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DANI VALENTE

Histerectomia: Especialista explica procedimento feito por ex-atriz do Zorra

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Foto mostra Dani Valente em vídeo compartilhado em seu perfil do Instagram

Dani Valente em vídeo compartilhado em seu perfil do Instagram; a atriz removeu o útero

GABRIELA RODRIGUES

gaby@noticiasdatv.com

Publicado em 18/3/2026 - 16h00

A atriz Dani Valente, a Efigênia do Zorra Total (1999-2015), revelou recentemente ter passado por uma histerectomia, procedimento que consiste na retirada do útero. "Ela pode ser total ou parcial, o que nós chamamos de histerectomia subtotal. A histerectomia total inclui a retirada do corpo do útero e do colo do útero, a parte do útero que se conecta com a vagina", explica o ginecologista Alexandre Pupo Nogueira.

Ao Notícias da TV, o especialista detalha quando o procedimento é necessário e como deve ser a recuperação da paciente. Segundo ele, a cirurgia é considerada segura, mas exige cuidados no pós-operatório.

"Quando a histerectomia é subtotal, nós retiramos o corpo do útero, a parte que está para dentro da barriga, mas o colo do útero é mantido. Na subtotal, nós seccionamos o útero na transição entre o corpo --é a parte de maior volume do útero, com o colo do região, aquele tubinho final que se acopla à vagina", diz Nogueira. 

Quando nós removemos o colo do útero junto com o útero, na histerectomia total, nós temos que fazer uma incisão circular no final do órgão para soltar o colo do fundo da vagina. Nós removemos o útero, e o fundo da vagina tem que ser costurado para que ele então fique fechadinho e não tenha problemas.

"As histerectomias total e subtotal podem ser realizadas por um cortezinho na barriga, como se fosse uma cesárea, ou através de técnica minimamente invasiva, que seria por laparoscopia ou por cirurgia robótica", continua. 

Segundo o ginecologista, durante o procedimento, os médicos também podem optar por remover as trompas uterinas por uma questão de prevenção. "As trompas são responsáveis por, aproximadamente, 50% dos casos dos cânceres que chamamos, erradamente, de ovário. Atualmente, o câncer de ovário é chamado de câncer de trompa, ovário e peritônio."

A retirada dos ovários só é recomendada em conjunto com a retirada do útero e das trompas nas pacientes que estão na pós-menopausa, em situações benignas. Em situações malignas, como um câncer de endométrio, por exemplo, os ovários acabam fazendo parte do tratamento.

Causas que podem levar à remoção

De acordo com o especialista, o sangramento uterino anormal é o principal fator que pode levar à remoção do órgão. Esse sangramento normalmente é causado por alguma doença benigna do útero.

"Entre as doenças benignas mais comuns, estão os miomas, a adenomiose e, eventualmente, uma endometriose infiltrativa que invade a parede posterior do útero. Outras causas podem ser a hiperplasia do endométrio, um crescimento exagerado da camada interna do útero", explica. 

Existem também causas malignas que levam à retirada do útero, como o câncer de colo de útero, câncer de endométrio e o câncer de ovário. Mas aí são situações de doenças malignas em que a retirada do útero faz parte do processo de tratamento.

Apesar de a cirurgia ser indicada em alguns casos, o médico esclarece que há situações em que a paciente pode optar por outros tratamentos. "Nós podemos fazer uso de tratamentos hormonais para tentar controlar sangramentos e doenças relacionadas ao útero. Podemos realizar a inserção de DIU, os dispositivos intrauterinos hormonais". 

"É possível também realizar o que nós chamamos de uma ablação endometrial, em que se utiliza um equipamento chamado histeroscópio. Nós fazemos uma histeroscopia, que é um exame através da vagina e do canal do colo do útero. Você entra no útero com esse equipamento, observa e remove a camada interna do útero, que é o endométrio, para tentar controlar sangramento", diz. 

Recuperação 

O processo de recuperação pós-cirúrgico vai depender do procedimento realizado na paciente. "Se a histerectomia for subtotal, com a preservação do colo do útero, essa recuperação costuma ser rápida. De duas a três semanas, é possível voltar às suas atividades plenas, inclusive vida sexual", afirma. 

Quando a cirurgia é feita por técnica minimamente invasiva, como laparoscopia ou cirurgia robótica, a recuperação é mais rápida, menos dolorosa, e a paciente volta às atividades básicas em torno de cinco a sete dias.

"Na histerectomia total, na qual retiramos o colo do útero, normalmente, indicamos em torno de 40 a 60 dias para voltar à ginástica e à vida sexual, por conta do tempo necessário para cicatrização do fundo vaginal", acrescenta. 

Como em qualquer cirurgia, existem riscos como hemorragia e infecção, principalmente nas cirurgias abertas. Também podem ocorrer complicações menos frequentes, como lesões em órgãos próximos, como intestino, ureter ou bexiga, especialmente em pacientes que já tiveram cirurgias anteriores e possuem aderências internas.

"Via de regra, é um procedimento seguro, de baixo risco, especialmente se feito por técnica minimamente invasiva por mãos habilidosas", completa.

O especialista destaca que a retirada do útero implica o término da capacidade reprodutiva da mulher dentro do próprio corpo, mas ressalta que ela ainda pode coletar óvulos e utilizar um útero de substituição.

Muitas mulheres veem o útero apenas como um órgão reprodutor, mas outras entendem o útero como um símbolo da feminilidade e podem sofrer mais com a remoção do órgão. Por isso, é fundamental uma conversa muito transparente entre médico e paciente sobre os riscos e benefícios da cirurgia.

"Algumas mulheres podem precisar de apoio emocional ou psicológico para lidar com a perda desse órgão. A paciente deve buscar informações sobre o profissional, verificar registros nos Conselhos de Medicina e conhecer sua formação e experiência para se sentir segura em seguir com o tratamento", finaliza Nogueira. 


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