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História na TV

Como a franquia Blackish repaginou as narrativas de séries com atores negros

Divulgação/ABC

Os atores Anthony Anderson e Tracee Ellis Ross aos risos em cena da sexta temporada de Blackish

Os atores Anthony Anderson e Tracee Ellis Ross em imagem da sexta temporada da comédia Blackish

JOÃO DA PAZ - Publicado em 20/11/2019, às 05h36

Comédia três vezes indicada ao Emmy, Blackish (Sony Channel) está há cinco anos fazendo história na TV. A atração sobre uma família de afro-americanos que mora em um bairro de elite cercado de brancos acabou virando a mais importante franquia com atores negros do mundo das séries, com dois derivados que expandem um tipo de narrativa rara de se ver e que merece ser exaltada neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

O alicerce que sustenta esse universo bem-humorado e didático é a série mãe. Estrelada por Anthony Anderson (cinco indicações ao Emmy pela comédia) e Tracee Ellis Ross (vencedora do Globo de Ouro, em 2017), Blackish tem como ponto de partida o desejo de um pai, o publicitário Andre "Dre" Johnson (Anderson), de não deixar que os filhos cresçam sem conhecer o que é a negritude.

Assim, Blackish tem ensinado muito, em cada episódio de suas cinco temporadas, como é importante valorizar a cultura negra, mas sem panfletagem. Há muito cuidado nas situações abordadas e a comédia faz uso da máxima "Quer que eu desenhe?" ao tratar de assuntos espinhosos. Animações são inseridas nos capítulos para explicar a escravidão, quem foi Martin Luther King Jr. (1929-1968), o papel do negro na política e no ambiente de trabalho, entre outras coisas.

Sem fugir da raia, Blackish toca em temas delicados, como uma família negra aceitar que a filha namore um rapaz branco, as diferenças de uma igreja composta por fiéis negros e outra só com religiosos brancos, discriminação da polícia e apropriação cultural. Divertida, Blackish trata tudo em família.

divulgação/freeform

Grownish é protagonizada pela atriz Yara Shahidi, ícone da juventude negra desta década


Fora do padrão

Em 2018, nasceu o primeiro bebê de Blackish. Protagonizada pela filha mais velha de Dre, a descolada Zoey Johnson (Yara Shahidi), Grownish (Netflix) veio para contar como é a vida de uma jovem negra na faculdade.

Com a terceira temporada programada para estrear em janeiro do próximo ano, nos Estados Unidos, Grownish tem como trunfo mostrar a vida de uma jovem normal, que larga o ninho familiar para viver na faculdade e se virar nos 30 com os problemas que vêm com a liberdade de poder estudar e trabalhar.

O fato de não levantar com veemência a bandeira da negritude acaba sendo benéfico para a série. Só por ser uma trama narrada pelo ponto de vista de uma universitária negra, Grownish já é um feito e tanto. E Zoey experimenta de tudo, de drogas a sexo, e enfrenta adversidades que quem passou por essa fase vai se identificar. É uma série que revoluciona por não ter uma protagonista com identidade padrão.

divulgação/abc

Arica Himmel e Mark-Paul Gosselaar na 1ª temporada de Mixedish; filha negra e pai branco


A vez dos mestiços

A mais recente cria é Mixedish (inédita no Brasil), outra série nada convencional. A conexão com Blackish é pela médica Rainbow "Bow" Johnson (Tracee), mulher de Dre. Ela tem a pele menos retinta por ser mestiça, filha de mãe negra e pai branco. Como ela vive falando sobre a sua infância em Blackish, a nova atração veio para esclarecer como foi aquela época.

Mixedish se passa nos anos 1980 e mostra como Bow, na adolescência, cresceu com dois pais cujas diferenças vão muito além do tom de pele. Sem perder a graça e com muita descontração, a produção retrata as dificuldades que três crianças (Bow, sua irmã e seu irmão) experimentaram dentro desse ambiente.

Isso ocorre, por exemplo, quando a menina recebe uma lição de casa para contar o passado de sua família e divide uma cartolina ao meio para dedicar um espaço ao que o pai branco tem a dizer e outro para a mãe negra. Há ainda tópicos como corte de cabelo (uma professora pede para Bow ir com o cabelo "arrumado" para tirar fotos na escola) e receptividade de negros em country clubs.

O mentor de todo esse mundo foi o produtor Kenya Barris, um dos nomes mais admirados nos bastidores de Hollywood. Na varredura rcente que a Netflix fez nas concorrentes atrás de showrunners, a gigante do streaming tirou Barris da ABC Studios, uma divisão da Disney. Ele assinou um contrato de US$ 100 milhões (R$ 421 milhões) com a empresa, válido durante três anos.

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