Análise | Teledramaturgia

Grazi supera carreira de tropeços e revela amadurecimento profissional

Cesar Alves/TV Globo

Grazi Massafera em A Lei do Amor; atriz conquistou lugar entre os grandes nomes da TV - Cesar Alves/TV Globo

Grazi Massafera em A Lei do Amor; atriz conquistou lugar entre os grandes nomes da TV

RAPHAEL SCIRE - Publicado em 19/11/2016, às 07h04 - Atualizado em 20/11/2016, às 04h00

Indicada ao Emmy Internacional de melhor atriz por seu desempenho em Verdades Secretas (2015), Grazi Massafera colhe hoje os frutos de uma carreira marcada por tropeços. Na pele da modelo drogada Larissa, da trama de Walcyr Carrasco, ela arrebatou público e crítica e finalmente conquistou seu lugar no panteão das estrelas de televisão.

Larissa poderia ter sido um ponto fora da curva no histórico da atriz, mas a chegada de Luciane, de A Lei do Amor, a atual novela das nove da Globo, comprova o amadurecimento profissional de Grazi em mais uma performance formidável e que deixa de lado completamente a pecha de "ex-BBB que se aventura pelas novelas".

À vontade em cena, Grazi deita e rola com Luciane, uma das melhores personagens da história de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari.

A ex garota de programa diz as maiores barbaridades com graça e humor. Já declarou por exemplo que é piranha, mas não é mau caráter. É, sobretudo, uma alpinista social nível "novela de Gilberto Braga". Sonha em ser primeira dama da fictícia cidade de São Dimas e abusa de sua sensualidade para conquistar o que tanto quer.

Luciane foi usada pelo próprio sogro, Fausto (Tarcísio Meira), para conseguir favores políticos. Em troca, ganhou a bênção do patriarca dos Leitão para se casar com Hércules (Danilo Granghéia). É a única que tem a petulância de enfrentar Magnólia (Vera Holtz) de igual para igual.

reprodução/tv globo

A viciada em crack Larissa rendeu a Grazi Massafera uma indicação ao Emmy Internacional

Com Pedro (Reynaldo Gianecchinni), Luciane já deixou transparecer seu lado humano em uma cena que misturou humor e drama. Grazi emocionou ao contar a história de sua personagem sem perder a graça. Luciane, por fim, tem a trilha sonora perfeita: É Bom para o Moral, de Rita Cadillac.

Grazi faz ainda uma ótima dobradinha com Otávio Augusto, o senador Cesar Venturini, melhor papel do ator desde o Matozão de Vamp (1991). É com ele que Luciane vai para a cama para alavancar a carreira política do marido. Ao saber que o senador havia sido cassado, não hesitou em ficar de quatro na cama e enviar uma foto pra lá de provocativa para alegrá-lo. Não será surpresa nenhuma se, no final da história, Luciane for "premiada" com um cargo público.

Dedicada, Grazi compôs um trabalho detalhado para dar vida a Luciane: além do sotaque genuinamente caipira, há a jogada de cabelo e o rebolado para explorar a sensualidade, além do chiclete que ela não para de mascar e que denota os maus modos da ex-garota de programa.

O rigor na interpretação de agora nem de longe lembra o passado de tropeços, com mocinhas insossas e participações pouco memoráveis, como a vilã Deodora, de Tempos Modernos (2010), e a protagonista Lívia, de Negócio da China (2008). Em Flor do Caribe (2013), como Ester, Grazi começou a guinada na carreira, que viria a se firmar em Verdades Secretas, ironicamente na pele de uma coadjuvante.

Mesmo que não ganhe o Emmy, como ela mesma prevê, a indicação da atriz vem para coroar sua trajetória na televisão: de menina simples do interior paranaense a estrela global, via confinamento do BBB. Há duas novelas, Grazi vem sambando na cara de quem torceu o nariz no início de sua carreira.


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