Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
X
Instagram
Youtube
Pesquisar

Buscar

AFETO CURA

Apoio emocional reduz dor e melhora resposta ao câncer, diz especialista

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Preta Gil em seus momentos finais, ao lado da amiga Carolina Dieckmmann

Preta Gil recebeu apoio de amigos como Gominho e Carolina Dieckmmann durante tratamento

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 26/7/2025 - 16h00

A morte de Preta Gil (1974-2025) no último domingo (20), aos 50 anos, reacendeu uma das discussões mais delicadas quando se trata de pacientes com câncer: o papel do apoio emocional no enfrentamento da doença. Ao lado do tratamento médico, o afeto pode ser um dos medicamentos mais potentes para se alcançar a cura --ou pelo menos, para tornar a travessia mais tolerável. 

A cantora enfrentava um câncer no intestino desde janeiro de 2023 e não escondeu as dificuldades que viveu ao lado --ou melhor, longe-- do ex-marido, Rodrigo Godoy, durante o tratamento. Em outubro do mesmo ano, Preta revelou em entrevista ao De Frente com Blogueirinha que foi traída por Godoy durante sete meses.

A infidelidade teria começado ainda durante o tratamento, mas o término veio antes da descoberta. "Eu ficava largada", disse ela, ao comentar que decidiu encerrar o relacionamento pela ausência de apoio enquanto estava mais fragilizada. Mas, apesar do divórcio, Preta nunca esteve sozinha.

"Meus amigos me protegeram. Eles vieram com tudo para cima de mim. Eu estava abandonada em casa. Meus amigos estavam ali me dando banho, me dando comida, enquanto ele estava na rua", desabafou.

Um dos principais amigos de Preta foi o apresentador Gominho, que chegou a largar o emprego e a se mudar para a casa da artista para que pudesse se dedicar exclusivamente aos cuidados com a amiga. Casos como o de Preta expõem não só a força dos vínculos afetivos, como também os impactos reais do suporte emocional no tratamento de pacientes oncológicos. 

"O apoio emocional impacta muito na qualidade de vida da pessoa durante o processo. Ela pode, inclusive, sentir menos sintomas do próprio câncer e dos efeitos colaterais do tratamento", explica o psiquiatra Daniel Cunha, do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que recebe diversos encaminhamentos de pacientes oncológicos.

Segundo o especialista, apesar de estudos ainda não comprovarem, pacientes com suporte emocional tendem a apresentar menos dores e náuseas durante sessões de quimioterapia. "Se eu tenho uma pessoa com um suporte emocional inadequado, que está deprimida ou ansiosa, isso pode piorar o câncer. A depressão afeta diretamente o sistema imunológico", afirma.

Exemplos de abandono como o enfrentado por Preta se repetem, mas também há histórias de parceria. A apresentadora Ana Hickmann se emocionou durante a primeira entrevista concedida pelo marido Edu Guedes após o diagnóstico do câncer no pâncreas.

"O Edu esteve ao meu lado quando eu mais precisei, e agora eu estava junto dele também", declarou ela, ao lado do companheiro, em entrevista ao Domingo Espetacular.

Daniel Cunha também reforça que o apoio afetivo vai além dos cuidados com a saúde do paciente ou palavras de incentivo. "O apoio que a gente pode dar é o apoio de uma vida normal, de uma vida bem vivida. É estar presente", diz. 


Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.