MÉDICO EXPLICA

Otaviano pode voltar à Dança dos Famosos? Entenda lesão do apresentador

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Foto do rosto do apresentador Otaviano Costa

Otaviano Costa durante o quadro Dança dos Famosos; o apresentador sofreu uma lesão nos ensaios

REDAÇÃO

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Publicado em 24/8/2026 - 16h39

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Otaviano Costa ficou de fora da primeira apresentação de seu grupo na Dança dos Famosos. A ausência do apresentador se deu após ele sofrer um estiramento na panturrilha, e a previsão é que ele retorne ao quadro do Domingão com Huck depois de um breve processo de recuperação. Segundo o ortopedista Thiago Tronco Salerno, o comunicador pode, sim, voltar a dançar, mas não é possível afirmar que uma nova lesão não acontecerá. 

Ao Notícias da TV, o especialista explica com mais detalhes a condição do marido de Flávia Alessandra e como funciona o tratamento. "O estiramento muscular é uma ruptura das fibras na região do ventre muscular que não acomete sua totalidade e não há prejuízo completo da função", inicia. 

"Ele é diferente de uma ruptura de alto grau, no qual mais de 50% da área muscular é comprometida, e de uma ruptura do tendão. Esses dois exemplos são mais graves e têm tratamentos que podem necessitar de cirurgia. No caso da panturrilha, o estiramento é do tríceps sural, que é o conjunto de três ventres musculares: dois gastrocnêmios (cabeça medial e lateral) e mais profundamente o sóleo", continua. 

De acordo com Salerno, alguns fatores podem aumentar o risco desse tipo de lesão, como idade avançada, lesão prévia na região da panturrilha, esforço físico intenso sem preparo adequado e contrações intensas. 

É importante ressaltar que a lesão pode ocorrer gradualmente ou subitamente e pode ser percebida pelo paciente como um desconforto leve, moderado ou até uma dor muito intensa. A intensidade da dor percebida no primeiro momento não está diretamente relacionada ao grau da lesão, mas a redução da dor durante o acompanhamento é um importante parâmetro para programar o final da reabilitação.

Salerno explica que existem diferentes classificações científicas para os estiramentos, dividindo as lesões em "graus". Segundo ele, a variedade e a divergência entre alguns consensos e subdivisões podem dificultar o entendimento, mas a classificação mais simples e clássica considera as lesões de grau um a três, levando em conta principalmente aspectos clínicos, e não apenas os resultados dos exames de imagem. 

  • Grau 1 (leve): lesão de poucas fibras, dor e perda de força leves, movimento articular normal, sem hematoma/equimose percebidos na pele e edema pequeno ou nenhum.
  • Grau 2 (moderada): lesão de mais fibras -- classificação que não é perfeitamente precisa, mas corresponde geralmente a menos de 30% do músculo --, a dor costuma ser mais intensa, há perda de força, é comum e mais perceptível a presença de alterações na pele, o paciente costuma mancar ou proteger o lado afetado, ficar na ponta dos pés costuma ser mais difícil e provocar dor.
  • Grau 3 (grave): é a ruptura que compromete de 50% a 100% das fibras do músculo, costuma causar dor intensa e súbita, pode ser sentida como pancada ou pedrada, há perda funcional (total ou subtotal) da musculatura, dificuldade ou incapacidade de apoiar o peso na perna afetada, geralmente é possível perceber a falha muscular no local da ruptura, e as alterações da pele costumam ser mais evidentes e maiores.

Identificação e recuperação 

É possível identificar a gravidade do estiramento tanto pelos sintomas e aspecto clínico quanto pelo padrão de lesão nos exames complementares. A ultrassonografia pode ser útil, enquanto a ressonância magnética é considerada o melhor exame para essa avaliação. 

"Lesões moderadas ou menores costumam levar menos de um mês para reabilitação, mas esse tempo pode ser maior ou menor dependendo de uma série de fatores", diz o especialista.

Entre os fatores que podem acelerar a recuperação estão ser jovem, não ter histórico de lesão no local, ter nutrição adequada, iniciar precocemente a reabilitação, com fisioterapia e movimentação, além da aplicação de gelo e terapias para controle da dor local. 

"Já entre os fatores que atrasam a recuperação estão a idade avançada, lesão da aponeurose (identificada na ressonância), histórico de lesão prévia no local, não realizar tratamento específico para controle da dor e para preparo muscular antes do retorno à atividade", alerta Salerno. 

Retorno à atividade física 

O médico explica que atividades físicas que sobrecarregam a musculatura devem ser suspensas até a completa recuperação da região afetada. No caso de Otaviano Costa, o retorno à Dança dos Famosos deve ser acompanhado de alguns cuidados.

"Dor persistente, falta de força e dificuldade em alguns movimentos da atividade podem apontar que a panturrilha ainda não está 'pronta'", diz. 

"Além disso, existe, sim, o risco de uma nova lesão, principalmente em casos de ausência de reabilitação e presença de fatores biológicos de risco, como endocrinopatias, idade avançada, má nutrição e estímulo regenerativo pobre", acrescenta.


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