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ANÁLISE

Treta x perseguição: As diferenças que consagram campeões em A Fazenda e BBB

REPRODUÇÃO/RECORD E REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Montagem com Dudu Camargo em A Fazenda 17 e Juliette Freire no BBB 21

Dudu Camargo em A Fazenda e Juliette no BBB; favoritos do público nos realities são diferentes

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 2/10/2025 - 21h00

O público de A Fazenda já deixou claro que gosta de ver fogo no feno, e a temporada atual é prova disso. Dudu Camargo e Yoná Sousa, dois dos peões mais explosivos e polêmicos do elenco, aparecem entre os favoritos nas enquetes e nas redes sociais, mesmo após brigas pesadas. É a repetição de um padrão histórico do reality rural da Record: quem aparece mais, briga mais e pauta o jogo tende a sair milionário. A lógica, porém, parece oposta à do Big Brother Brasil, em que costuma vencer quem mais sofre perseguição ao longo do jogo.

No reality da Record, o caminho pelo prêmio geralmente passa por entregar entretenimento. Jojo Todynho, campeã da 12ª edição, viveu embates épicos com Biel e virou meme a cada nova discussão.

Rico Melquiades, que venceu a temporada seguinte, foi o grande caos do elenco, quebrando objetos e criando conflitos estratégicos que mantiveram seu nome no centro do programa até a final. Para o público da emissora, é evidentemente melhor ser lembrado por um barraco do que passar despercebido.

No BBB, a lógica é quase o oposto. Como o programa pega o público que vem direto da novela das nove, há um costume e uma propensão em se mobilizar para tornar o perseguido da edição campeão.

Juliette Freire, campeã do BBB 21, é o exemplo mais emblemático: isolada pelos colegas de confinamento e vítima de xenofobia, a paraibana conquistou uma legião de fãs que se mobilizou em mutirões para transformá-la em campeã com mais de 90% dos votos na final.

O mesmo aconteceu com Gleici Damasceno, no BBB 18. Filha de família humilde, ela foi isolada e indicada ao paredão logo na primeira semana. Voltou do paredão falso com discurso de empoderamento e virou a queridinha do público.

Thelma Assis, da 20ª edição do programa (e a primeira com famosos confinados), também representou a narrativa: médica negra que sobreviveu ao paredão triplo contra Babu Santana e Manu Gavassi, ela levou o prêmio por sua resiliência dentro da casa e por ter se tornado símbolo de uma temporada que ficou marcada pelo combate ao machismo.

Essa diferença de comportamento do público é tão clara que já influencia o jogo. Nizam, que já passou pelo Big Brother Brasil e hoje está em A Fazenda 17, alertou os colegas recentemente para não perseguirem Yoná e a tornarem alvo fácil.

O argumento do criador de conteúdo adulto? Isso poderia fortalecê-la no jogo --uma leitura típica do público do BBB. Mas no reality rural, perseguição pode até ajudar, desde que a vítima reaja e crie mais confusão, garantindo tempo de tela, como foi o caso de Sacha Bali.

No fim, cada reality premia o personagem que mais engaja sua audiência. Na Record, a treta é o motor do jogo e o caminho mais curto para o prêmio. Na Globo, o coração fala mais alto --e quem sofre acaba sendo coroado pelo público.

Isso não significa que os perseguidos e os treteiros não tenham seu lugar em cada um dos reality shows: o importante é chamar a atenção para o programa e ser autêntico à própria narrativa para chegar ao pódio.


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