QUE SOFRÊNCIA
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

João Raul (Felipe Bragança) em Coração Acelerado: novela teve semana inicial difícil no Ibope
A estreia de Coração Acelerado foi uma baita surpresa --negativa, é verdade-- para quem acompanha de perto os números da Kantar Ibope. Na Grande São Paulo, que é a maior praça do país, a produção não emplacou logo de cara: acabou registrando a pior primeira semana para uma novela das sete desde a retomada das tramas inéditas ainda durante a pandemia de Covid-19.
O resultado é realmente de cair o queixo: afinal, Dona de Mim (2025) levantou a faixa, com a maior audiência na média geral em três anos. Além disso, a história com um toque de música sertaneja parecia ir ao encontro ao gosto do brasileiro.
A pesquisa Brasil no Espelho, feita pela Quaest a partir de uma encomenda da própria Globo, mostrou que o sertanejo é o ritmo mais ouvido do país. Essa popularidade, entretanto, não se transformou em pontos de Ibope.
Mas, afinal, por que Coração Acelerado teve esse tropeço logo de cara? Um dos principais pontos é que, até aqui, a história é muito fraca. Um conto de fadas até bem intencionado, mas que mais parece uma novela vertical do que um folhetim para a TV: afinal, a trama é tão rápida, picotada e mal desenvolvida que, se piscar, o público mal entende quais são as motivações dos personagens.
João Raul (Filipe Bragança) se sente preso a um contrato e quer deixar de ser o "mozão do Brasil" para cantar sertanejo raiz. Uma questão que talvez fosse melhor colocada se a trama se passasse nos anos 1990, mas difícil de engolir em 2026.
Afinal, os maiores artistas do sertanejo são conhecidos justamente por ir desde um modão mais romântico, tradicional, até um hit feito para o TikTok. De Gusttavo Lima, passando por Michel Teló e Cristiano Araújo (1986-2015), todos tem um hit chiclete, mas também uma canção bem mais raiz --numa movimento facilitado justamente pelas redes sociais e as plataformas de streaming.
A parte mais crível é a relação com Ronei (Thomás Aquino), o empresário inescrupuloso, mas que também parece uma colagem de personagens de Rock Story (2017). No fundo, João Raul é um Léo Régis (Rafael Vitti) que está se levando a sério demais.
A paixão de Agrado (Isadora Cruz) pelo cantor também foi construída na pressa, em que uma música e as medalhistas trocadas os aproximaram. E só. Detalhes que deveriam ter sido melhor trabalhados, até porque novela exige algum grau de reiteração --Walcyr Carrasco que o diga, já que essa é uma das suas principais marcas.
O sertanejo obviamente é um ótimo filão, mas às vezes ficou parecendo que Coração Acelerado se apegou apenas a isso. A questão é que o ritmo até ajuda, mas o produto precisa ser bem desenhado também --o Viver Sertanejo, por exemplo, vê essa qualidade se transformar em audiência nos domingos de manhã da Globo.
O mesmo com Rensga Hits! (2022-2025), que teve uma primeira temporada muito inspirada, mas depois acabou se perdendo. Apostar em um tema popular não assegura, por si só, audiência. O sertanejo continua forte, e Coração Acelerado tem sim um potencial e pode até surpreender no futuro --precisa, contudo, ser mais novelão e menos novelinha para reverter o resultado inicial e enfim crescer no Ibope.
Leia também -> Resumo dos próximos capítulos da novela Coração Acelerado
Coração Acelerado é ambientada na fictícia cidade de Bom Retorno, no Estado de Goiás. O folhetim conta com direção artística de Carlos Araújo. No elenco, estão Isadora Cruz, Filipe Bragança, Leticia Spiller, Leandra Leal, Antonio Calloni, entre outros nomes.
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