TECNOLOGIA MALUCA

De sátira espacial a robô assassino: quão surtada é a nova Black Mirror?

Fotos: Divulgação/Netflix

Tripulação da USS Callister em episódio de Black Mirror que satiriza Jornada nas Estrelas - Fotos: Divulgação/Netflix

Tripulação da USS Callister em episódio de Black Mirror que satiriza Jornada nas Estrelas

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 29/12/2017, às 06h27

Nesta sexta (29), chega à Netflix a quarta temporada de Black Mirror. Os seis novos episódios da série que mostra o lado sombrio da tecnologia têm de tudo um pouco: de crítica a aplicativos de namoro a uma babá eletrônica extrema; de uma paródia de Jornada nas Estrelas a um robô-cachorro assassino. Mas qual é o capítulo mais surtado?

O Notícias da TV assistiu à temporada completa antes do lançamento e adianta quais são os melhores episódios, quais você pode deixar de ver para não perder tempo e, principalmente, quais deles são completamente fora da caixinha. 

Personagem de Douglas Hodge apresenta o museu para a turista vivida por Letitia Wright

Museu do terror
A vitória no quesito piração vai, sem dúvida, para Black Museum. Pode não ser o melhor, mas é sem dúvida maluco: mostra uma jovem turista (Letitia Wright) que visita um museu recheado de peças tecnológicas assassinas. Enquanto ela passeia pelo local, o guia (Douglas Hodge) vai contando a história de cada artefato.

São três minicontos dentro do episódio: o primeiro mostra um médico que usa um aparato para sentir a dor de seus pacientes e, dessa forma, diagnosticar a doença que eles têm; o segundo é sobre uma mulher em coma que transfere sua consciência para a mente do marido; e o terceiro artefato é um holograma de um criminoso executado na cadeira elétrica.

Apesar de parecerem bem desconexas e fora da realidade, as três histórias se amarram de forma triunfal no fim do episódio _e contar qualquer coisa além disso estragaria a experiência de assistir a Black Museum. 

Georgina Campbell e Joe Cole interpretam casal que tem um romance com prazo de validade

Tinder da próxima geração
Quem gostou de Nosedive, episódio da terceira temporada sobre uma sociedade em que sua avaliação nas redes sociais influencia seu estilo de vida, deve aprovar também Hang the DJ. No capítulo, um novo aplicativo de namoro, Coach, informa aos casais exatamente quanto tempo o relacionamento vai durar.

A trama acompanha uma dupla (Georgina Campbell e Joe Cole) que ganha apenas algumas horas de "validade". O encontro chega ao fim e eles seguem para outros relacionamentos, mas não conseguem parar de pensar um no outro.

Em um mundo no qual aplicativos como Tinder são cada vez mais fundamentais para a vida social, Hang the DJ cresce ao construir uma trama absolutamente surtada, mas que ainda assim não parece tão distante da realidade atual. 

Mãe interpretada por Rosemarie DeWitt (à esq.) observa a filha ser implantada com o ArkAngel

Mãe coruja, filha sem emoções
Dirigido pela atriz Jodie Foster, vencedora de dois Oscars, o episódio ArkAngel conta a história de uma mãe (Rosemarie DeWitt) que, preocupada com a segurança de sua filha pequena, aceita colocar a herdeira como cobaia de um novo sistema de babá eletrônica avançado.

O ArkAngel não apenas permite que a mãe saiba a localização exata da filha o tempo todo, como mantém um registro de suas emoções, e deixa que a mãe enxergue tudo o que a menina vê e até censure cenas chocantes e palavreados chulos de sua vida.

Porém, o controle exagerado acaba gerando efeitos negativos para a relação familiar e, inclusive, para o desenvolvimento psicológico da criança. Uma crítica aos pais superprotetores que não permitem que seus filhos vivam livremente? 

Ex-Friday Night Lights, Jesse Plemons (à frente) é o capitão de uma tripulação que o idolatra

Aventura no espaço sideral
Apresentado como uma paródia da série Jornada nas Estrelas, o episódio USS Callister é muito mais do que isso. Conta a história de uma jovem (Cristin Milioti) que é contratada para trabalhar em uma empresa de tecnologia liderada por um gênio da computação (Jesse Plemons).

Não demora, porém, para que a jovem descubra que todos os funcionários do escritório também participam de um mundo de realidade virtual que simula uma nave espacial. Ali, o chefe da empresa é o capitão e todos compõem a tripulação; mas essas aventuras por planetas estranhos escondem um segredo perigoso.

A agente da seguradora (Kiran Sonia Sawar) investiga acidente por meio de memórias alheias

Memória traiçoeira
Um dos pontos fracos da temporada, Crocodile mostra duas histórias aparentemente independentes: na primeira, um casal (Andrea Risenborough e Andrew Gower) atropela uma pessoa na estrada e, depois de constatar que mataram a vítima, decidem se livrar do corpo e manter segredo sobre o crime durante anos.

A outra trama é sobre uma jovem (Kiran Sonia Sawar) que trabalha em uma seguradora e investiga acidentes envolvendo os clientes da empresa. Para isso, conta com uma máquina que permite que ela enxergue a memória de testemunhas, ciente de que a memória é subjetiva e não traduz exatamente o que foi visto.

Todo em preto e branco, episódio com Maxine Peake é o mais fraco da quarta temporada

Tensão estilizada
O pior episódio da temporada é Metalhead. Com poucas falas, mostra uma mulher (Maxine Peake) que invade uma fábrica em busca de um objeto misterioso e acaba perseguida por uma série de robôs de vigilância assassinos.

O roteiro é cansativo, mas o visual diferenciado (o episódio é todo em preto e branco) tenta compensar as falhas do texto. Quem quiser pular um dos episódios, pode deixar esse passar sem nenhuma crise de consciência posterior.

Leia também

 

 

Enquete

O que você achou do vaivém de Datena na Band?

Últimas notícias

Compartilhar no Facebook
Curta no Facebook