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Por que a série Sob Pressão faz tanto sucesso? Marjorie Estiano explica

Fotos de Maurício Fidalgo/TV Globo

Marjorie Estiano vive a médica Carolina na série Sob Pressão: sucesso de crítica e público - Fotos de Maurício Fidalgo/TV Globo

Marjorie Estiano vive a médica Carolina na série Sob Pressão: sucesso de crítica e público

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 10/09/2017, às 07h44 - Atualizado às 08h42

Em uma faixa marcada por comédias como Tapas & Beijos (2011-2015) e Mister Brau, Sob Pressão tem feito bonito nas noites de terça da Globo com uma pegada dramática. Com sete episódios já exibidos, a série acumula média de 27,4 pontos na Grande São Paulo, superior até à da última novela das nove, A Lei do Amor (2016). Para a protagonista Marjorie Estiano, o sucesso se deve ao fato de a atração não ser militante, violenta ou chata.

"Sob Pressão trata de um assunto muito delicado e bastante polêmico. Poderia ficar excessivamente militante, chato, violento, fantasioso, ilustrativo... Era bastante arriscado e ousado. Nós do elenco sabíamos que tínhamos feito algo que era bastante especial. Mas o retorno do espectador é sempre uma incógnita, e o caminho que a série está fazendo com o público não poderia ser melhor", diz a atriz.

A intérprete da médica Carolina Almeida também atribui a boa repercussão ao trabalho de Andrucha Waddington, diretor artístico da série. "Ele é de uma parceria sobrenatural. Participa do todo, pede opinião, faz alterações. Nunca vi um diretor estabelecer uma relação tão horizontal quanto ele", valoriza.

Para a construção de Carolina, Marjorie foi conhecer hospitais públicos, já que a série se propõe a mostrar o cotidiano de um local do tipo e dos profissionais que ali trabalham. As visitas deram à atriz um breve panorama da saúde pública no Brasil.

"Não posso dizer que me deparei com a realidade, ou me considerar alguém que a olhou mesmo nos olhos, que precisou do serviço público e encontrou o que estamos reproduzindo na série. Pude percebê-la um pouco mais por meio do contato que tivemos no laboratório", minimiza a intérprete de 35 anos.

Marjorie acredita que a função social da série é representar as pessoas que vivem de fato essa realidade difícil e chamar a atenção para que esse cenário seja transformado. "Se eu puder colaborar um pouquinho, ajudando a levantar uma pedrinha, já ficarei imensamente agradecida."

Na pele de uma cirurgiã vascular, a atriz atua entre sangue cenográfico, órgãos humanos de mentira, seringas e bisturis. Mais assídua em hospitais da ficção do que nos da vida real, a atriz se encanta com o funcionamento do organismo humano.

"Ver o corpo por dentro, as cores dos músculos, dos órgãos, essa fusão de matéria e emoção. Não conheço outra forma de vida que não a natureza, mas essa já apresenta um mundo inesgotável de possibilidades. É arrebatador", define a atriz, que confessa que tinha um contato muito maior com sangue durante a infância: "Eu vivia me machucando", lembra.

Marjorie em cena com o ator Júlio Andrade, que vive o médico Evandro Moreira: arrebatador

Série tipo exportação
Apesar de séries médicas já serem um gênero tradicional na TV americana, com produções como Grey's Anatomy, Code Black, Chicago Med e The Night Shift no ar, Marjorie defende que há espaço para uma atração como a série da Globo e da produtora independente Conspiração Filmes.

"Sob Pressão é o DNA do Brasil, é nossa. Ela nos representa social, política e culturalmente. Nos defeitos e nas qualidades. É contraditória, humana, violenta, bem-humorada, espiritualizada, guerreira, simples e sofisticada", filosofa.

A atriz acredita, inclusive, que a série merece ser exportada para outros mercados: "Para o público fora do Brasil que se interessa por séries médicas, no cenário atual, poderia ser bastante instrutivo assistir a Sob Pressão".

E, como a segunda temporada de Sob Pressão já está confirmada, Marjorie deve passar pelo menos mais um ano longe das novelas: nessa década, ela fez apenas três (A Vida da Gente, Lado a Lado e Império), dedicando seu tempo mais às séries, minisséries e filmes, além da carreira musical.

Apesar de não fugir das obras mais longas, ela não esconde sua alegria por estar participando de projetos tão diferentes, como Eu que Amo Tanto (2014), Justiça (2016) e a própria Sob Pressão.

"O que me instiga não pertence a um critério pré-definido. Acho que a trajetória que sigo conta com todas as variáveis possíveis. Há ainda a sorte de que as pessoas com as quais desejo trabalhar também se interessem em trabalhar comigo. Enfim, só sei que sou muito grata a todas as oportunidades que tive e que anseio pelo que ainda está por vir", encerra.

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