A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
CAROLINA ROMANO
DIVULGAÇÃO

A atriz Carolina Romano, criadora do filtro 'exausta' no Instagram, com livro de seu monólogo
Criada em meio ao isolamento da pandemia de Covid-19 em 2021, a personagem "Exausta" nasceu despretensiosamente através de um filtro de Instagram criado por Carolina Romano. O que começou como uma brincadeira visual logo se transformou em um espelho do esgotamento coletivo e abriu espaço para um projeto muito maior. Em entrevista ao Notícias da TV, a atriz e dramaturga explica que a identificação imediata do público fez o meme migrar da internet para os palcos, culminando no espetáculo autoral Exausta, em Cena.
"Eu acho que a fagulha instintiva veio quando eu percebi que as pessoas não estavam 'se divertindo' com aquilo porque era uma piada, mas sim porque havia identificação. A Exausta era, na verdade, um sinal dos próprios tempos", relembra a artista.
Para ela, a linguagem rasa do ambiente digital já não dava conta da densidade dos sentimentos que precisava explorar. "Mensagem, atuação e corpo só iam caber mesmo no formato teatral, que o formato da internet não ia me trazer a profundidade necessária para dizer tudo que eu precisava", reflete.
Ao discutir a busca por validação e o impacto das redes na saúde mental em sua dramaturgia, Carolina precisa encarar as mesmas armadilhas no cotidiano de uma carreira independente. A atriz rebate a pressão por engajamento e números constantes revelando o seu método para manter a sanidade:
Muita terapia (risos). A verdade é que existe muito de mim na mensagem da peça, é a magia da autoficção, né? Eu preciso me esforçar pra ter uma relação saudável com as redes e não ficar o tempo todo me comparando, me martirizando ou até buscando uma quantidade infundada de números pra me validar.
Apesar dos riscos de virar refém do algoritmo, a artista reconhece o papel fundamental das plataformas para dar visibilidade a novas vozes no mercado de entretenimento.
"Eu adoro a internet, e acho que as redes sociais se tornaram um meio de comunicação poderoso, especialmente pros artistas. Existe ali criação de público, comunidade, existe um lugar pra se expressar", avalia.
No entanto, ela estabelece um limite claro para preservar a saúde mental: "Meu sistema interno é saber o porquê de estar usando aquilo, e a real importância das coisas. É preciso uma pitada de autoconhecimento e saber quando 'desligar o celular', se não a gente pira", segue.
Celebrando uma década de trajetória marcada por passagens por peças como Caso Cabaré Prive e webséries no TikTok, a artista agora expande as fronteiras do projeto. O texto original do monólogo acaba de ganhar as páginas de um livro lançado pela editora Minimalismos, em uma versão deliberadamente crua para preservar a experiência de leitura dramatúrgica. "Uma coisa que eu gosto muito de fazer é ir na minha estante, pegar uma peça e ler, e eu gosto de sentir que tô lendo teatro, do jeito que o dramaturgo pensou", explica, sobre o processo de adaptação.
Além da publicação literária, Carolina embarca neste mês para Berlim, na Alemanha, onde apresentará a peça no palco do Filmkunstbar Fitz Carraldo. O espetáculo será encenado inteiramente em português, contando com tradução simultânea e legendas em inglês para atingir a cena independente europeia.
"Eu realmente acho que o projeto merece e que o tema é relevante a ponto de conversar com diversos públicos. E não consigo ignorar o quão revolucionário da nossa parte é se apresentar em português, contando uma história com uma visão latina e original", pontua.
Olhando para o futuro e para os próximos dez anos de carreira, a atriz, que acumula as funções de autora, produtora e intérprete, quer continuar desbravando múltiplos formatos sem se prender a rótulos engessados.
"Eu tinha uma métrica muito específica de sucesso, sonhos e objetivos, e ela se quebrou e se modificou no meio. Eu ainda quero estar no cinema, nos streamings, na TV… Eu quero fazer teatro com gente foda, mas também quero ser a própria contribuição pra nossa arte", arremata.
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