Daniel Castro

ANÁLISE

Com Monalisa e Gottino, CNN Brasil mira no ao vivo com líderes de audiência

Reprodução/TV Globo/Record

Os âncoras Monalisa Perrone, ex-Globo, e Reinaldo Gottino, ex-Record, que foram para a CNN Brasil

Monalisa Perrone e Reinaldo Gottino: CNN contratou apresentadores que sabem improvisar ao vivo

DANIEL CASTRO - Publicado em 16/09/2019, às 18h10

Há quem diga que, de todas as contratações feitas até agora pela CNN Brasil, a de Reinaldo Gottino foi a mais certeira. Assim como a colega Monalisa Perrone, ex-Globo, Gottino é bom na cobertura ao vivo. Para executivos do novo canal de notícias, ele tem o perfil dos famosos "breaking news" da CNN Internacional. Em português, é o cara certo para dar notícias quentes, que acabaram de acontecer.

Certamente, o desfalque de Gottino vai doer mais na Record do que o de Monalisa na Globo. Monalisa foi rapidamente substituída por Roberto Kovalick, que não tem o mesmo carisma que a ex-titular do Hora 1, mas passa credibilidade e deu até mais audiência em sua primeira semana no telejornal dos madrugadores.

Foi com Gottino que a Record passou a liderar com folga durante uma hora, entre as 14h e as 15h, na Grande São Paulo, obrigando a Globo a encerrar um programa que já tinha 35 anos de existência, o Vídeo Show, a ser substituído no próximo dia 30 pelo Se Joga de Fernanda Gentil, Fabiana Karla e Érico Brás.

De um ano pra cá, Gottino protagonizou uma disputa acirrada com a Globo também das 13h às 14h, para desespero dos profissionais que fazem o Globo Esporte.

No Balanço Geral, Gottino se revelou um âncora versátil. Mostrou que sabe ser popular sem ser tosco, colocar "emoção" na notícia sem o exagero de seus colegas de BG Brasil afora. E ele é muito bem preparado. Seu conhecimento sobre o "mundinho pantanoso dos famosos" foi fundamental para o sucesso do quadro Hora da Venenosa, com Fabíola Reipert.

É possível dizer que a CNN Brasil, ao contratar Gottino e Monalisa, "comprou" quatro horas de liderança na TV aberta. Resta saber como isso vai se converter para o novo canal de notícias, que até agora não anunciou parceria com nenhuma operadora de TV paga para distribuí-lo.

Esse parece ser o grande desafio da CNN Brasil daqui para a frente. Com a queda no número de assinantes, nenhuma operadora quer carregar um novo canal, pois isso significará mais despesas.

Com a provável fusão da AT&T e Time Warner aprovada no Brasil, após mudança na lei que proíbe a propriedade cruzada, a CNN Brasil terá boa recepção na Sky, mas poderá enfrentar resistência na Claro. Embora seja um licenciamento de marca, a CNN Brasil tem o apoio da CNN, agora integrante do conglomerado WarnerMedia (o resultado de AT&T mais Warner).

Daniel Castro
DANIEL CASTRO transformou a coluna de Televisão da Folha de S.Paulo na mais relevante do país durante sua passagem pelo jornal, entre 1991 e 2009. Trabalhou no Notícias Populares (1995-96) e R7 (2009-13). E-mail: dcastro@noticiasdatv.com

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