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MÉDICO EXPLICA
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Luiza Zveiter em foto compartilhada no Instagram; a jornalista é contratada da Globo
A repórter Luiza Zveiter, da Globo, revelou ter perdido alguns dentes após uma cirurgia bariátrica feita aos 18 anos. Depois do procedimento, a jornalista passou a apresentar episódios frequentes de vômitos, que provocaram a erosão do esmalte dentário e favoreceram a perda dos dentes.
Em entrevista ao Notícias da TV, o gastroenterologista e proctologista Jacques Matone explica que a cirurgia bariátrica, por si só, não provoca a perda dos dentes. Segundo ele, complicações no pós-operatório, como vômitos persistentes e deficiências nutricionais, podem favorecer problemas bucais.
"A exposição repetida dos dentes ao ácido do estômago pode causar erosão importante do esmalte dentário, aumentando o risco de cáries, fraturas e perda dental. Além disso, alguns pacientes podem desenvolver deficiências nutricionais, especialmente de cálcio, vitamina D, vitaminas do complexo B e proteínas, caso não façam a suplementação corretamente", diz.
"Essas deficiências podem comprometer a saúde das gengivas e do osso que sustentam os dentes, mas geralmente não são a causa isolada da perda dentária. Na maioria das vezes, o problema resulta da associação entre vômitos persistentes, má nutrição e, às vezes, até higiene bucal inadequada", continua o especialista.
Além dos problemas dentários, os vômitos persistentes podem causar outras complicações clínicas, entre elas desidratação, alterações dos eletrólitos (minerais essenciais presentes no corpo), como redução de potássio, deficiência de vitaminas, desnutrição proteico-calórica, perda excessiva de massa muscular, anemia e comprometimento da saúde óssea.
Nos casos mais graves, pode ocorrer deficiência de vitamina B1, que é a tiamina, levando a alterações neurológicas, potencialmente até irreversíveis, além de insuficiência renal decorrente da desidratação. Portanto, vômitos recorrentes nunca devem ser encarados como uma consequência normal da cirurgia bariátrica.
Matone afrima que a cirurgia bariátrica é uma ferramenta extremamente eficaz no tratamento da obesidade e das doenças metabólicas, mas ressalta que os melhores resultados dependem do acompanhamento contínuo e da adesão às mudanças no estilo de vida.
"O procedimento tem critérios médicos bem estabelecidos. De forma geral, é indicada para pacientes com IMC igual ou superior a 40 kg/m², independentemente de outras doenças, ou para aqueles com IMC a partir de 35 kg/m², que apresentem doenças relacionadas à obesidade, que são as comorbidades da obesidade, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, doença hepática gordurosa, problemas articulares importantes e outros", explica.
Segundo o especialista, o sucesso da cirurgia depende tanto do que acontece durante o procedimento quanto do comprometimento do paciente:
É fundamental seguir rigorosamente as orientações nutricionais, mastigar bem os alimentos, evitar comer rapidamente, respeitar os volumes recomendados e manter a hidratação sempre adequada.
"Também é indispensável utilizar corretamente as suplementações vitamínicas e minerais prescritas, realizar exames periódicos, manter atividade física regular e comparecer às consultas de acompanhamento com a equipe multidisciplinar. Além disso, sintomas como vômitos persistentes, dificuldade para engolir, dor abdominal intensa, febre ou perda excessiva de peso devem motivar avaliação médica imediata", alerta.
O especialista destaca ainda que, como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia bariátrica apresenta riscos, embora atualmente seja considerada bastante segura quando realizada por equipes experientes e em pacientes adequadamente selecionados.
"As complicações precoces incluem sangramento, infecção, trombose venosa, embolia pulmonar e fístulas, que representam uma das complicações mais graves. No longo prazo, podem ocorrer deficiência de vitaminas e minerais, anemia, hérnias internas, estenoses, úlceras, cálculos na vesícula biliar, hipoglicemia tardia e recuperação parcial do peso, caso o paciente não mantenha mudanças sustentáveis do estilo de vida. E a maioria dessas complicações pode ser prevenida ou tratada com acompanhamento multidisciplinar adequado", completa.
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