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SEXUALIDADE

Claudia Rodrigues não se diz lésbica nem bissexual: 'Só gosto da Adriane'

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Claudia Rodrigues à esquerda e Adriane Bonato à direita

Com olhos só para Adriane Bonato, Claudia Rodrigues não se diz membro da comunidade LGBTQIA+

JOSÉ VIEIRA

jose@noticiasdatv.com

Publicado em 26/6/2022 - 7h00

Apesar de estar em um relacionamento homoafetivo, Claudia Rodrigues prefere não definir um rótulo para a sua sexualidade. Após engatar um romance com Adriane Bonato, sua ex-empresária, a atriz conta para o Notícias da TV que essa será a sua primeira e única experiência amorosa com alguém do mesmo sexo. "Só gosto da Adriane", diz a humorista ao não se incluir como membro da comunidade LGBTQIA+.

Claudia pediu Adriane em namoro há menos de um mês e precisou lutar contra seus preconceitos para viver esse amor. No entanto, ainda que se defina como uma aliada da comunidade, a atriz revela que não pretende ter outras experiências homoafetivas. "Só com a Adriane, é a primeira e única vez. E só isso. Olha, eu não gosto de mulher, não gosto mesmo", declara.

Adriane foi responsável por cuidar da carreira de Claudia nos últimos dez anos. Além de administrar sua vida profissional, ela esteve do lado da parceira na luta contra a esclerose múltipla. Para a humorista, a lealdade transformou o seu olhar sobre a empresária ao decorrer do tempo. "É difícil. Ela é mulher e gosta de uma mulher, mas ela me enxerga como um homem", explica Adriane.

Ao relembrar de uma conversa que teve com a namorada, Adriane diz que, para Claudia, sua parceria transmite a mesma confiança de um relacionamento heterossexual. "Eu pedi para ela me explicar. Ela disse: 'Ué, com você eu tenho a segurança que eu teria com um homem, eu tenho carinho, sou bem tratada, sou cuidada, você me dá atenção, você me entende, você conversa'", conta a empresária.

“Quando precisei, você até me pegou no colo. Quando precisei, você me deu banho. São coisas que eu nunca tive em relacionamentos anteriores, entendeu?", disse Claudia na ocasião. "Eu nunca tive um relacionamento com um homem como eu tenho com você."

A autoaceitação

De acordo com Lilian Fiorelli, médica ginecologista especialista em sexualidade feminina pela USP (Universidade de São Paulo), o fato de Claudia não se intitular LGBTQIA+, mesmo estando em um relacionamento lésbico, pode corresponder a um tipo de preconceito interno.

Com 52 anos, a atriz viveu em um período no qual discussões sobre a luta homossexual eram invisibilizadas pela população. Assim, ela se acostumou com os padrões de heteronormatividade propagados pela sociedade. "Existem algumas barreiras que foram colocadas ao longo de nossas vidas, e essa atriz viveu em uma época em que era feio ser homossexual", explica Lilian.

"A partir do momento em que se cria a sigla LGBTQIA+, criada por pessoas de fora do padrão, é como se fosse um espectro de algo que você não vai querer ser", continua a médica. "Mesmo que você seja LGBT, você não quer se intitular daquilo, como se você não fizesse parte desse mundo." 

Lilian explica que a insistência em se manter dentro dos padrões pode desencadear uma série de distúrbios psiquiátricos, desde depressão até ansiedade. Portanto, quanto mais cedo descobrir e entender a sexualidade, mais chances o indivíduo tem de se sentir confortável consigo mesmo.

"Não que uma pessoa numa idade mais avançada não atinja essa felicidade, mas, ao longo da vida, ela pode passar por muito mais sofrimento que talvez pudesse ser poupado", diz Lilian.

Por outro lado, a descoberta em uma fase mais madura pode fazer com que o processo de aceitação seja digerido de uma maneira mais responsável. "Talvez ela tenha uma elaboração muito diferente do que um adolescente, que está de fato descobrindo essa sexualidade pela primeira vez e nunca vivenciou alguns sofrimentos. Não que o sofrimento seja necessário, mas para cada sofrimento existe um aprendizado".

Está tudo bem

Lilian reforça a importância da criação de uma rede de apoio que acolha Claudia. Seja com familiares ou amigos, é fundamental que ela tenha um espaço para se abrir e desabafar. "Os heteronormativos também entram nisso. Quando uma pessoa não tem uma boa rede de apoio, ela não tem sua sexualidade bem estabelecida", adiciona.

No caso da humorista, mesmo que prefira não se encaixar em alguma letra da sigla, sua felicidade e conforto ainda devem ser colocados como prioridade. "O importante é que ela esteja bem. Se ela está tranquila e se essa é a forma como ela se sentiu mais confortável em expressar sua sexualidade, está tudo bem. Acolhê-la também é uma forma de a gente aceitá-la".

A médica afirma ainda que casos como o da atriz são essenciais para que discussões sobre a pauta possam ser iniciadas e, enfim, o tabu ao redor do assunto deixe de existir. "Se ela se sente melhor assim, ela não precisa se colocar como LGBTQIA+, ela só precisa ser feliz", complementa Lilian.


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