Análise

Show de calouros com famosos, Popstar recicla The Voice e Silvio Santos

Reprodução/TV Globo

Mariana Rios, a mais votada da estreia de Popstar, se emociona em vídeo à la The Voice Brasil - Reprodução/TV Globo

Mariana Rios, a mais votada da estreia de Popstar, se emociona em vídeo à la The Voice Brasil

DANIEL CASTRO - Publicado em 09/07/2017, às 14h21

A Globo está vendendo Popstar como um formato original, desenvolvido por seu núcleo de profissionais de reality shows. Mas é impossível não compará-lo com duas grandes referências do gênero: os shows de calouros da TV dos anos 1970 e 1980 e o internacional The Voice. A nova atração, que estreou neste domingo (9), marcou 12,7 pontos na prévia do Ibope de São Paulo, menos, por exemplo, do que rende The Voice Kids no mesmo horário.

Dos programas de calouros, eternizados por Chacrinha (1917-1988) e Silvio Santos, Popstar traz candidatos sem vergonha de pagar mico e jurados que eventualmente fazem o papel de ranzinzas ou de generosos. De The Voice, pegou parte do cenário, o estilo de apresentação e o botão na mesa do jurado que aprova ou não o cantor _só faltou a cadeira giratória.

Além da semelhança no nome, há também em Popstar uma porção de Superstar, aquele reality show de bandas profissionais e semiprofissionais que não vingou na faixa das 13h dos domingos.

No novo formato da Globo, atores, jornalistas e apresentadores da casa cantam uma música e se submetem a apreciação de um júri de dez especialistas e de uma "plateia interativa", já que o programa é gravado e se pretende moderno, contemporâneo. Antes de subirem ao palco, tal como em The Voice, são apresentados por um videotape com depoimentos de familiares ou amigos.

Conforme os candidatos se apresentam, os jurados vão apertando botões (como em The Voice) que acendem estrelas em suas bancadas (como o painel/cortina de Superstar). Após a apresentação, os especialistas comentam por que aprovaram ou rejeitaram o candidato.

REPRODUÇÃO/TV GLobo

Tiago Leifert, ao lado de Tony Garrido, amou quase tudo o que ouviu na estreia de Popstar

No programa de estreia, Samuel Rosa fez o papel Aracy de Almeida (1914-1988), famosa pelas caretas no Show de Calouros de Silvio Santos. E Tiago Leifert, o único que não é músico no júri, pagou de Márcia de Windsor (1933-1982), a jurada de Flávio Cavalcanti (1923-1986) e Silvio Santos que só dava nota dez. Outros avaliadores, como Sophia Abrahão e Ludmilla, só fizeram número.

Na guerra pela audiência, a Globo expõe alguns de seus talentos no mural da vergonha alheia. O jornalista Alex Escobar, se estivesse no programa do Chacrinha, poderia ter levado uma buzinada e ganho o troféu abacaxi. Rafael Cortez e Eduardo Sterblitch, apontaram os jurados mais técnicos, não levaram a música a sério. E Murilo Rosa ganhou comentários nas redes sociais por interpretar o tema de seu personagem na novela América (2005) _Os Amantes, na voz de Daniel.

Chamou a atenção também a desigualdade entre os concorrentes. Todos os participantes (até Alex Escobar, que se declarou cantor de roda de amigos) têm alguma relação com a música. Mas alguns têm mais que outros. Mariana Rios, a mais votada do dia, e Cláudio Lins, são mais cantores do que atores.

Na estreia, a atriz Marcella Rica foi a menos votada, mas, diferentemente da maioria dos reality shows, ninguém foi eliminado. "Original" esse Popstar, não?

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