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ANÁLISE

A Fazenda atropela o BBB e vira o reality do ano com recordes e caos histórico

REPRODUÇÃO/RECORD E REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Dudu Camargo em A Fazenda 17 e Renata Saldanha no BBB 25

Dudu Camargo em A Fazenda 17 e Renata Saldanha no BBB 25; reality da Record superou o da Globo

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 22/12/2025 - 10h00

O fim de 2025 marca uma virada histórica na disputa dos realities de confinamento no Brasil. Enquanto o BBB viveu seu pior momento desde que estreou, com uma edição morna, esquecível e incapaz de movimentar as redes sociais, A Fazenda 17 se firmou como uma das temporadas mais caóticas, barulhentas e bem-sucedidas da história da Record.

Pela primeira vez, a comparação entre os dois programas deixou de ser apenas simbólica: no imaginário popular e no engajamento, o rural atropelou o maior rival sem dó nem piedade.

O BBB 25 estreou cercado de expectativa: era o primeiro ano sem J. B. Oliveira, o Boninho, a edição comemorativa das 25 temporadas e um dos produtos escolhidos para celebrar os 60 anos da Globo. Nada disso se refletiu no ar.

A passagem do comando definitivo para Rodrigo Dourado trouxe uma coleção de tentativas frustradas de fazer o jogo acontecer --quase todas tiveram pouco efeito. Ao contrário de anos anteriores, o elenco simplesmente não comprou a dinâmica do programa, e o público não se encantou com os brothers.

A Globo investiu em dinâmicas mais agressivas, Big Fone com castigos pesados, manipulações cirúrgicas no tabuleiro e estímulos internos para tentar forçar conflito. Mesmo assim, a casa permaneceu apática.

Era visível que o problema nasceu antes mesmo da estreia, na escolha dos participantes: a temporada não tinha antagonistas fortes, grandes narrativas nem ninguém disposto a ir além do básico. O resultado foi um reality sem alma --e isso não se fabrica na edição.

Os números comprovam o estrago. O BBB 25 teve média de 16,1 pontos na Grande São Paulo, uma queda de 20% em relação à temporada passada e de 41% se comparado ao BBB 21, auge recente do formato.

No engajamento, o cenário foi ainda mais desastroso: o recorde da temporada foi um paredão com 209 milhões de votos, número muito abaixo dos embates que ultrapassaram o bilhão em anos anteriores.

Até vilões apontados pelo público, como Camilla Maia, saíram com votação tímida. Foi o flop dos flops --um programa sem impacto, sem memória e sem capacidade de gerar engajamento. Até hoje, o público mal se lembra de quem ganhou a edição, de tão esquecível.

Enquanto isso, no mundo rural, a história foi completamente diferente: A Fazenda 17 entregou aquilo que o público sempre espera. Teve barraco, imprevisibilidade, alianças instáveis, audiência crescente e uma energia caótica difícil de replicar.

A temporada não apenas empolgou; também quebrou recordes e conseguiu um feito histórico ao bater o BBB em repercussão nas redes sociais. 

O auge do caos veio até com direito a recorde de expulsões. Teve agressão ao vivo na formação da roça, copo arremessado durante festa e até tapa em protesto. A Fazenda nunca foi lá um reality muito tranquilo, mas 2025 elevou esse parâmetro a outro nível.

A repercussão, dessa vez, foi tão grande que a temporada passou a ser comparada com A Fazenda 6, de 2013, considerada por muitos fãs como a melhor da história. A comparação não foi gratuita: o nível de caos, treta e imprevisibilidade era semelhante e constante.

No ibope, o impacto foi imediato. A formação da terceira roça, por exemplo, fez o reality rural bater recorde atrás de recorde, alcançar 7,2 pontos na Grande São Paulo e até liderar por 14 minutos consecutivos contra a Globo. Em apenas uma semana no ar, a atração conseguiu bater o próprio melhor desempenho três vezes --algo raro para um reality já consolidado.

Enquanto a Globo exibia programas que tradicionalmente dominam a faixa, a Record estacionou em segundo lugar com folga e ainda ameaçou por diversas vezes a liderança. Era visível que o público estava procurando entretenimento real, e o encontrou fora dos Estúdios Globo.

Mais do que números, A Fazenda venceu no termômetro que mais importa em 2025: a dominância diária das redes sociais. Cada briga, cada expulsão e cada dinâmica eram suficientes para gerar vídeos, memes, reações e debates que duravam horas e até dias. O reality rural comandou boa parte da narrativa cultural, enquanto o BBB 25 parece que mal existiu.

No fim, o retrato do ano é cristalino: A Fazenda entregou espontaneidade, barulho e caos; o no BBB sobrou marasmo, silêncio e tentativas desesperadas de reação. O público escolheu o reality que não tem medo de ser reality.


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