GODLESS

Em faroeste sobre cidade dominada por mulheres, 73% das falas são de homens

Ursula Coyote/Netflix

Merritt Wever (à esq.) e Michelle Dockery em Godless: elas falam menos do que os homens - Ursula Coyote/Netflix

Merritt Wever (à esq.) e Michelle Dockery em Godless: elas falam menos do que os homens

REDAÇÃO - Publicado em 25/11/2017, às 06h36

Lançada na quarta (22) pela Netflix, a minissérie Godless foi divulgada pela plataforma de streaming como um faroeste diferente, que se passa em uma cidade do Velho Oeste dominada por mulheres, já que todos os homens do local morreram em um acidente de mineração. A presença feminina, porém, fica restrita à sinopse: no primeiro dos sete episódios, os personagens masculinos são responsáveis por 73% das falas.

O levantamento foi feito pelo programador de jogos escocês Innes McKendrick, homem transexual e defensor de causas LGBT e do feminismo. Ele assistiu ao episódio e anotou todas as vezes em que um homem ou uma mulher abriam a boca na produção.

"Eu usei as legendas [da Netflix] para determinar o que era considerado uma nova fala. Incluí as frases em paiute [língua indígena falada na região da Califórnia e do Novo México] o máximo que pude como falas femininas. E não contei suspiros ou grunhidos. O que, acredite, teria aumentado dramaticamente a contagem masculina", explicou em seu Twitter.

Segundo o relatório de McKendrick, o primeiro episódio de Godless tem 606 falas. Dessas, apenas 165 (ou 27%) saem da boca das mulheres da minissérie. As outras cabem aos homens, parte de uma gangue de criminosos que chega à cidade. "Acho relevante apontar que, por causa da história, o protagonista passa metade do episódio sem poder falar. E ainda assim...", alfinetou.

O programador apontou ainda alguns momentos irônicos da produção, como uma das falas em que um personagem masculino se vira para outro e comenta: "É assustador como não há homens aqui nessa cidade, é um mistério". "Também há uma cena de agressão sexual séria, que acontece inesperadamente. E o trailer da série indica que existem outras, o que é bem decepcionante", observou.

A situação fica ainda mais dramática quando se observa o elenco fixo da série. Dos nove atores listados na abertura, apenas três são mulheres: Michelle Dockery (de Downton Abbey), Merritt Wever (de Nurse Jackie) e Tantoo Cardinal (uma veterana de ascendência indígena).

Outros críticos do programa reclamaram que Godless, apesar de se tratar de uma série sobre uma cidade de mulheres, também não seria aprovada no teste de Bechdel, um exame feminista frequentemente usado em obras de ficção. O teste verifica se a série (ou filme ou livro) tem pelo menos duas personagens femininas, que conversam entre si sobre algum tema que não seja homens.

Por trás das câmeras, Godless também tem uma equipe majoritariamente masculina: a produção foi escrita e dirigida por Scott Frank, indicado ao Oscar de melhor roteiro por Irresistível Paixão (1998). Frank também assina como produtor executivo, juntamente com o cineasta Steven Soderbergh e Casey Silver, ex-diretor da Universal Pictures.

"Acho extremamente frustrante que os responsáveis por Godless não tenham pensado que apresentar essa cidade dominada por mulheres fosse tão interessante quanto mostrar a gangue composta somente por homens", finalizou McKendrick.

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