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ANÁLISE

Psicóloga aponta autocrítica excessiva em falas de Chaiany no BBB 26

REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

Foto do rosto de Chaiany

Chaiany Andrade no BBB 26; a sister é integrante do grupo Pipoca no programa de confinamento

GABRIELA RODRIGUES

gaby@noticiasdatv.com

Publicado em 1/3/2026 - 12h00

Desde que entrou no BBB 26, Chaiany Andrade tem feito comentários depreciativos sobre si mesma. A postura chamou a atenção do público e até mesmo do apresentador Tadeu Schmidt, que chegou a alertá-la após ela se definir como "burra" durante uma Prova do Líder. 

Ao Notícias da TV, a psicóloga comportamental Leticia de Oliveira explica que a jovem apresenta um quadro de autocrítica excessiva, padrão que costuma estar ligado a crenças centrais negativas sobre si mesma --ideias profundas e, às vezes, antigas de não ser boa o bastante nem merecer reconhecimento.

"Esse tipo de discurso pode indicar baixa autoestima, insegurança emocional e, em alguns casos, experiências prévias de crítica intensa, comparação constante ou invalidação. Muitas vezes, a pessoa aprendeu a falar consigo dessa forma porque, em algum momento da vida, ouviu esse tipo de mensagem repetidamente", comenta a especialista. 

Com o tempo, essa fala pode se tornar um padrão automático de pensamento. Na terapia cognitivo-comportamental, chamamos isso de 'pensamentos automáticos negativos'. Eles surgem quase sem filtro, como se fossem verdades absolutas, e passam a moldar emoções e comportamentos.

Para a psicóloga, o fato de Chaiany estar confinada em um programa como o Big Brother Brasil pode intensificar as falas autodepreciativas, já que o confinamento gera privação de rotina, afastamento da rede de apoio, alteração do sono e exposição constante a conflitos.

"Tudo isso aumenta o estresse emocional. A pressão das câmeras, o medo do julgamento externo e a consciência de que milhões de pessoas estão assistindo tendem a ampliar a autocrítica. A pessoa pode começar a monitorar excessivamente cada fala e cada atitude, o que aumenta a ansiedade e o medo de errar. Além disso, as comparações são inevitáveis."

Em um ambiente competitivo, em que habilidades, carisma e popularidade estão em evidência, comparar-se constantemente pode reforçar sentimentos de inferioridade, especialmente em quem já tem uma base emocional fragilizada.

"A curto prazo, esse tipo de fala pode gerar tristeza, ansiedade, culpa e isolamento. A pessoa pode começar a se retrair, falar menos ou evitar se posicionar por medo de errar. A longo prazo, se esse padrão se mantém, pode contribuir para quadros de baixa autoestima crônica, sintomas depressivos e dificuldade de reconhecer as próprias qualidades", alerta Leticia.

A especialista explica que o comportamento de Chaiany pode inclusive prejudicá-la na disputa pelo prêmio em dinheiro. "Esse tipo de discurso pode influenciar a forma como os outros tratam a pessoa. Alguns podem reagir com acolhimento, mas outros podem, consciente ou inconscientemente, passar a enxergá-la como menos confiante ou menos capaz, o que pode impactar dinâmicas de liderança e alianças", observa. 

Tratamento 

Recentemente, a família de Chaiany revelou que pretende buscar apoio profissional para ajudar a jovem com sua questão envolvendo a falta de confiança e a repetição de falas depreciativas.

"Em situações assim, o acompanhamento psicológico é altamente indicado. A psicoterapia ajuda a identificar as crenças negativas, a questionar sua veracidade e a construir uma narrativa interna mais saudável e realista. O acompanhamento profissional ajuda a pessoa a ressignificar a forma como se enxerga", diz a especialista. 

Trabalhamos o fortalecimento da autoestima, a autocompaixão e a substituição da autocrítica destrutiva por uma autocrítica construtiva, aquela que reconhece erros sem atacar a identidade. Familiares e pessoas próximas podem ajudar validando sentimentos sem reforçar o rótulo negativo.

"Em vez de dizer apenas 'não fale isso', é mais efetivo dizer: 'Eu percebo que você está se sentindo insegura, mas isso não define quem você é'. Incentivar a busca por ajuda profissional também é uma forma de cuidado. No fundo, quando alguém se desqualifica repetidamente, geralmente não está buscando atenção, está expressando dor. E a dor emocional precisa de escuta, acolhimento e, muitas vezes, acompanhamento especializado", completa.


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