Jornalismo

Diretor da Globo defende ascensão meteórica de repórter no Jornal Nacional

Reprodução/Memória Globo

Entre William Bonner e Fátima Bernardes, Ali Kamel comemora o Emmy Internacional conquistado pelo JN em 2011 - Reprodução/Memória Globo

Entre William Bonner e Fátima Bernardes, Ali Kamel comemora o Emmy Internacional conquistado pelo JN em 2011

DANIEL CASTRO - Publicado em 11/04/2018, às 14h32

Diretor-geral de Jornalismo da Globo, Ali Kamel saiu em defesa da repórter Patrícia Falcoski, que de uma hora para a outra foi alçada a protagonista na cobertura feita pelo Jornal Nacional da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre 3 e 7 de abril, Patrícia fez oito entradas no telejornal, contra cinco de todos os outros repórteres de São Paulo somados. 

O espaço cedido à jovem jornalista causou estranheza nos bastidores. Chamou a atenção de profissionais mais experientes a troca de mensagens nas redes sociais entre Patrícia e Mariano Boni de Mathis, editor-executivo, terceiro homem na hierarquia do Jornalismo da Globo.

No último final de semana, Boni, como ele é chamado, reagiu com emoticons de helicópteros e corações a um post de Patrícia comemorando o fim da cobertura da prisão de Lula. Em outro post da repórter no Instagram, o chefe de coberturas especiais do JN escreveu que ela "brilha muito".

A amizade entre os dois também ficou evidente em um post de uma semana atrás. Nele, Boni escreveu "Plantão com final feliz!". Patrícia, demonstrando intimidade, respondeu marcando o chefe: "Como você sabia?!".

Levantamento publicado pelo Notícias da TV nesta quarta-feira (11) revelou que Patrícia, após cometer uma gafe no Carnaval (ela perguntou à cantora Mart'nália se era amiga de Martinho da Vila), não apareceu uma única vez no Jornal Nacional entre 1° e 28 de março.

Depois disso, ela passou a ser a repórter de São Paulo com maior número de aparições no Jornal Nacional. Do dia 29 até ontem (10), Patrícia teve 12 entradas no JN, apenas cinco a menos do que todos os demais repórteres da Globo em São Paulo. Dessas 12 entradas, oito foram sobre a prisão de Lula.

reproduÇÃO/Instragram

Post de Patrícia Falcoski no Instagram recebeu dois corações do chefe Mariano Boni

Em e-mail enviado ao Notícias da TV no final desta manhã, Ali Kamel ataca o site e negou favorecimento a Patrícia Falcoski por parte de Mariano Boni, o que a emissora já havia feito por meio de sua área de Comunicação e estava registrado no texto original.

A seguir, o e-mail de Ali Kamel, na íntegra como pede a Globo, com todos os erros e peculiaridades: 

"O post 'Ascensão misteriosa de repórter causa estranheza na Globo' causou, isso sim, revolta e repulsa de todos as pessoas de bem na Globo.

As escalações de repórteres são feitas por critérios rigorosamente técnicos pelos chefes de reportagem, sob a supervisão de Cristina Piasentini, diretora de São Paulo. Patricia Falcoski, que tem se destacado com furos em casos complexos de investigações da Polícia Federal, foi escalada para o Cop pela chefe de reportagem Angélica Camargo e depois mantida pelo chefe de reportagem Walter Mesquita. Mariano Boni nada teve com a escalação.

O post cita três repórteres como tendo sido preteridos: Roberto Kovalick, José Roberto Burnier e Cesar Menezes. É muita desinformação. Kovalick estava escalado na cobertura da prisão do ex-presidente em posição nobre, no aeroporto de Congonhas, de onde foi expulso por correligionários exaltados de Lula. Mesmo assim, fechou para o Jornal Nacional a principal reportagem sobre a prisão. José Roberto Burnier está em merecidas férias. E César Menezes estava no outro helicóptero, tendo entrado na programação horas a fio, inclusive nos instantes da prisão efetiva do ex-presidente. Cesar Galvão, outro citado, trabalhou na sexta-feira desde as 4h da manhã, e no sábado, quando se previa o desfecho para depois do ato religioso, de manhã, estava de folga.

Tudo fica mais grave porque em 2015, três anos atrás, este mesmo blog publicou post em relação à Patricia Falcoski com esse título: ‘Repórter novata fura fila do Jornal Nacional e gera ciumeira na Globo’ (http://noticiasdatv.uol.com.br/mobile/noticia/televisao/reporter-novata-fura-fila-do-jornal-nacional-e-gera-ciumeira-na-globo-8363). Nele, estava dito que a repórter, três anos depois de ingressar na Globo, tinha sido promovida para o JN. Seis anos depois, ela continua novata e a insinuação absurda continua a mesma?

É chocante que, em tempos de Metoo, de defesa da igualdade de gênero, um jornalista faça insinuações tão repulsivas e falsas e que afetam de forma extremamente prejudicial a vida dos citados. Quer dizer que, se do sexo masculino, quando repórteres jovens se destacam, é por mérito. Se são do sexo feminino, é por amizade? Como pode um jornalista se prestar a insinuar isso? 

Fica registrada a minha revolta pessoal e a solidariedade aos envolvidos, que terão o meu apoio na decisões judiciais que pretendam tomar.

Ali Kamel"

Muito bonito o discurso do diretor-geral de Jornalismo da Globo. Só faltou explicar a matemática.


Com GABRIEL SOUZA

 

 

Enquete

Qual protagonista de Deus Salve o Rei você mataria?

Últimas notícias

Compartilhar no Facebook
Curta no Facebook