A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
FIQUE DE OLHO
REPRODUÇÃO/TV GLOBO, INSTAGRAM E SBT

Os narradores Everaldo Marques, da Globo; Luis Felipe Freitas, da CazéTV; e Galvão Bueno, do SBT
Um dado do Ibope no próximo jogo do Brasil, que enfrenta o Haiti nesta sexta (19), deve mostrar com mais clareza os efeitos da disputa entre Globo, SBT e CazéTV pelo público: o share. Trata-se do índice que mede a fatia de televisores ligados sintonizada em uma atração. Uma variação positiva significativa na TV aberta pode indicar que o delay incomodou parte dos torcedores que acompanharam o empate com Marrocos pelo streaming --e ajudou a empurrar esse público de volta para a transmissão tradicional.
O share funciona como uma "fatia de bolo" dentro do universo de TVs ligadas naquele horário. No primeiro jogo do Brasil, a Globo teve 51% de share --ou seja, de cada 100 televisores ligados, 51 estavam sintonizados na emissora. O SBT marcou 11%, o equivalente a 11 de cada 100 TVs ligadas.
Hoje, o Ibope também mede o consumo de streaming, mas esses dados costumam ser divulgados de forma agregada, e não necessariamente por plataforma ou por transmissão específica. Em dezembro de 2025, por exemplo, o streaming respondeu por 37,2% do consumo total de vídeo no Brasil. Dentro desse universo, o YouTube --plataforma que abriga as transmissões da CazéTV-- teve 21,6%.
Um número significativo, mas ainda abaixo da TV aberta que, na mesma base de comparação, concentrou 55,8% desse consumo.
Uma mudança significativa no share da Globo e do SBT será um forte indício de alteração no comportamento do público. Se a TV aberta crescer, pode ser um sinal de que parte dos torcedores se irritou com o delay do streaming e preferiu voltar à transmissão tradicional. Se ela perder participação, o movimento pode indicar um avanço da CazéTV.
É claro que se trata apenas de uma inferência, já que os dados divulgados hoje não permitem uma comparação direta entre CazéTV, Globo e SBT. Muita gente nas redes sociais tem dito que a CazéTV incomoda a Globo na audiência, mas essa leitura é bastante questionável do ponto de vista estatístico. O incômodo, por ora, parece estar muito mais no campo mercadológico --como a fatia que cada empresa tem conseguido disputar no mercado publicitário-- do que em uma ameaça comprovada nos números de audiência.
Os pontos de audiência correspondem ao chamado rating. Nesse cálculo, 1,0 ponto representa 1% do universo analisado pelo Ibope. Na Grande São Paulo, essa fatia hoje equivale a 78.780 domicílios e 199.623 indivíduos --mas os números são reajustados a cada ano.
Ou seja, a audiência da TV aberta parte de uma amostra: um grupo de domicílios monitorados pela medidora, dentro de uma região específica, ou do PNT (Painel Nacional de Televisão), que reúne as 15 praças aferidas.
Os números divulgados pela CazéTV, por outro lado, costumam ser apresentados como totais ou absolutos. Além de terem natureza diferente, eles também abrangem mercados que não entram da mesma maneira na medição tradicional do Ibope --como um telespectador que assiste à transmissão de Boa Vista ou de Maceió, por exemplo.
Essa diferença metodológica impede uma comparação direta entre os dados e exige um malabarismo de cálculos que pode gerar grandes distorções.
Ainda assim, fontes ouvidas pelo Notícias da TV no mercado afirmam que é praticamente "impossível" que a CazéTV tenha hoje mais público do que a Globo --e, provavelmente, até mesmo do que o SBT.
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