Jornalismo

Ascensão misteriosa de repórter novata causa estranheza na Globo

Imagens: Reprodução/TV Globo

Patrícia Falcoski em entrada ao vivo, do Globocop, no Jornal Nacional da última sexta-feira - Imagens: Reprodução/TV Globo

Patrícia Falcoski em entrada ao vivo, do Globocop, no Jornal Nacional da última sexta-feira

DANIEL CASTRO e GABRIEL SOUZA - Publicado em 11/04/2018, às 05h30

Nenhum repórter da Globo de São Paulo apareceu mais no Jornal Nacional nos últimos dias do que Patrícia Falcoski. A jornalista, que tem apenas cinco anos de casa, teve mais entradas no telejornal do que veteranos como Roberto Kovalick, José Roberto Burnier e César Menezes. Foi protagonista na cobertura da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O espaço dado à repórter vem intrigando profissionais da emissora. Afinal, por que uma jornalista que cometeu uma gafe há apenas 40 dias (no Carnaval, ela perguntou à cantora Mart'nália qual era a emoção de homenagear um "amigo" como Martinho da Vila) estaria sendo privilegiada numa grande cobertura?

As redes sociais revelam que Patrícia Falcoski tem um bom relacionamento com seus chefes, e isso tem alimentado especulações nos bastidores da emissora. Coordenador de coberturas especiais, Mariano Boni de Mathis, terceiro homem na hierarquia do Jornalismo da Globo, sempre prestigia seus posts no Instagram.

No último final de semana, por exemplo, Boni, como ele é chamado, reagiu com dois emoticons de helicópteros e dois de corações a uma publicação de Patrícia em que a jornalista festejava o término da cobertura da prisão de Lula. Ontem (10) à tarde, o editor-executivo apagou o comentário, reproduzido abaixo, após o Notícias da TV procurar a emissora.

Até 29 de março, Patrícia Falcoski era praticamente desconhecida do telespectador do Jornal Nacional. Ela não havia tido nenhuma entrada no telejornal naquele mês. Tudo mudou de repente. Nos dias seguintes, só ficou fora do JN em 2 e 4 de abril.

Post de Patrícia Falcoski no Instagram recebeu dois helicópteros e dois corações do chefe Mariano Boni

A repórter emplacou reportagens em videotape em quatro edições e entrou ao vivo, do helicóptero, em outras quatro. Ao todo, foram 12 aparições, apenas cinco a menos do que todos os demais repórteres da Globo de São Paulo somados. No acumulado de 1º de março até ontem (10), teve o dobro de exposição que Roberto Kovalick.

Na última segunda, aliás, Patrícia ocupou um espaço que normalmente a Globo reserva aos mais prestigiados, em uma reportagem especial sobre políticos de vários Estados com problemas na Justiça.

No chão ou no ar, nesses mais de dez dias Patrícia só esteve envolvida nas principais coberturas do JN, ou seja, a prisão de Lula e as denúncias contra amigos do presidente Michel Temer. No helicóptero, ela tomou o lugar geralmente ocupado pelos veteranos César Galvão e César Menezes.

A Comunicação da Globo nega com veemência qualquer suspeita de proteção a Patrícia Falcoski. Diz que ilações sobre sua amizade com Mariano Boni são "fofoca de muito mau gosto".

A emissora afirma ainda que quem elabora a escala e escolhe as pautas dos repórteres é Cristina Piasentini, diretora de Jornalismo em São Paulo, e não Mariano Boni. E que o maior ou menor número de entradas de um profissional no Jornal Nacional durante um determinado período podem estar relacionados a questões corporativas ou estratégicas da empresa.

Atualização às 15h30: Após a publicação deste texto, o diretor-geral de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, saiu em defesa de Patrícia Falcoski e Mariano Boni de Mathis. Leia em Diretor da Globo defende ascensão meteórica de repórter no Jornal Nacional.

 

 

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