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REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Heleninha (Paolla Oliveira) em Vale Tudo; a pintora sofre com alcoolismo na novela da Globo
Heleninha, personagem de Paolla Oliveira em Vale Tudo, tem chamado a atenção para um assunto bastante importante: o alcoolismo. Apesar de ser considerado um vício por muitas pessoas, o consumo desenfreado de bebidas é definido como uma doença pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O psiquiatra Luiz Scocca alerta sobre a condição em entrevista ao Notícias da TV.
Segundo o profissional, é importante estar atento a alguns pontos que podem ajudar a identificar quando uma pessoa está se tornando alcoólatra. "Há muito tempo, a gente não considera mais quantidade ou frequência com que se bebe como fatores que implicam no diagnóstico de alcoolismo", diz ele.
"Para nós, o que é realmente preocupante e pode indicar uma doença é quando o álcool afeta a vida pessoal, profissional ou financeira da pessoa. Outro fator que é muito importante é quando ele passa a ser usado como uma única forma de lidar com as emoções, como estresse, tristeza ou alegria. Além disso, é um alerta quando a pessoa se torna compulsiva, ou seja, ela bebe mesmo quando não está tendo nenhum problema", ensina.
De acordo com o psiquiatra, que atua pelo Hospital das Clínicas da USP, sintomas específicos podem caracterizar uma pessoa que sofre com alcoolismo. O indivíduo começa a ter tremores se não ingerir o álcool, começa a sentir ansiedade e não consegue nem pensar direito sem a bebida, passando a negligenciar as próprias necessidades.
Geralmente, a pessoa que sofre com isso passa a beber sozinho, em horários inadequados. Outro sinal interessante é que a pessoa passa a negar que o álcool está causando problemas. Nunca é o álcool. É porque estava ansioso, é porque estava irritado, é porque estava muito contente, 'isso merecia uma comemoração'. É comum também que a pessoa comece a mentir sobre a quantidade consumida.
"Pessoas que sofrem com o alcoolismo também podem apresentar episódios de esquecimentos frequentes. A pessoa apaga totalmente e pode apresentar até problemas de saúde. Ele começa a ter com muita frequência dor de estômago, começa a ter diarreia, diminuição do apetite", observa.
Assim como no caso de Heleninha, que costuma beber ao lidar com situações difíceis em Vale Tudo, muitas pessoas podem procurar no álcool uma saída para momentos estressantes do dia a dia. "Existem as frustrações pessoais, a sensação de exclusão. A pessoa tem sentimentos negativos e acaba recorrendo à bebida alcoólica."
"Temos ainda as condições psiquiátricas. Quando a pessoa realmente sofre de depressão e de ansiedade, é muito comum que ela desenvolva o consumo de álcool e drogas. É preciso prestar muita atenção e procurar tratamento, sem estigma, sem vergonha. Se você tem alguém que sofre com esse problema, você deve ajudá-lo", acrescenta Scocca.
Segundo o psiquiatra, a internação não é sempre necessária em casos de alcoolismo. "Ela acontece quando a pessoa não está conseguindo parar de beber sozinha, quando muitas tentativas já foram feitas."
A internação é importante quando a vida da pessoa está em risco, inclusive pelas síndromes de abstinência grave, que podem matar. Quando o indivíduo não tem contato com o álcool, ele entra em um quadro grave de abstinência, que podem resultar, por exemplo, em episódios de ansiedade grave e, com isso, causar infarto.
"É fundamental a rede de apoio. Às vezes, a pessoa ainda está na fase de esconder o problema. Essa é uma fase muito perigosa. Quando a pessoa passa a dividir com a família a situação e procura ajuda, ela tem mais chances de se recuperar", destaca.
É importante que, ao identificar a doença, a família e amigos não tentem assumir o controle da vida do alcoolista. "Isso não dá certo! A pessoa acaba se revoltando e se afasta do tratamento. Esse indivíduo precisa se manter em constante vigilância, pois uma recaída sempre pode ocorrer, mesmo que muitos anos após conquistar o controle da doença", completa o psiquiatra.
Para quem sofre com a mesma doença que Heleninha, o especialista indica evitar situações de riscos e procurar práticas saudáveis, como realizar atividade física, atividades artísticas, buscar lazer com a família ou se ligar à fé, se for uma pessoa religiosa. "E, quando necessário, desconecte-se de de redes sociais, já que elas podem contribuir para a romantização do álcool."
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