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ENTENDA!

O que é câncer no intestino? Médico explica diagnóstico de Chico Pinheiro

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Foto mostra Chico Pinheiro durante o Bom Dia Brasil; ele veste terno preto, camiseta branca e gravata azul

Chico Pinheiro durante o Bom Dia Brasil, na Globo; o jornalista foi diagnosticado com câncer

GABRIELA RODRIGUES

gaby@noticiasdatv.com

Publicado em 12/5/2026 - 17h36

Ex-contratado da Globo, o jornalista Chico Pinheiro revelou ter sido diagnosticado com câncer no intestino. Segundo o cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes, a doença é caracterizada pelo desenvolvimento de um tumor no intestino grosso, que inclui o cólon e o reto.

Ao Notícias da TV, o especialista, que é presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), fala com mais detalhes sobre a condição de Pinheiro, revelada recentemente pelo próprio apresentador durante seu programa no portal ICL Notícias.

"O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, é um tumor que se desenvolve principalmente no intestino grosso, que inclui o cólon e o reto. Na maior parte dos casos, ele surge a partir de pólipos, que são pequenas lesões benignas na parede interna do intestino. Com o passar dos anos, alguns desses pólipos podem sofrer alterações celulares progressivas e se transformar em câncer", explica Fernandes à reportagem. 

De acordo com o cirurgião, os principais sinais de alerta são a presença de sangue nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, como diarreia ou constipação que não melhoram, dor ou desconforto abdominal, além de sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem causa aparente, anemia e fraqueza.

Um ponto importante é que o câncer de intestino pode ser silencioso nas fases iniciais. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes a doença já está em fase mais avançada. Por isso, não se deve esperar o aparecimento de sintomas para fazer prevenção. Sangramento nas fezes, mesmo que eventual, nunca deve ser considerado 'normal' sem avaliação médica.

"A colonoscopia permite identificar e retirar pólipos antes que eles evoluam para câncer, além de diagnosticar tumores em fases iniciais, quando as chances de cura são muito maiores. Assim o câncer colorretal é tratável e, quando detectado precocemente, costuma ser curável", continua. 

O especialista aponta que os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença incluem idade acima de 45 a 50 anos, histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos intestinais, síndromes hereditárias e doença inflamatória intestinal. 

Obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e uma dieta rica em carnes processadas, carnes vermelhas e alimentos ultraprocessados também elevam as chances de surgimento do câncer no intestino. 

É importante destacar que temos observado aumento proporcional de casos em pessoas mais jovens. Isso não significa que todos devam fazer exames indiscriminadamente fora das indicações, mas reforça que sintomas persistentes em adultos jovens também precisam ser investigados. 

Tratamento

Segundo o cirurgião, o tratamento da doença depende da localização do tumor (cólon ou reto), além das condições clínicas do paciente e de características moleculares do tumor. "De forma geral, pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo em situações específicas", diz.

Na maioria dos tumores localizados do cólon, a cirurgia é o principal tratamento com intenção curativa. Em tumores de reto, muitas vezes é necessário combinar radioterapia e quimioterapia antes da cirurgia, especialmente quando há risco de comprometimento local.

"Em alguns casos muito selecionados de câncer de reto com excelente resposta ao tratamento inicial, pode-se discutir uma estratégia de acompanhamento rigoroso sem cirurgia imediata, conhecida como watch and wait [observar e esperar], mas isso exige equipe especializada e critérios muito bem definidos."

"O câncer de intestino pode ter cura, principalmente quando diagnosticado em fases iniciais. As chances dependem do estágio da doença, da presença ou não de metástases, da possibilidade de retirada completa do tumor, da resposta à quimioterapia ou à radioterapia quando indicadas, e das condições clínicas do paciente", acrescenta. 

Uso da influência 

O especialista ainda destaca a importância de personalidades como Chico Pinheiro falarem sobre questões como o câncer de intestino. "Quando uma figura pública fala abertamente sobre o diagnóstico, isso ajuda a reduzir o medo, o estigma e a desinformação", comenta. 

Muitas pessoas deixam de fazer colonoscopia por constrangimento, receio do preparo ou por acharem que, na ausência de sintomas, não precisam se preocupar.

"Casos como esse têm um papel educativo importante porque lembram a população de que o câncer de intestino é frequente, pode ser silencioso e, ao mesmo tempo, é uma das neoplasias em que a prevenção e o diagnóstico precoce têm maior impacto. A repercussão recente do caso do Chico Pinheiro tem sido associada justamente à mensagem de que exames preventivos, especialmente colonoscopia na faixa etária adequada, são fundamentais", finaliza o especialista. 


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