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MÉDICO EXPLICA

Câncer de mama: Entenda o que é e quais são os riscos da doença de Val Marchiori

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Foto de Val Marchiori; ela está com o cabelo solto e veste blusa vermelha

Val Marchiori durante podcast no YouTube; a empresária recebeu diagnóstico de tumor na mama

GABRIELA RODRIGUES

gaby@noticiasdatv.com

Publicado em 28/8/2025 - 17h14

A socialite Val Marchiori foi diagnosticada com câncer de mama aos 50 anos e precisará encarar uma cirurgia na próxima semana. A doença foi reconhecida durante exames de rotina da empresária. O caso demonstra a importância da realização da mamografia para prevenir ou identificar a condição.

Em entrevista ao Notícias da TV, Alexandre Pupo Nogueira, especialista em ginecologia, obstetrícia e mastologia, explica com mais detalhes o que é o câncer de mama. 

"É um grupo de células do nosso próprio corpo, que, originalmente, deveriam existir apenas em um determinado tipo de tecido ou de órgão, mas começam a se multiplicar de forma desorganizada. Eles acabam ultrapassando os limites do órgão, crescem e invadem outros órgãos e tecidos ao redor. Eventualmente, acabam sendo transportados pelo sistema linfático ou sanguíneo para outras partes do corpo". 

De acordo com o médico, quando essas células encontram um "terreno saudável", elas conseguem se unir e passam a se multiplicar no novo local. "Quando esse local se trata de um outro órgão, chamamos de metástase", continua Nogueira. 

No caso da mama, existem dois principais tipos de câncer oriundos dessa região. Eles são conhecidos como linhagem epitelial, cânceres que vêm dos tecidos de revestimento.

"O mais comum é o carcinoma mamário invasivo sem outras especificações, ou do tipo não especial, e nós temos também o carcinoma lobular. Nesses casos, basicamente, as células da mama, da estrutura natural da mama, perderam todos os mecanismos de controle, de proliferação e de disseminação. 

De acordo com o especialista, alguns sinais podem servir de alerta para a presença do câncer de mama. Embora o autoexame — o toque realizado pela própria mulher — seja um aliado importante, é essencial lembrar que existem outras maneiras de ficar atenta ao problema.

"Existe a chance de ter retração do mamilo. Quando os tumores se formam, às vezes, antes de formar um nódulo, eles causam um retraimento do mamilo, uma inversão para dentro do mamilo ou da pele. Isso pode ser um indicativo de câncer. Além disso, pode existir a presença de uma secreção, com aspecto cristalino, saindo de uma única mama", detalha. 

Existe um tipo chamado carcinoma inflamatório de mama, em que o câncer rapidamente atinge o tecido abaixo da pele e promove uma mudança na característica da pele, que se torna avermelhada, espessa e com aspecto de casca de laranja. Também é um sinal de preocupação.

Nogueira chama a atenção também para casos em que os nódulos não são identificados, mas ainda há a presença do câncer. "Temos a doença de Paget, ou carcinoma de Paget, em que não temos o nódulo, mas existe uma descamação e a formação de uma ferida, normalmente na região da areola e do mamilo, isso pode surgir acompanhado de coceira. Deve sempre ser investigado", alerta. 

Outro caso raro é chamado carcinoma oculto de mama. Nesse cenário, os exames da mama não revelam alterações, mas um gânglio na axila apresenta aumento de volume e pode ser palpável. Nos exames de imagem, especialmente no ultrassom, observa-se perda da estrutura normal desse gânglio. Ao realizar a biópsia, encontram-se células de câncer de mama nesse gânglio, mesmo sem sinais visíveis da doença na própria mama.

"É uma entidade bastante rara, que recebe esse nome justamente porque na mama não vemos nada, nem em exames de imagem e, às vezes, nem mesmo durante a cirurgia", continua o médico.

Fatores de risco 

Nogueira explica ainda quais são os principais fatores de risco para o câncer de mama atualmente. Um dos mais relevantes é o fator hereditário. Famílias com muitos casos de câncer de mama, ovário ou endométrio têm maior probabilidade de apresentar uma mutação genética que aumenta a predisposição ao desenvolvimento desses tipos de câncer.

"Fora isso, a qualidade de vida também tem grande importância, não apenas para o câncer de mama, mas para outros tipos de câncer. O consumo excessivo de álcool, a poluição, a obesidade, o sedentarismo e uma alimentação rica em produtos ultraprocessados e gordurosos também aumentam o risco para o câncer de mama", observa. 

"O câncer de mama costuma ser diagnosticado com maior frequência em pacientes entre 50 e 70 anos de idade, mas também pode acometer pessoas com menos de 40 anos e, em casos mais avançados, acima dos 80 ou 90 anos", continua.

Prevenção 

Alexandre Pupo Nogueira comenta sobre a importância de realizar exames preventivos para detectar e identificar a presença de nódulos. Embora o autoexame esteja em desuso, ele também é recomendado pelos profissionais de saúde.

"O acompanhamento em relação à prevenção do câncer de mama deve ser feito, prioritariamente, por meio da mamografia e complementado com ultrassom de mamas, quando a mama for mais densa ou existir alguma dúvida em relação a mamografia", diz o especialista. 

A mamografia consegue identificar sinais no raio‑X da mama que mostram, em muitos casos, lesões pré‑cancerígenas ou cânceres de mama em estágios muito iniciais, quando ainda nem o nódulo se formou. Já o toque da mama depende da nossa capacidade e da sensibilidade dos dedos para detectar um nódulo. Isso normalmente ocorre quando o nódulo já tem pelo menos dois centímetros.

"O autoexame é preconizado mais como um lembrete para que a mulher se lembre de ir ao médico para fazer seus exames de prevenção", acrescenta Nogueira. 

Quando a cirurgia é necessária? 

O tratamento do câncer de mama vai depender, principalmente, de dois cenários: o tipo de câncer identificado e o momento em que ele foi detectado, se foi em uma fase muito inicial, intermediária ou tardia.

"A gama de tratamentos é bastante variada. Hoje, nós utilizamos tanto da cirurgia quanto da radioterapia, das quimioterapias, das terapias imunológicas e terapias alvo para abordar as diferentes características que um câncer de mama pode ter", explica o médico. 

"De uma maneira geral, o tratamento do câncer de mama terá início ou por cirurgia ou por quimioterapia e radioterapia. Depois, se começou pela quimioterapia, o paciente passará pela cirurgia e, em seguida, pela radioterapia. Se começou pela cirurgia, depois avaliamos a necessidade de quimioterapia, hormonoterapia, imunoterapia, radioterapia e outros tratamentos", completa.

Doença curável 

Como forma de alerta, o especialista esclarece que é importante não se deixar levar pelo medo após receber o diagnóstico, principalmente porque existe chance de cura. 

"O câncer de mama é visto pelas pacientes como uma doença mortal, mas nós sabemos que, com todos os tratamentos e com todos os avanços que a Medicina teve nos últimos 50 anos, é uma doença curável na imensa maioria das vezes. Os exames de prevenção ajudam muito a fazer uma detecção precoce e permitir tratamentos mais simples", finaliza. 


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