claro, por duas marca patrocinadoras.
Essa não é a primeira vez que o reality é criticado por ter virado uma espécie de "Shoptime com paredão". Até mesmo o Jogo da Discórdia foi substituído por uma versão mais light, o Sincerão, de olho no engajamento das marcas.
O interesse da Globo é compreensível --afinal, o lucro do BBB 26 está na casa do bilhão. Em outubro do ano passado, o Meio & Mensagem já estimava que a atual temporada levantaria nada menos do que R$ 1,35 bi com 14 cotas de patrocínio, além de outras seis ligadas às dinâmicas do confinamento.
A emissora talvez não esperasse que a edição fosse bem mais movimentada do que nos últimos anos, com direito até aqui a três expulsões, uma desistência e um participante retirado por questões médicas.
Com tantas tretas em ebulição, o tempo reservado à edição diária na TV aberta já se mostra insuficiente até para dar conta dos desdobramentos do próprio jogo. Que dirá, então, para acomodar as inúmeras inserções publicitárias --submetidas a regras rígidas, com minutagem cronometrada, exposição obrigatória de marca e outros protocolos comerciais.
Não à toa, o público não para de reclamar nas redes. "Eu ia assistir ao BBB, mas tendo 40 minutos de duração, com certeza vai ter 30 de merchan", escreveu Ludy no X. "Assistir a esse BBB no vivo está um saco. Toda hora uma publi e quase nada do que está acontecendo na casa", completou Juan.
No fim das contas, o BBB 26 vive um paradoxo: quanto mais lucrativo e disputado comercialmente se torna, maior é o risco de diluir justamente o elemento que sustenta sua relevância: o jogo.
Se a balança seguir pendendo para o lado das ações de marca, a Globo pode até manter o faturamento nas alturas, mas corre o risco de ver o engajamento orgânico do público escorrer pelos dedos, sufocado entre uma treta e outra --e um intervalo patrocinado a mais.
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