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REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Tata Werneck como Brigitte em Quem Ama Cuida: personagem sofre com rejeição em relações
Brigitte, personagem de Tata Werneck em Quem Ama Cuida, tem um comportamento imprevisível pela maneira como se envolve em relações afetivas. Obsessiva, intensa e com dificuldade de lidar com rejeição, a filha de Pilar (Isabel Teixeira) tem erotomania borderline, um transtorno que pode ser potencializado com os gatilhos emocionais que ela sofre na família.
O Notícias da TV conversou com a especialista Natalie Biancovilli, pós-graduada em Psiquiatria pela Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Segundo ela, é importante separar o que é traço de personalidade do que pode ser um transtorno mais grave.
A chamada erotomania, também conhecida como síndrome de Clérambault, é um dos pontos que ajudam a explicar o comportamento da personagem. "É um tipo raro de transtorno delirante, em que a pessoa acredita com toda a certeza que alguém está apaixonado por ela, mesmo sem qualquer evidência que comprove isso", explica.
Diferente de uma paixão intensa ou de uma fantasia comum, o quadro envolve uma convicção que não muda, mesmo diante da realidade. "Não se trata apenas de um sentimento exagerado. É um delírio. A pessoa mantém essa crença mesmo quando existem provas claras de que aquilo não é verdadeiro", destaca a especialista.
Na novela, Brigitte demonstra exatamente esse padrão ao insistir em diferentes relacionamentos amorosos que não existem de fato. Ainda assim, Natalie ressalta que erotomania e transtorno de personalidade borderline não são a mesma coisa, embora possam ser confundidos.
"Não existe uma relação direta. A erotomania está no campo dos transtornos psicóticos, enquanto o transtorno de personalidade borderline é marcado por instabilidade emocional, medo intenso de abandono e relações muito intensas", pontua.
Esse segundo aspecto também aparece na personagem. Pessoas com borderline tendem a viver vínculos extremos, com dependência emocional e dificuldade de lidar com rejeições. É o que Brigitte vive na relação com a mãe, que a rejeita e a humilha. "Existe sofrimento, mas a pessoa não perde o contato com a realidade", explica Natalie.
Outro ponto importante é a chamada dependência emocional, que também surge na trama. Segundo a especialista, ela não é, por si só, um diagnóstico. "É um padrão de funcionamento em que a pessoa tem dificuldade de ficar sozinha e coloca sua autoestima no outro. Só vira um transtorno quando causa prejuízo significativo na vida", destaca.
Pode haver insistência excessiva, invasão de privacidade, perseguição e conflitos interpessoais. Na erotomania, como há perda de contato com a realidade, é fundamental uma avaliação psiquiátrica.
O diagnóstico, segundo a especialista, é clínico e depende de uma investigação detalhada. "Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme. Avaliamos a presença de uma crença delirante persistente, o tempo de duração e se há outros sintomas associados", avalia.
O tratamento varia de acordo com o caso, mas costuma envolver medicação e acompanhamento psicológico. "Em geral, usamos antipsicóticos e psicoterapia. Quando há outro transtorno associado, tratar a condição de base é essencial", descreve Natalie Biancovilli.
A novela ainda não trouxe o diagnóstico, mas Tata Werneck já adiantou que Brigitte tem erotomania borderline e que descobrirá o transtorno nos próximos capítulos. Ela não aceitará de início, mas decidirá buscar tratamento.
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