REPRISE 'PROIBIDA'

Por que Avenida Brasil e Passione nunca serão exibidas no Vale a Pena?

Renato Rocha Miranda/TV Globo

Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella) brigam em Avenida Brasil: trama pesada - Renato Rocha Miranda/TV Globo

Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella) brigam em Avenida Brasil: trama pesada

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 21/08/2017, às 05h25

Maior sucesso da Globo nos últimos cinco anos, Avenida Brasil (2012) não será reprisada no Vale a Pena Ver de Novo tão cedo ou, mais provavelmente, nunca. O mesmo vale para Celebridade (2003), Paraíso Tropical (2007) e Passione (2010). Como elas têm tramas pesadas, que envolvem vingança, prostituição, pedofilia e violência, seria tarefa quase impossível adaptá-las para que fossem exibidas durante a tarde.

Avenida Brasil era centrada na vingança de Nina (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves), que matou seu pai e a abandonou ainda criança em um lixão. O tema vingança já foi abordado em outras novelas do Vale a Pena, como Chocolate com Pimenta (2003). Mas a novela de Walcyr Carrasco tratou do assunto de forma divertida, enquanto João Emanuel Carneiro pegou pesado.

Nina colocou Carminha para limpar latrina, forçou-a a assumir para a família que foi prostituta e começou a tratá-la como empregada. A agressiva frase "Me serve, vadia", que fez sucesso na internet, jamais poderia ser exibida na faixa vespertina.

A novela do Divino também tinha uma atriz pornô que virava evangélica, vivida por Paula Burlamaqui, além do gigolô Max (Marcello Novaes) e da periguete Suelen (Isis Valverde), que transou com o patrão (Otávio Augusto) para manter o emprego. Uma reprise no Vale a Pena sofreria tanta edição que a trama ficaria incompreensível.

Outras novelas das 21h também são adultas demais para o horário da tarde. Celebridade, por exemplo, exibiu os seios de Juliana Paes logo em seu primeiro capítulo _atualmente, as cenas de nudez ficam restritas às novelas das 23h. Já Paraíso Tropical deu muito destaque para a prostituta Bebel (Camila Pitanga) e Passione abordou pedofilia por meio da vilã Clara (Mariana Ximenes).

Levantamento exclusivo do Notícias da TV mostra que, das 84 novelas já reprisadas pela Globo no Vale a Pena Ver de Novo, apenas 27% foram exibidas originalmente às 20h ou 21h, horário marcado por histórias mais adultas. A faixa das seis, dominada por tramas de época e romances água com açúcar, é líder nas reprises, com 40%.

Divulgação/tv globo

Sucesso em Paraíso Tropical, a prostituta Bebel (Camila Pitanga) não tem vez no Vale a Pena

O autor Benedito Ruy Barbosa é o rei do Vale a Pena: suas obras já foram exibidas nove vezes. Ele marca presença principalmente com tramas das seis, como as duas versões de Cabocla (1979 e 2004) e de Sinhá Moça (1986 e 2006). Renascer (1992) e O Rei do Gado (1996), originalmente exibidas às 20h, tinham uma crítica política forte, mas apresentavam pouca violência ou temas polêmicos.

Já João Emanuel Carneiro foi reprisado três vezes. Sua estreia como autor principal, em Da Cor do Pecado (2004), foi exibida na faixa em duas ocasiões. Cobras & Lagartos (2006) voltou ao ar uma vez. As duas novelas eram das 19h e tinham pegada cômica, com núcleos como o dos irmãos lutadores Sardinha e sua Mamuska (Rosi Campos) ou o do malandro Foguinho (Lázaro Ramos).

Com sua promoção para o horário mais nobre da Globo, Carneiro enveredou para as vinganças de A Favorita (2008) e Avenida Brasil. Apesar de estourarem na audiência, as tramas não tiveram vez no Vale a Pena. A Regra do Jogo (2015), que não fez sucesso nem na exibição original, já é carta fora do baralho.

Alguns autores, porém, não emplacam na faixa mesmo com novelas leves. Miguel Falabella, Euclydes Marinho e Lícia Manzo nunca foram reprisados. A dupla Duca Rachid e Thelma Guedes, elogiadas por Cordel Encantado (2011) e Joia Rara (2013), foram reexibidas uma única vez: O Profeta (2006), adaptação da obra de Ivani Ribeiro (1922-1995), outra rainha do Vale a Pena Ver de Novo.

O caso mais curioso, porém, é o de Elizabeth Jhin. A autora tem no currículo sucessos como Eterna Magia (2007), Escrito nas Estrelas (2010) e Amor Eterno Amor (2012), mas nunca bateu ponto na faixa de reprises.

A temática de reencarnação e de outras vidas não parece ser suficiente para excluir as novelas de Elizabeth, já que A Viagem (1994) foi reprisada duas vezes e Alma Gêmea (2005) é cotada para substituir Senhora do Destino (2004).

reprodução/tv globo

Briga de Malu Mader e Claudia Abreu seria cortada de Celebridade, assim como nu de Ju Paes

A experiência atual com Senhora do Destino, aliás, não está sendo das melhores. Apesar da boa audiência que a obra de Aguinaldo Silva tem alcançado, os fãs reclamam que cenas marcantes estão sendo retalhadas.

Foi o que ocorreu na briga de Nazaré (Renata Sorrah) e Maria do Carmo (Susana Vieira). O romance de Jennifer (Bárbara Borges) e Eleonora (Mylla Christie) também foi censurado na reprise, assim como o preconceito que elas sofrem.

E, mesmo com tantas modificações na obra original, a Globo enfrenta dificuldades com a novela. A emissora já foi advertida três vezes pelo Ministério da Justiça por exibir conteúdo incompatível com a classificação indicativa.

Em 31 de agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a regra que obriga as emissoras de TV a veicularem seus programas de acordo com o horário estabelecido pela classificação indicativa. Segundo o STF, impor a exibição da programação em certas faixas constituiria censura prévia.

Dessa forma, as emissoras agora devem apenas informar a classificação indicativa atribuída pelo Ministério da Justiça ao produto, mas podem exibi-lo no horário que quiserem. É aí que a situação de Senhora do Destino complica.

Classificada como imprópria para menores de 10 anos, a novela foi advertida por exibir "cenas de morte intencional, ato violento, linguagem de conteúdo sexual, insinuação sexual, apelo sexual, consumo de drogas lícitas e preconceito", de acordo com a reportagem do site NaTelinha.

Procurada pela reportagem, a Globo não se pronunciou sobre os critérios de seleção de novelas para exibição no Vale a Pena Ver de Novo ou sobre a edição de Senhora do Destino até a publicação deste texto. Seus autores, contudo, confirmam: a dificuldade de adaptar as tramas para todos os públicos é o grande obstáculo. Não haveria como, por exemplo, eliminar a temática da pedofilia de Passione.

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