Na HBO

Prostituição de luxo vira 'Casos de Família' em última temporada de O Negócio

Divulgação/HBO

Luna (Juliana Scalch) conversa com sua mãe (Cris Bonna) sobre a realidade de seu trabalho - Divulgação/HBO

Luna (Juliana Scalch) conversa com sua mãe (Cris Bonna) sobre a realidade de seu trabalho

FERNANDA LOPES - Publicado em 17/03/2018, às 05h32

Nos episódios derradeiros de O Negócio, série que retorna à HBO neste domingo (18), as protagonistas finalmente tomam coragem para abrir o jogo com suas famílias sobre o esquema de prostituição de luxo de que participam. Mas nada sai como elas planejam. A quarta e última temporada da série terá cenas de altas discussões e dramas das prostitutas com seus pais, que renderiam um ótimo tema para o programa Casos de Família, do SBT.

No ar desde 2013, O Negócio retrata o universo de garotas de programa que circulam pela alta sociedade paulistana. Elas andam sempre impecavelmente vestidas, com comportamento sofisticado e discreto, tudo para fisgar clientes de alto padrão e fazer dinheiro com seus corpos.

Agora, no entanto, as cenas com nudez e sexo quase explícito não são mais o maior foco da atração. Karin (Rafaela Mandelli), Luna (Juliana Schalch), Magali (Michelle Batista) e Mia (Aline Jones), as protagonistas, querem montar o maior negócio de sexo do Brasil e serem respeitadas independentemente de sua profissão.

Após assinar contrato para a construção um prédio só para as profissionais fazerem seus programas, Karin decide escrever um livro contando a história da Oceano Azul, sua agência de prostituição de luxo, e suas colegas de trabalho. Antes de o material ser publicado, todas percebem que é hora de revelar a verdade para as famílias.

"Desde a primeira temporada, a Karin vem batalhando para assumir o que elas fazem e conseguir respeito das pessoas diante da profissão que escolheram. Agora, ela vai até as últimas consequências disso. Batalha pelo que acredita, se depara com personagens que não pensam como ela, que são conservadores, e vai ter que lidar outra vez com esse tipo de coisa, só que de maneira mais intensa", adianta Rafaela.

A mãe de Karin pede à filha que não publique o livro para não expor sua vergonhosa atividade, enquanto o pai de Mia chega a segui-la e interromper seus encontros.

"As relações de preconceito existem com as pessoas próximas. A série brinca com a mente conservadora, com preconceito e curiosidade, com o conquistar e repudiar. Tem o momento também de lavar roupa suja, vamos lavar roupa suja de todo mundo", comenta Aline.

"Essa temporada tem os elementos de verdade privada e verdade pública. Curiosamente, a privada às vezes é mais difícil de lidar", diz Roberto Rios, vice-presidente de produções originais da HBO.

divulgação/hbo

Rafaela Mandelli interpreta Karin, prostituta empreendedora e escritora de O Negócio

Prostitutas empoderadas
As quatro protagonistas afirmam que, em suas próprias casas, todos aceitam bem o fato de elas aparecerem nuas em cenas de sexo. Inclusive, as mães, avós e irmãs das atrizes são suas maiores fãs.

As intérpretes defendem que o fato de as prostitutas da série terem escolhido a profissão (e não entrado por necessidade) e fazerem fortuna com isso mostram o empoderamento dessas mulheres.

"A identificação das mulheres tem a ver com isso, a força delas, protagonistas femininas seguras de si, fortes, decididas e donas dos próprios corpos", ressalta Michelle Batista.

"As meninas [da série] são superlivres fazendo isso. Já que o pensamento conservador está crescendo [na sociedade], a gente vai ter força pra se colocar em oposição a isso", complementa Aline.

Depois de O Negócio, outras séries sobre prostituição chegaram à TV paga, como #MeChamaDeBruna, da Fox, e Rua Augusta, estreia recente da TNT.

Segundo o diretor-geral da série, Michel Tikhomiroff, a trama da HBO se diferencia por não mostrar o mundo sujo e sofrido da prostituição. A série chega ao fim, mas ele acredita que o tema continuará a render assunto para produções televisivas.

"A imaginação corre solta em relação às coisas que a gente não conhece tanto. Acho que tem um fascínio, uma curiosidade que parece que não se esgota sobre o tema. Quando a gente fez O Negócio, outras atrações sobre o assunto já existiam, principalmente internacionais, mas a gente trouxe um recorte original. É a profissão mais antiga da humanidade, sempre tem um mistério que envolve isso", afirma.

 

 

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