Análise | Teledramaturgia

Para emplacar, A Regra do Jogo precisa ficar palatável e ser 'mais novela'

Reprodução/TV Globo

Tony Ramos em que seu personagem se revelou autor de chacina que matou 20 pessoas - Reprodução/TV Globo

Tony Ramos em que seu personagem se revelou autor de chacina que matou 20 pessoas

RAPHAEL SCIRE - Publicado em 05/10/2015, às 05h19

Toda a expectativa que girava em torno de A Regra do Jogo virou frustração em menos de um mês. Sem ainda recuperar os índices de audiência perdidos por Babilônia, a antecessora do horário, a trama de João Emanuel Carneiro pena para conquistar seu lugar ao sol _como canta o tema de abertura.

Dizer que o problema da história está na concorrência acirrada de Os Dez Mandamentos (Record) ou no excesso de realidade apresentado na narrativa seria um pouco de reducionismo. A Regra do Jogo padece, sim, de alguns problemas, mas já mostrou que tem potencial para engrenar.

Uma das maiores _e melhores_ características dos folhetins de Carneiro é não entregar a história principal de bandeja para o telespectador. A ambiguidade de seus personagens funciona como fio condutor e movimenta a história, mas nesse caso revelou-se um tiro no pé, uma vez que a indefinição do caráter dos personagens distancia a torcida popular, como vem acontecendo com Zé Maria (Tony Ramos).

A Regra do Jogo está longe de ser uma trama palatável, requer do público atenção constante para não se perder, faz pensar e torna-se, assim, pesada demais, o que pode explicar essa fuga da audiência. Isso não significa que a história deva escambar para o didatismo, mas apenas que deva ficar mais digerível, leve.

A principal inovação da trama em termos de narrativa, nomear os capítulos, é uma tentativa de emular as séries americanas. Com isso, deixa de lado o tom folhetinesco, próprio do gênero. Enquanto não retomar esse caráter primário e voltar a ser “mais novela”, A Regra do Jogo dificilmente emplacará.

Estão aí Os Dez Mandamentos e Além do Tempo, a novela das seis, que não deixam mentir: ambas carregam o beabá do folhetim, com ganchos, vilões e mocinhos bem delineados e uma certa fantasia, vá lá, mas as duas novelas dão certo.

Falta, ainda, um casal principal a quem o público possa torcer. Toia (Vanessa Giácomo) e Juliano (Cauã Reymond), apesar de alguns percalços, vivem felizes. Precisam entrar em conflito para que os telespectadores decidam para quem torcer. A possibilidade de a mocinha se envolver com Romero (Alexandre Nero) ainda não passou de uma promessa.

Por outro lado, a dupla formada por Romero e Atena (Giovanna Antonelli) já disse a que veio. Os dois têm química e funcionam em cena. Tem ali na relação deles (pouco) romance e (muita) voltagem sexual, além de um toque de humor. Giovanna, inclusive, já imprimiu nuances em sua personagem e atenuou o tom exagerado de sua gargalhada.

Outro quesito em que a novela acertou é o investimento no drama. Suas cenas são geralmente longas, mas prendem pela alta carga dramática e, sobretudo, pela qualidade de seus diálogos. A Regra do Jogo pode até não abrir mão da gritaria, em especial nos núcleos cômicos, mas também não faz concessões a cenas picotadas e impõe o ritmo da narrativa aos poucos.

Com uma premissa interessante para os dias atuais, questionar os limites éticos de cada um em suas ações cotidianas, A Regra do Jogo precisa apenas voltar-se àquilo que o gênero telenovela cravou há anos: seu caráter folhetinesco. Assim, prende o telespectador e a audiência vem a reboque.


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