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Edu Guedes em entrevista ao podcast Papagaio Falante; apresentador descobriu câncer no pâncreas
Aos 51 anos, o apresentador e chef Edu Guedes descobriu um câncer no pâncreas. Após o diagnóstico, ele foi submetido a uma cirurgia de remoção de nódulos que teve duração de seis horas. O Notícias da TV conversou com o oncologista clínico Felipe Moraes para entender com mais detalhes o diagnóstico do comunicador.
De acordo com o profissional de saúde, o tumor nesse órgão pode evoluir de maneira silenciosa, já que muitos pacientes não apresentam nenhum sinal de que algo está errado, mas isso varia de acordo com o estágio da doença.
"Em algumas circunstâncias, o câncer pode apresentar-se com sintomas já bastante importantes, como perda de peso sem causa específica, amarelecimento, que nós tecnicamente chamamos de icterícia; dores abdominais refratárias que não melhoram com analgesia habitual, dores lombares. Além disso, muitas vezes, dores nas costas podem ser a manifestação do câncer de pâncreas já em estados avançados", explica.
É importante dizer que no pâncreas podem existir diversos tipos de câncer. O câncer mais frequente, quase 90% das vezes, é uma doença grave chamada adenocarcinoma, que surge do próprio tecido pancreático.
O tratamento desse diagnóstico é feito de forma multidisciplinar, ou seja, com mais de um tipo de abordagem, que vai ser definida pelos responsáveis pelo acompanhamento de cada paciente.
Nas doenças localizadas, quando elas são ressecáveis, podem ser tiradas do paciente, eles devem ser submetidos à cirurgia, seguido ou não de quimioterapia, a depender do subtipo do câncer de pâncreas.
"Quando se trata do adenocarcinoma, que é o câncer de pâncreas mais frequente na nossa população, há necessidade de realização de quimioterapia após a cirurgia. Nos casos de adenocarcinoma, quando a doença não é ressecável (caso cirúrgico), o tratamento é paliativo na maior parte das vezes, isso inclui o uso de medicações que controlam os sintomas, fazem a doença lentificar e oferecem ao paciente mais tempo e mais qualidade de vida", acrescenta Moraes, que é líder da oncologia do aparelho digestivo do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.
O oncologista explica ainda que o câncer de pâncreas é, infelizmente, uma doença muito agressiva para o paciente, e que o desafio está em tratar o caso de maneira que exista qualidade de vida para o assistido e uma eficácia terapêutica ao longo do processo em busca da cura.
O tratamento deve ser realizado em centros de especialidades com oncologistas que estejam habituados a lidar com esse tipo de doença e com equipes interdisciplinares que conversem entre si e façam com que os tratamentos sejam todos síncronos e funcionais para resolução dos problemas do paciente.
"É possível curar o câncer de pâncreas em situações em que a doença se apresenta extremamente localizada, passível de cirurgia e que o paciente realize quimioterapia protetora e possa ter uma boa recuperação. É uma doença com alta chance de recidiva, de recaída, mesmo depois de o paciente ter sido devidamente tratado", diz Moraes.
Segundo o especialista, a melhor forma de prevenir o câncer de pâncreas é buscando um estilo de vida mais saudável --como, por exemplo, evitando quadro de obesidade, tabagismo e alcoolismo.
"Por meio dessa mudança comportamental, dessa mudança desses fatores de risco, é possível reduzir a possibilidade de que um câncer de pâncreas ocorra, embora essa mudança de hábitos e de comportamentos não impeça que a doença possa se manifestar", destaca.
"Não são conhecidos nenhum tipo de mecanismo ou método de rastreio e de prevenção para diagnóstico precoce dessa doença, como ocorre em câncer de próstata ou em câncer de mama ou câncer de colo uterino, por exemplo. Porém, felizmente, é uma doença razoavelmente rara", completa o profissional.
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