A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
MÃE DE ADRIANA
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Elisa (Isabela Garcia) recebeu o diagnóstico de fibromialgia após semanas de idas ao hospital
Em Quem Ama Cuida, a personagem Elisa (Isabela Garcia) finalmente recebeu o diagnóstico de fibromialgia após uma longa trajetória marcada por dores intensas, fadiga constante e uma sequência de idas a médicos sem respostas conclusivas. O quadro, que deve se agravar ao longo da trama, ajuda a explicar sintomas que até então eram vistos com dúvida ou com preocupação pela filha dela, Adriana (Leticia Colin).
A condição, no entanto, não é rara: a fibromialgia afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, o que representa aproximadamente 7 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. A doença também ganhou visibilidade após relatos públicos de famosos, como Lady Gaga e Morgan Freeman, que já falaram sobre conviver com os sintomas.
"Não existe exame de sangue, raio-x ou tomografia que mostre a fibromialgia. Os exames vêm normais, e por isso muita gente ouve que 'não tem nada' ou que 'é coisa da cabeça' antes de chegar ao diagnóstico certo", afirmou o reumatologista Henrique Dalmolin, do Hospital Moriah, ao Notícias da TV.
Segundo o especialista, a fibromialgia é uma doença que altera a maneira como o cérebro processa a dor. "O corpo passa a sentir dor com mais intensidade do que deveria, mesmo sem lesão aparente", explicou.
O principal sintoma é a dor difusa pelo corpo, que persiste por meses. "Junto vêm cansaço constante, sono que não descansa, dificuldade de concentração (o chamado 'nevoeiro mental') e sensibilidade ao toque, ao frio e ao barulho. Muitos pacientes também têm ansiedade e depressão", disse o especialista.
Descobrir a doença costuma ser um dos maiores desafios. "O diagnóstico é clínico. O médico avalia a história do paciente, o tempo e a distribuição da dor, e descarta outras doenças. No SUS [Sistema Único de Saúde], o caminho costuma ser mais demorado, porque a fila até o reumatologista é longa. Mas o diagnóstico não depende de tecnologia cara. Depende de um médico atento que conheça a doença", completou.
Na trama, Elisa também enfrenta crises intensas de dor e chega a ser internada, algo que pode ocorrer em casos mais graves da doença. "Crises fortes existem e são reais. Internação é menos comum, mas pode acontecer em casos graves ou quando a dor sai de controle junto com outros problemas", explicou o reumatologista.
Os pacientes descrevem sensações como queimação, peso no corpo e dor incapacitante, a ponto de atividades simples se tornarem muito difíceis.
Apesar de não ter cura, a fibromialgia pode ser controlada. "Não ter cura não significa não ter tratamento. O primeiro passo é entender a doença. Saber o que é tira o medo e muda a relação com os sintomas. A partir daí, o tratamento combina exercício físico regular, sono de qualidade, cuidado com a saúde mental e, quando necessário, medicação", disse Dalmolin.
Ele reforçou que é possível viver bem com a condição. "A maioria dos pacientes consegue controlar os sintomas e levar uma vida normal, com trabalho, família e lazer", ressaltou.
O tratamento envolve uma combinação de estratégias. "O exercício físico é o que mais funciona, principalmente atividades leves e progressivas, como caminhada, hidroginástica e musculação. Existem medicamentos que ajudam a regular a dor e o sono. E o acompanhamento psicológico faz diferença, porque estresse e ansiedade pioram as crises", afirmou.
A doença pode ter componente genético, mas não é exclusivamente hereditária. Situações traumáticas como as vivenciadas por Elisa em Quem Ama Cuida podem ser gatilhos para o desenvolvimento da condição.
"Existe um componente genético. Quem tem parentes próximos com fibromialgia tem mais chance de desenvolver. Mas não é uma doença puramente hereditária. Fatores como estresse, trauma físico ou emocional e infecções podem funcionar como gatilho", finalizou o especialista.
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