Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
X
Instagram
Youtube
Pesquisar

Buscar

GIULIA COSTA

O que é dermatilomania? Entenda o transtorno da filha de Flávia Alessandra

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Foto mostra Flávia Alessandra e Giulia Costa

Flávia Alessandra e Giulia Costa em registro no Instagram; a atriz é mãe da produtora de conteúdo

GABRIELA RODRIGUES

gaby@noticiasdatv.com

Publicado em 24/2/2026 - 16h00

Giulia Costa, filha da atriz Flávia Alessandra, revelou que sofre com dermatilomania. A condição, também conhecida como transtorno de escoriação, leva o paciente a manipular ou machucar a própria pele, provocando feridas e cicatrizes. "É um quadro que envolve sofrimento psíquico e dificuldade de controle do impulso", explica a psicóloga comportamental Leticia de Oliveira.

O Notícias da TV consultou dois especialistas para entender o diagnóstico. Segundo Gustavo Saczk, médico dermatologista, as causas são multifatoriais e geralmente envolvem fatores emocionais, como ansiedade, estresse e tensão, além de traços obsessivo-compulsivos, depressão e, em alguns casos, gatilhos dermatológicos reais --como acne ou pequenas imperfeições-- que levam o paciente a iniciar a manipulação da pele.

"Na acne comum, observamos lesões em diferentes estágios evolutivos (comedões, pápulas, pústulas) distribuídas de forma característica e simétrica. Já na dermatilomania, as lesões costumam ter formato irregular, aspecto de escoriação, crostas espessas e distribuição atípica", diz Saczk.

Outro ponto importante é que, muitas vezes, não há lesão primária significativa que justifique o grau de ferimento observado. A presença de marcas lineares ou escavações superficiais sugere manipulação externa.

As áreas do corpo mais afetadas pela dermatilomania costumam ser aquelas de fácil acesso e mais visíveis, como o rosto, principalmente a região mandibular e as bochechas, o couro cabeludo, os braços, o dorso e as pernas.

A manipulação recorrente pode causar, a curto prazo, inflamação, dor, sangramento, formação de crostas e aumento do risco de infecções. Já a longo prazo, o comportamento pode resultar em hiperpigmentação pós-inflamatória, cicatrizes atróficas ou hipertróficas, manchas permanentes e espessamento da pele, conhecido como liquenificação. "O impacto estético pode agravar o sofrimento emocional", alerta o especialista.

"Existe risco real de infecção. Ao romper a barreira cutânea, o paciente facilita a entrada de bactérias, principalmente da Staphylococcus aureus. Isso pode evoluir para impetigo, foliculite, abscessos e, em casos mais raros, celulite infecciosa", continua o dermatologista. 

O tratamento dermatológico da dermatilomania pode incluir diferentes ativos e procedimentos para acelerar a cicatrização e reduzir os danos à pele, de acordo com o estágio das lesões.

Entre as opções, estão produtos com pantenol e ácido hialurônico, que ajudam na reparação da barreira cutânea, além do ácido azelaico, indicado para o controle da inflamação e das manchas. Em fases mais avançadas da recuperação, também podem ser utilizados retinoides tópicos, voltados à remodelação da pele, e procedimentos como laser ou microagulhamento para o tratamento de cicatrizes já estabelecidas.

"Muitas vezes fazemos o tratamento em conjunto com psicólogo ou psiquiatra, já que a dermatilomania é considerada um transtorno relacionado ao espectro obsessivo-compulsivo", destaca. 

Há cura? 

A psicóloga Leticia de Oliveira explica que o avanço do tratamento contra o transtorno vai depender do paciente. "Prefiro falar em remissão e manejo saudável. Muitas pessoas conseguem passar longos períodos sem episódios ou com episódios muito raros. Em alguns casos, há remissão completa."

"Como envolve regulação emocional, momentos de maior estresse podem reativar o comportamento. Por isso, trabalhamos com o desenvolvimento de recursos internos, não apenas supressão do sintoma", continua. 

"Se tratarmos apenas a pele com dermatologista, as lesões podem melhorar temporariamente, mas o comportamento tende a migrar para outra área do corpo ou retornar."

Segundo a especialista, no acompanhamento psicológico, o tratamento busca reduzir os episódios a partir da compreensão dos gatilhos emocionais e do desenvolvimento de estratégias de controle do impulso.

Entre as abordagens mais usadas estão a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o treinamento de reversão de hábito, a identificação e o registro dos gatilhos, além de técnicas de regulação emocional e práticas de mindfulness.

Também são adotadas estratégias de substituição do comportamento, como apertar objetos ou usar anéis giratórios, e a orientação para cuidados com a pele sem foco obsessivo. "O objetivo não é apenas 'parar de mexer', mas entender o que o comportamento está regulando emocionalmente", diz.

O fato de Giulia Costa ser famosa e ter grande exposição nas redes sociais pode influenciar no processo de tratamento. "Agenda intensa, críticas na internet e exposição constante aumentam ansiedade, um dos principais gatilhos do transtorno. Por outro lado, quando uma pessoa pública compartilha a sua experiência, isso pode reduzir estigma e facilitar o reconhecimento do problema por outras pessoas", finaliza. 


Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.