NOVOS HÁBITOS

Nem a Globo escapa: Streaming já é mais visto que a TV aberta no final de semana

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Marcos Mion de cabelo e barba grisalhos segura um microfone com a mão direita e abre o braço esquerdo enquanto olha para a frente com expressão compreensiva. Veste camisão marrom sobre camiseta preta; ao fundo, cenário de estúdio com iluminação rosa e azul

Marcos Mion à frente do Caldeirão: hábito do público está mudando cada vez mais rápido em SP

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 4/8/2026 - 9h00

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Não há dúvidas de que nem mesmo a Globo, acostumada a liderar de ponta a ponta na Grande São Paulo, está imune aos sufocos de fim de semana. Hoje, novidades como o Em Família com Eliana sofrem para encontrar seu público, enquanto atrações consolidadas, como o Fantástico e o Domingão com Huck, perdem cada vez mais espaço na TV da sala --disputando a atenção diretamente com o streaming.

Dados obtidos pelo Notícias da TV mostram que o consumo de conteúdo sem referência --categoria que reúne plataformas de vídeo e streaming-- dispara nos fins de semana. No sábado (1º), a soma de todas essas plataformas (10,1 pontos), incluindo o YouTube, superou até mesmo a Globo (9,2 pontos) na média de audiência das 24 horas (das 6h às 5h59 do dia seguinte).

O streaming ainda teve mais telespectadores do que a líder na TV aberta pela manhã (6,5 x 6,1), pela tarde (12,7 x 10,2) e durante a madrugada (6,2 x 4,3).

A Globo, por sua vez, superou esses conteúdos no horário nobre por uma diferença de 1,2 ponto (16,2 x 15,0), o que representaria quase 300 mil pessoas na capital paulista. Essa audiência veio principalmente de produtos de maior tradição, como as novelas:

  • A Nobreza do Amor: 16,6 pontos x 15,2 pontos do streaming;
  • SP2: 18,1 pontos x 15,2 do streaming;
  • Coração Acelerado: 19,1 pontos x 15,2 pontos do streaming;
  • Jornal Nacional: 20,1 pontos x 16,0 pontos do streaming;
  • Quem Ama Cuida: 20,1 pontos x 16,0 pontos do streaming;

A partir do Altas Horas (11,7 x 14,1) a Globo voltou a ser superada pela soma dos telespectadores que escolheu algum desses conteúdos sem referência.

Vale ressaltar que isso não significa que a emissora tenha ficado em segundo lugar em São Paulo, mas sim que o streaming, em seu conjunto --isto é, a soma de múltiplas plataformas--, tornou-se uma escolha constante do público.

E no domingo?

O conjunto de TV e vídeo sem referência também supera separadamente cada emissora aberta no domingo, com menor vantagem em relação à Globo (10,9 x 8,0). Essa diferença é menor pela manhã, quando a emissora abre oito décimos (7,1 x 6,3); e maior à noite, momento em que o streaming mantém uma frente de 5,4 pontos (17,5 x 12,1).

Também são produtos tradicionais que seguram a onda frente às novas telas:

  • Santa Missa em Seu Lar: 3,7 x 3,0;
  • Antena Paulista: 5,2 x 4,0;
  • Auto Esporte: 6,7 x 4,5;
  • Globo Rural: 9,4 x 6,7;
  • Viver Sertanejo: 9,0 x 8,4;

A partir do Esporte Espetacular (7,7 x 10,8), a soma do streaming passa a representar a maior fatia no Ibope, superando até mesmo o Domingão com Huck (11,3 x 18,1) e o Fantástico (14,0 x 18,0).

Mas por que isso acontece?

A TV aberta é muito ligada ao hábito, o que explica os números maiores durante a semana, em que há uma rotina melhor delimitada. Durante o final de semana, o telespectador tem um grau maior de liberdade e flexibilidade, aparentemente optando por ver o que deseja na hora que quer --o que dificulta, e muito, a vida das emissoras com a sua programação linear.

Como convencer o espectador a ficar para ver o Em Família com Eliana se ele pode escolher algo que lhe agrade mais na própria TV? Hoje, já não basta mais o apuro técnico, mas ser capaz de mobilizar a atenção --como o futebol faz, apesar de ele também ter sido superado pelo streaming no domingo.


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