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Começaram bem, terminaram mal: as cinco flopadas mais vexatórias da TV

Divulgação/HBO

Bobby Cannavale na única temporada de Vinyl; nem com ator vencedor de Emmy a série vingou - Divulgação/HBO

Bobby Cannavale na única temporada de Vinyl; nem com ator vencedor de Emmy a série vingou

JOÃO DA PAZ - Publicado em 09/05/2018, às 05h22

O que leva um canal a investir US$ 100 milhões (mais de R$ 350 milhões) em uma série e cancelá-la? Audiência ruim e pouca repercussão são bons motivos para uma produção grandiosa desse nível sair do ar. Foi exatamente o caso de Vinyl (2016), badalada série assinada pelo cineasta Martin Scorsese, que não passou da primeira temporada na HBO.

A série sobre o rock’n’roll e a cultura punk na Nova York dos anos 1970 é um dos grandes vexames da TV norte-americana. Ainda mais se tratando de HBO, que não tem o costume de tirar produções do ar logo após o ano de estreia.

Por isso, também chamou a atenção a decisão do canal de não continuar com Here and Now, drama de Alan Ball (True Blood, Six Feet Under) cancelado após o último episódio da primeira temporada, no mês passado. A história teve um final mirabolante, sem sentido, e deixou os fãs (ainda) mais confusos.

Ambas as séries se juntam a Bloodline (2015-2017), Terra Nova (2011) e Under the Dome (2013-2015) na lista das maiores flopadas da TV norte-americana. Todas elas começaram bem, mas terminaram mal:

Divulgação/Netflix

Ben Mendelsohn e Kyle Chandler em Bloodline; dupla de atores sobressaiu e disputou o Emmy 

Bloodline
Numa época em que a Netflix experimentava dramas com excelência na produção, surgiu Bloodline, do trio de criadores da bem-sucedida Damages (Todd A. Kesler, Glenn Kesler e Daniel Zelman). A revista Entertainment Weekly deu nota B+ para a primeira temporada, que estreou em 2015, e destacou a dinâmica viciante da trama, feita na medida para maratonistas de sofá.

A história de uma família conturbada que mora em uma cidade litorânea do Estado da Flórida de fato mandou muito bem no primeiro ano, mas nem as atuações afiadas dos protagonistas foram suficientes para trazer o telespectador de volta para as temporadas seguintes. A série terminou abruptamente na terceira temporada, no ano passado, e se perdeu no mar de opções disponíveis na plataforma. Acabou e ninguém viu o fim.

Bloodline esteve presente em todas as edições do Emmy nas quais esteve elegível, com indicações a Kyle Chandler e Sissy Spacek, vencedora do Oscar. O australiano Ben Mendelsohn foi escolhido como melhor ator coadjuvante em 2016.

divulgação/hbo

No drama Here and Now, o jovem Ramon (Daniel Zovatto, centro) via 11:11 em todos lugares

Here and Now
A CNN disse que Here and Now era "intrigante", e a revista Time afirmou que "a série [era] ideal para os tempos de hoje". Até a primeira metade da temporada de dez episódios, a criação de Alan Ball conseguiu manter certo interesse da mídia especializada, no aguardo do que estaria por vir na reta final. Mas não aconteceu nada que merecesse o tempo diante do televisor.

Logo de cara, o público demonstrou que não estava com pique de embarcar na jornada psicodélica de um jovem que via os números 11:11 em suas alucinações. O primeiro episódio foi visto por 541 mil pessoas; o segundo perdeu 32% desse público. A HBO desistiu de Here and Now e sequer anunciou um telefilme para fechar a trama e explicá-la aos guerreiros telespectadores que ficaram até o fim _sem pé nem cabeça, frise-se.

divulgação/fox

Terra Nova, estrelada por Stephen Lang (à esq.) e Jason O'Mara, teve apenas 13 episódios

Terra Nova
Em 2011, a Fox bancou uma série que prometia revolucionar a TV. A rede apostou tanto em Terra Nova que só o piloto de duas horas custou US$ 14 milhões (R$ 50 milhões). O montante foi despejado em efeitos especiais espetaculares, que deram vida a gigantescos dinossauros.

A premissa da série tinha tudo para agradar aos fãs de ficção científica. A história começou no século 22, quando uma família largou um mundo superpovoado e poluído para viajar no tempo e morar em uma colônia chamada Terra Nova, a 85 milhões de anos atrás. Para corroborar a alta expectativa, a série tinha a produção-executiva de Steven Spielberg, cineasta que dirigiu Jurassic Park (1993).

Na época, a mídia avaliou bem a trama. O jornal USA Today deu três estrelas (de quatro). Mas todos aqueles efeitos especiais do primeiro episódio minguaram. De resto, nada tinha qualidade, da atuação ao roteiro. A Fox cancelou a série e tentou vendê-la para outros estúdios. Ninguém quis.

divulgação/cbs

Natalie Martinez e Josh Carter em foto clássica de Under the Dome; separados por um domo

Under the Dome
O jornal The New York Times previu que o Estados Unidos iriam parar, nas noites de segunda-feira do verão americano de 2013, para acompanhar Under the Dome. O drama veio com pedigree: Steven Spielberg estava na produção-executiva da trama inspirada no livro homônimo de Stephen King, sobre uma cidade pacata que de repente era coberta por um domo.

De fato, a história era atraente (Por que isso apareceu? Como as pessoas vão sobreviver?) e levou a revista The Hollywood Reporter a dizer que era promissora. O sucesso veio no ano de estreia, porém a série perdeu a essência ao longo das duas temporadas seguintes. O jornal Washington Post chegou a chamar a atração de "idiota".

O público também não aguentou tanta enrolação e má atuação. Se a primeira temporada teve uma ótima média de 11,2 milhões de telespectadores por episódio, o ano de despedida (2015) registrou 4,7 milhões por semana, uma queda de 58%.

Divulgação/hbo

Mick Jagger com Bobby Cannavale nos bastidores de Vinyl; músico produziu a série da HBO 

Vinyl
O primeiro episódio de Vinyl custou US$ 30 milhões (R$ 107 milhões) e deixou o público boquiaberto. A New York Magazine cravou: "O piloto de duas horas de Vinyl é um dos melhores filmes de Martin Scorsese". A empolgação era tanta que o site TV Line cogitou o protagonista Bobby Cannavale no Emmy.

A HBO entrou na onda e chegou a anunciar a renovação de Vinyl para a segunda temporada quatro dias depois da estreia. Mas o restante dos episódios não manteve o hype, e ficou clara a falta de consistência da série, que perdeu um de seus mentores, Terence Winter (The Wire), por "diferenças criativas".

O canal de GoT esperava uma audiência perto da casa de um milhão de telespectadores a cada episódio, mas Vinyl atraiu uma média de 644 mil pessoas por semana. Em uma decisão sem precedentes, a HBO voltou atrás da renovação e cancelou Vinyl dois meses após o final da única temporada.

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