Mico do ano

Previsível e sem Jack Bauer, novo 24 Horas comete cinco erros fatais

Fotos: Divulgação/Fox

Corey Hawkins em 24 Horas: O Legado; 1ª temporada termina como grande fiasco de 2017 - Fotos: Divulgação/Fox

Corey Hawkins em 24 Horas: O Legado; 1ª temporada termina como grande fiasco de 2017

JOÃO DA PAZ - Publicado em 20/04/2017, às 06h10

A série 24 Horas: O Legado é um dos grandes fracassos da TV norte-americana neste ano. Sem o icônico Jack Bauer (Kiefer Sutherland) e com uma história contada em apenas 12 horas, a atração, na verdade, manchou o legado de 24 Horas (2001-2010), drama policial que revolucionou o gênero.

O spin-off não trouxe nada de novo e ainda reproduziu o que havia de pior no original, como os estereótipos de raça e gênero. O público não se empolgou: apenas 5 milhões acompanharam os episódios _no auge, a original chegou a ter 14 milhões de telespectadores. Confira os cinco maiores erros do novo 24 Horas, que termina na madrugada desta quinta (20) para sexta, à 1h:

 

Corey Hawkins ganhou pontos pelo esforço, mas 24 Horas sem Jack Bauer é difícil de engolir

Sem Jack Bauer
Jack Bauer é sinônimo de 24 Horas. O ator Kiefer Sutherland, porém, serviu apenas como produtor-executivo do spin-off. O escolhido como protagonista foi Corey Hawkins, que basicamente vive um falso Jack Bauer. O novato, elogiado pelo trabalho no filme Straight Outta Compton (2015), entrou em uma enrascada, mas acabou cumprindo seu papel dignamente. O problema é que 24 Horas não funciona sem Jack Bauer. Até a própria Fox admitiu isso.

 

Não há dúvidas que Eric Carter (Hawkins) desativa uma bomba no meio da temporada

Exagero na urgência
Na mesma toada de 24 Horas, a versão O Legado traz o cronômetro que indica o horário exato em que se passa determinada cena: a história começa ao meio-dia e termina 12 horas depois. Correndo contra o tempo, os personagens parecem estar sempre com uma batata quente na mão. Gritam coisas do tipo: "Não temos tempo suficiente!", "Estamos aqui para terminar o que começamos!". Lá pela metade da série, o exagero na urgência satura, e a dramaticidade forçada não convence mais.

 

Isaac (Ashley Thomas) esquece problemas do passado com o irmão em menos de uma hora

Mudanças instantâneas
Uma das magias de 24 Horas é o falso tempo real da trama. Fazer um roteiro nesse molde é extremamente complicado, e é grande a chance de vacilar, tornar a relação dos personagens artificial. O maior exemplo disso ocorre com os irmãos Eric (Corey Hawkins) e Isaac Carter (Ashley Thomas). Eles ficam anos sem se falar. Um foi soldado do Exército (Eric) e outro era um criminoso (Isaac). Eles se reencontram e, 45 minutos depois, no tempo "real" da série,  já conversam como se fossem chegados. As diferenças do passado milagrosamente desapareceram.

 

O filho (Jimmy Smits, à esq.) é traído pelo pai (Gerald McRaney) em reviravolta de 24 Horas 

Previsibilidade
Até o final da temporada, todos os protagonistas superam seus obstáculos. Um sequestro ali e um ataque terrorista acolá não têm o menor efeito, não injetam tensão, pois já sabemos que os protagonistas sempre escapam. Seja para o telespectador experiente de 24 Horas ou para alguém que está conhecendo a estrutura da história pela primeira vez, é fácil adivinhar como o episódio vai terminar. Com exceção de uma traição mostrada logo nos primeiros episódios, não há reviravoltas em O Legado, e tudo é muito previsível.

 

Em 24 Horas: O Legado, o ator Raphael Acloque vive um terrorista árabe e muçulmano

Na contramão
Público e mídia aplaudiram a decisão da Fox de escalar um ator negro, Corey Hawkins, como protagonista da atração. A esperança era de que O Legado se distanciaria dos estereótipos da série original. Nada disso. Os terroristas? São árabes e muçulmanos. O bandidão e seus comparsas? Todos negros. E as mulheres são manipuladoras, sempre vão trair alguém. A série caminha na contramão da contemporaneidade, que valoriza a representação não estereotipada das minorias.

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